A superficialidade do comércio internacional e o desenvolvimento sustentável fragmentado

MBA em Gestão da Sustentabilidade - Fundação Getúlio Vargas

Introdução

Neste momento tão delicado do mercado internacional e a importância direta da necessidade do desenvolvimento sustentável, nos chama para a atenção questões importantíssimas, delicadas e bastante complexas. Um dos focos em maior destaque atualmente é a questão ambiental e sua relação direta com a economia mundial. Todas estas ações e consequências estão intimamente ligadas aos princípios, valores, condutas e posturas que o ser humano vem manifestando ao longo dos anos e afetando diretamente a Natureza como um todo.

Justificativa

Analisando o comércio internacional e sua inter-relação com o meio ambiente, ressaltarei aqui questões contraditórias e instigantes, retratando alguns dos grandes desafios existentes no momento para a expansão e a prática do desenvolvimento sustentável no nosso dia a dia.

Desenvolvimento

Estamos presenciando um dos momentos mais delicados e frágeis da economia mundial. Com toda esta instabilidade e incertezas começamos a questionar também condutas e posturas que, de certa forma, estão contribuindo para esta crise, que não é somente financeira, mas também ambiental.

O comércio internacional é um dos grandes responsáveis por estimular e incentivar as economias do mundo, acelerando o desenvolvimento e o crescimento através de medidas que estimulam a troca de produtos entre os países.

Um dos destaques do momento no comércio internacional é o desenvolvimento baseado no livre comércio. Esta conduta que aparentemente parece motivar o crescimento, se analisarmos atentamente, observaremos que a questão do livre comércio é ambígua e contraditória, pois está mascarada pelo imperialismo e pelo controle de poucos sobre muitos, vendendo a falsa idéia do crescimento econômico e de este ser o caminho para a erradicação da pobreza. Com isso muitos produtos dos paises subdesenvolvidos são esmagados deslealmente, como acontece no caso da agricultura.

Os agricultores dos paises mais ricos produzem excedentes estimulados pela política de comércio, e estes são comercializados no mercado a preços mais reduzidos, forçando os países subdesenvolvidos a vender seus produtos por preços irrisórios, que muitas vezes não cobre nem os gastos com a produção. Mas porque isso acontece?

Na verdade tudo é bem simples, pois toda essa inversão do livre comércio é apenas uma resultante da fragmentação do ser humano em relação a si mesmo e a natureza como um todo. Não reconhecemos e muito menos respeitamos a evolução e a vida objetivando o todo, o que acontece é que nos isolamos em partes fragmentadas conflitantes entre si que buscam unicamente o seu próprio crescimento sem se importar com a evolução do sistema de forma integrada e profunda. Esta fragmentação nos coloca de forma superficial criando situações turbulentas onde a dualidade se torna o foco, como por exemplo a visão de que para existir crescimento econômico é necessário que uns ganhem e muitos percam. Porém como estamos observando atualmente, este caminho de dualidade que aparentemente traz grandes lucros, com o tempo se torna superficial e frágil, pois não existe força e nem real crescimento em partes isoladas que só buscam seus próprios fins.

Está é a natureza invertida do ser humano, que procura fora o que primeiramente deveria procurar dentro, isso tanto de forma positiva quanto negativa e é assim que também agimos em relação ao meio ambiente e ao desenvolvimento sustentável.

Nossos governos incentivam o aumento das exportações e das produções sem co-relacionarem estes fatores a necessidade da preservação da natureza, prejudicando muitas vezes o meio ambiente através do desgaste do solo, do desmatamento, do aumento do consumo de embalagens não recicláveis, da poluição, do aquecimento global, da chuva ácida, etc. Isto ocorre frequentemente pois muitas vezes é necessário se obter o menor custo possível na produção para conseguir competir internacionalmente.

Outra grande dificuldade atual é justamente diferenciar proteção ambiental de protecionismo, pois muitos países se acobertam dessas normas para restringir o comércio e dificultar a exportação de certos tipos de produtos. Todas estas questões me trazem a clareza de que por mais que existam atitudes e projetos que realmente buscam alinhavar o crescimento econômico ao desenvolvimento sustentável, o ser humano sempre achará um meio de mascarar o caminho para atingir alguns interesses específicos, mesmo que isto significa prejudicar o todo. Mas o que fazer então?

Penso que mesmo que a realidade seja obscura e limitada, nós sempre temos que fazer a nossa parte seja como indivíduos ou como governantes, indo além, quebrando barreiras e vencendo obstáculos, sendo exemplos e incentivando as pessoas a nossa volta, ou pelo mundo, a refletirem melhor sobre suas próprias escolhas e o que isso pode ajudar no contexto mundial, pois existe sim um jeito de evoluirmos como civilização vivendo em harmonia com a natureza, com o meio ambiente que nos sustenta.

Uma atitude positiva de evolução e conscientização que merece ser destacada, é a criação dos selos verdes de certificação através da análise dos ciclos de vida dos produtos, que são cada vez mais exigidos pelos consumidores dos países importadores. Os selos verdes além de alavancar a produção e a economia mundial a reestruturarem seus meios de produção, visa também o desenvolvimento sustentável e a maior integração homem-natureza. Mas para que isto seja um fato mundialmente presente é necessário que os governantes reformulem as estratégias de incentivo ao produtor para que este também se motive a modificar sua forma de produção, sem deixar de competir internacionalmente.

Conclusão

É necessário reavaliar nossos movimentos e ações comerciais em nível internacional, descontruindo o foco fragmentado de partes isoladas e construindo o foco da integração mais justa e harmônica entre os países, para que assim haja naturalmente a sustentação do todo em questão, que é a economia aliada ao desenvolvimento sustentável, possibilitando assim um mercado mais aberto e a continuidade da vida.

Referências bibliográficas

CASTRO, Diego; CASTILHO, Selene; BURNQUIST, Heloísa. O comércio e meio ambiente– as diversas faces desse binômio. Disponível em: <http://cepea.esalq.usp.br/pdf/comercio_e_meio_amb.pdf>. Acesso em: 24 abr. 2007.

MARTÍNEZ, Osvaldo. O livre comércio: raposa livre entre galinhas livres. Cuba Socialista. Havana, maio 2005. Disponível em: <http://www.grupopraxis.org/debates/050628_livre_comercio.htm>. Acesso em: 06 dez. 2005.

ARANY,Ramy. Visão Gestadora- a visão em teia. 1 ed.São Paulo. Kvt 2008

SHANAYTÁ,Ramy. A Natureza Ensina. 1 ed. São Paulo. Kvt 2008

GUIMARÃES,Estela. Ética Natural. 1 ed. São Paulo. Kvt 2008

VARGAS, Getúlio. Material do curso gestão ambiental e desenvolvimento sustentável. São Paulo. 2008

Larissa Feitosa
Enviado por Larissa Feitosa em 20/01/2009
Reeditado em 30/03/2019
Código do texto: T1395523
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2009. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.