SOBRE O LIVRO "JEITO NOVO DE CAMINHAR"

Sempre que ganho um livro fico muito contente, por isso, mais uma vez, agradeço por ser presenteada com esse. Não me lembro de algum dia ter ganhado um livro sem ao menos ter lido uma parte dele. Gosto de ler com prazer. Com prazer a leitura vai me conduzindo ao desejo de querer continuar.

Quando ganho um livro de alguém, minha mente eufórica logo me induz a imaginar o que levou essa pessoa a me dar aquele livro. No decorrer da leitura, a inquietude da minha imaginação começa a se fortalecer. Só que dessa vez a “inquietude da minha imaginação” me trouxe outro questionamento: “por que é que ele não me ‘deu’ logo esse livro?”.

Perdoe minha gula, excitação e cobiça literária, mas estou sendo sincera!

Deve ser por esses “pecados” que eu devorei de cabo a rabo o livro “Jeito novo de caminhar”. No início e no final da leitura eu me questionei: “Por que ele não colocou o nome do livro de ‘Mergulho interior’?”. Será que já tem um livro com esse título? Eu gostei muito.

Então, o livro “Jeito novo de caminhar” é um arcabouço de informação/formação e sentimentos reais profundos. Mas como assim sentimentos reais, Flavia? É real porque reflete a realidade de pessoas reais. Discute pensamentos e, além disso, nos apresenta livros e autores. É muito gostoso quando um livro indica outros livros e autores outros autores. Dá vontade de ler mais livros. Isso se transforma numa reação literária em cadeia.

Cada capítulo do livro traz a sua mensagem que transforma o livro numa mensagem única, singular. É um mergulho interior. Fiz anotações de cada capítulo, mas pondero aqui não me atentar a cada um especificamente. Citar Walt Whitman, Daisaku Ikeda, Makiguti, Sakyamuni, Rubem Alves, Charles Chaplin, Peter Senge, Machado de Assis, Samuel Ullman, Peter Drucher, Hermann Hesse, Fernando Pessoa, entre outros, é um convite a mergulhar ainda mais nos conhecimentos e saberes da vida. A olhar para dentro de nós.

O mais interessante nisso tudo é que o autor dialoga com outros autores e convida o leitor a dialogar com eles também.

Algumas pessoas já abandonaram leituras por se depararem com textos muito rebuscados. Às vezes o excesso de prosopopeia também confunde bastante. Mas considero importante que a essência da mensagem esteja nas entrelinhas do que nas linhas. Isso faz a gente pensar, refletir, questionar, reler, enfim, até que uma lâmpada acenda e a gente consiga entender o que as palavras querem nos dizer.

Quando um autor nos ajuda a pensar o que o texto de outro autor tem como mensagem, também é magico. Nessa hora dá aquele estalo que outrora não conseguíamos ter. Como conhecimento gera conhecimento, a nossa mente se expande cada vez mais.

Logo no primeiro capítulo deparei-me com um texto que conheci quando ainda criança: “O velho, o menino e o burro”. Se não me falha a memória, ainda tenho o caderno que fiz cópia desse texto. Está com a minha caligrafia de 8 anos de idade. Nossa! Quanta sabedoria há nesse texto! Recentemente falei dessa fábula para uma amiga do tempo de graduação. Ela disse que não conhecia.

O mais interessante mesmo no livro é a relação que há entre as citações/reflexões. Em nenhum momento percebi uma “lição de moral”, como já percebi em livros consagrados. Também não identifiquei nada generalizado do tipo o “mestre dos mestres”, ou, “o maior fazedor de sonhos de todos os tempos”. Não estou querendo fazer comparações, pois cada escritor tem suas considerações acerca do que propõe, mas considerei pertinente fazer esse comentário.

Quando cheguei ao capítulo 4, “Significado da vida”, pensei: “Ele vai dizer qual o significado da vida?”. Mas o capítulo me fez refletir “qual o significado da minha vida”. Fiquei fascinada com a sincronia dos vagalumes. Eu não conhecia. Vivendo e aprendendo, lendo e conhecendo. Muito inteligente fazer uma conexão entre a vida diária com a sincronia dos vagalumes, com as leis de trânsitos, com o ciclo natural da menstruação, com as tendências de moda visual e com a ação contagiante de uma euforia durante um show ou espetáculo.

Eu poderia ficar aqui escrevendo sobre cada capítulo ou sobre o que mais me marcou, mas como disse anteriormente, não me especificarei em cada um, pois considerarei a obra no geral. E a obra no geral é suavemente formidável, não gritante, mas calma, tranquila, sem exageros, sem apelação.

Tem muita gente aguardando esse livro e eu já tenho para quem indicar.

A “Última Pitada” me faz questionar: “Por que é que toda última pitada que conheço tem um gostinho especial de quero mais?”. Mais uma vez, não foi diferente. Eu mergulhei na leitura e bebi dela.

Flavia Araujo Taigata
Enviado por Flavia Araujo Taigata em 23/05/2015
Reeditado em 23/05/2015
Código do texto: T5252181
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