Um touro solto na Riachuelo em Porto Alegre

Para muitos poderá parecer loucura ou qualquer outra coisa , mas o pedido de meu filho de quatorze anos com uma maturidade de vinte , auto suficiente era algo comum:

___Pai, vai lá, conta uma história.

___Bom, eu não vou contar uma história, mas algo que realmente aconteceu comigo na década de oitenta na Rua Riachuelo em Porto Alegre.

O 0lhar de meu filho tinha o mesmo brilho de quando ele tinha cinco anos quando eu lhe contava histórias, o incrível é que certos eventos que mudaram a nossa vida de forma radical , e de forma particular as suas conquistas para o ensino médio e a conquista da faixa preta em artes marciais não mudaram nada em relação a isso .

___Então ?

Bom, eu já estava morando em Porto Alegre já fazia algum tempo , o suficiente para não olhar mais para cima e ficar perguntando como eles conseguiram erguer casas tão altas , (como eu havia vindo do interior ainda pequeno não conhecia a cidade grande e nem sabia que existiam casas maiores em altura do que a minha ) E com esse conhecimento e como eu vivia nas ruas , já conhecia muitos lugares o que me facilitou arrumar um emprego de office -boy , entregava pequenos e médios pacotes para o seu Antônio que trabalhava para os Correios e fui naquela manhã de uma quarta feira para a Riachuelo com as duas últimas entregas e quando eu entrei na rua já havia sentido um clima diferente mas não liguei , estava feliz por que ia mais cedo para a casa e entrei sem olhar para os lados , mas ouvia umas “conversinhas” que nem liguei , entrei no elevador que me levou ao octogésimo oitavo andar e fiz a minha entrega ficando só com um pacotinho quadrado na mão e desci , e quando passo pela portaria estranho que algumas pessoas estavam abaixadas e outras atrás do balcão da portaria junto com o porteiro que suava frio e todos quase em couro dizendo “ não saia , não saia” mas eu já estava a algum tempo em Porto Alegre para saber que por mais que algumas coisas pareçam estranhas são comuns aos que moram em cidades grande e sai , quando eu olho para os lados vejo a rua quase sem ninguém andando , todas as pessoas estavam ou abaixadas ou tentando se proteger e os gritos eram cada vez maiores , somente um menino na minha frente do outro lado da rua estava agachadinho jogando “bolitas” e quando olho para o lado esquerdo vejo um touro correndo de forma alucinada em minha direção , mas não era qualquer touro , ele tinha uns dois metro de largura por dois e dez de comprimento , pesava mais ou menos 680 quilos , com uns quarenta centímetros de chifres e com o couro mais preto do que uma noite sem estrelas e por incrível que pareça ele desviava dos obstáculos da rua Riachuelo de forma como se já conhecesse a rua a muito tempo , e rapidamente tentei voltar para dentro do edifício , mas eles haviam fechado a porta e quando o touro estava a um terço de dez metros de mim olhei para a minha mão e rapidamente rasguei o pacotinho para ver o que tinha nele imaginando que talvez tivesse algo que pudesse me ajudar , mas era uma caixa de grampos para grampeadores , e olhei novamente para o touro que já estava a um quinto de dez metros de mim e rapidamente fechei o pacotinho e fui falar com o menino e disse a ele que daria esse pacotinho de bombons se ele me desse sua “bolitas” ele nem pensou duas vezes e me deu as dez que rapidamente atirei no chão em direção ao touro que já es tava a meio metro de distância e o touro correndo acabou pisando em cima das bolitinhas e começou a perder o equilíbrio e a escorregar e como se eu fosse um daqueles toureiros profissionais , um daqueles que usam roupas e um pano vermelho desviei do touro escorregando e mais do que de pressa olho para a frente tinha um destes caminhões frigoríficos que entregam carne nos açougues estacionado com as portas de trás aberta e o seu Alfredo com duas facas de açougueiro nas mãos que por prática do oficio a mais de vinte anos rapidamente na passada do touro lhe tira um das cochas do traseiro enquanto o touro cai morto dentro do caminhão e o seu Alfredo desossa uma parte do touro ali mesmo e eu bato na camisa tirando o pó e devolvo as bolitas do guri e pego o pacotinho de grampos e sigo em frente para fazer a minha última entrega .

Suacrem
Enviado por Suacrem em 17/12/2014
Código do texto: T5073115
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