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Paulo Freire; educação para Transformação

Paulo Freire suscita o existir, o viver, o aprender a viver... Afinal, não “é preciso saber viver?”.
Esforçado, insistente, como um terrorista islâmico em busca de Alá, como um colecionador em busca da mais rara peça para sua coleção, como ouvidos em busca de algo melhor que a 9ª sinfonia; vindo de família pobre, como eu, como você, ou não, de repente como seu amigo ou alguém desconhecido.
Sem condições, como a maioria dos brasileiros, repreendidos o tempo todo, ora por portugueses, ditadores, corruptos, pela televisão, pelo rádio, pelas grades invisíveis que a sociedade impõe. Mas, de que sociedade é que estamos falando? A mesma que um dia assistiu a morte de Sócrates, que condenou Cristo, que assistia a queimada de “bruxas” na Inquisição exultante e acompanhara a evolução tão veloz, tão efêmera, no momento, tornara-se a sociedade que assiste ataques terroristas, redes de corrupção e conflitos étnicos.
O homem chegou à Lua, à Marte e foi para muitos lugares da Terra, descobrindo coisas, destruindo outras, persistindo em sua destruição, sem ao menos saber o porquê. No entanto, se o homem destrói a natureza, lhe resta a cultura, aquela que reflete como resultado de seu trabalho, de suas criaturas, do que é feito em favor das transformações. Aquilo que fica após o criador e que outros transformarão futuramente sem que se encerre o ciclo.
Já diziam os versos da Bíblia segundo João: “Eu os escrevi jovens, porque sois fortes”.
Fortes em arrogância, em medo ou em solidão? Fortes como Brutus ou como César? Como o Sol que bate nos “arranha-céus” e reflete nas sarjetas ou como a Lua que pondera o sono e serve de abajur a tantos outros?
Ainda mais forte é a desigualdade social, barreira ainda que intangível.
Na pedagogia dos oprimidos, da liberdade. Para que os jovens saiam das sarjetas das ruas e mostrem suas forças perante os dominantes.
Expressem o que se sentem, ensinem o que se sabem, sem política, apenas com reflexos de quem lê e relê o mundo.
Filosofia como um dos métodos de ensino.
Tão incompreendidos como foram tantos filósofos é a nossa vida, cheia de indagações, de ideais à concluir-se. Como Aristóteles não questionaria a divisão de classes? Como Paulo Freire não questionaria a globalização capitalista? A mesma que, segundo ele, tem ideologia fatalista, tira a esperança, o sonho, a utopia. Mas, sem isso, o que nos resta?
Se não entendermos que a solução está na educação, nada nos resta.
O que diríamos ainda da sociedade hipócrita desde os tempos da Grécia Antiga? De Atenas a Meteora diziam que o amor venceria a guerra, mas convenhamos é possível que seja ele quem a produz.
Para Freire, o amor proporcionara guerra também, o amor pelo ensino, por querer ensinar, causou revolta e espanto, uma intifada contra os donos do País, os coronéis dos Anos de Chumbo.
De qualquer mestre trazemos lembranças, do verdadeiro guardamos virtudes. Esse como nenhum outro, mostrou e ainda mostra que os pobres têm riquezas, que apenas eles podem construir uma sociedade aberta, que  podem oferecer as bases para uma política de reformas, quanto as elites... Não, não podem, exclusivamente ela é improvável. Essas são incapazes, já se acostumaram com o que vive, com o “estar por cima a qualquer custo”, diga-se dinheiro e poder, claro.
Viva, seja preso, fuja, diga “saudades sim, desespero não”, são virtudes do mestre.
Aprenda a ser com quem sentiu “paixão, saudade, tristeza, esperança, desejo, sonhos rasgados, mas não desfeitos, ofensas, saberes acumulados, nas tramas inúmeras vividas, disponibilidades à vida, temores, receios, dúvidas, vontade de viver e de amar. Esperança, sobretudo”.
Aprenda a viver com quem viveu mais que a vida, mais que o tempo. Que sucumbiu à vida aos 75 anos, mas a viveu intensamente, em Recife, em São Paulo, no Chile ou em qualquer outro lugar. O sonho de mudar a educação continua vivo...
Aprenda que a existência não termina em palavras, mas representa-se nos atos, nas atitudes, nos medos e nos desejos.
Melhore a vida por meio do ensino, diga palavras contra os dominantes sendo apenas um oprimido. Defenda o que é seu por direito, o direito de “existir”.
Lute como um Rei em vez de viver como “Zé Ninguém” e sobreponha que o intelecto existe e está trancafiado, preso na novela que se inicia pela madrugada nos ônibus lotados e termina na noite, logo após o telejornal.
Corra atrás da liberdade, do ler, do entender, do saber.
Supere a dicotomia entre a teoria e a prática, saiba que interferir na realidade é ser o sujeito da história, o divisor de águas, que a alfabetização é um dos caminhos mais curtos para a conscientização e tantas outras coisas...
Que os analfabetos não sejam números do Brasil, tampouco de lugar nenhum do mundo. Que o ensino sem qualidade, alunos alienados e professores desmotivados não sejam símbolos da “Ordem e do Progresso”. Que o aborto à educação, gerado no País em 1500 e não assumido até então seja execrado por você, por mim, pelo mendigo, pelo doente, pelo menino de rua. Alguns dizem: “pobre é o diabo”; e que continue a ser ele, que a riqueza do saber seja fruto não só de Paulo Freire, que o orgulho de ser brasileiro não seja apenas espelhar-se em Ayrton Senna, Vladimir Herzog, Zumbi, Tiradentes, ou Pelé, enfim, entre tantos heróis tupiniquins. Que saibamos cantar o Hino Nacional com gratidão à Pátria que nos pariu, que maior que nós sejamos nós mesmos e que ao vermos menores possamos torná-los grandes.
Que os futuros heróis sejam reconhecidos pelo saber, não midiáticos, bonecos de manipulação. Que o país do futebol seja também da educação. Que artistas da T.V não passem de artistas e que astros estejam apenas no céu, as estrelas, o sol, a lua.
Que a luta de Paulo Freire não tenha sido em vão, embora saibamos que não foi em vão, que a letargia do ensino seja despertada.
Que a educação seja uma das alavancas de um país novo, a principal delas, sem demagogia ou promessas políticas.Que mudemos a realidade e não nos adaptemos ao que vemos todos os dias.
Que a âncora que fora aportada logo após o “terra à vista” e que perdura por 505 anos, com peso de corrupção, exploração, seqüestro do passado e incerteza do futuro seja alçada por todos nós.
Paulo Freire iniciou a remoção, e deixou em mim e em você o propósito de findá-la.
Que saibamos construir e libertar o homem do determinismo, afinal esse é o sinônimo de educar.


         
Sócrates Simões Ramos
Enviado por Sócrates Simões Ramos em 15/11/2006
Código do texto: T292173
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Sobre o autor
Sócrates Simões Ramos
São Paulo - São Paulo - Brasil, 31 anos
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