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Perdoe-me, não sou o mesmo.

Duas amigas inseparáveis, loucas internadas numa clínica, entre elas existia um grande afeto, carinho, respeito, mas ambas passavam por um momento difícil de suas vidas. Clara ouvia vozes, conversava sozinha, mas era uma grande artista, ficava horas e horas desenhando e pintando. As imagens eram abstratas, não dava para entender o que significava, mas para Clara eram significativas, pois ela encerrava um desenho e colocava na parede e ficava admirando, rindo, conversando sozinha. Lívia era diferente, estava perturbada, não aceitou o término do namoro e começou a ficar deprimida, desequilibrada, fez vários estragos antes de ser internada e além de tudo tinha inveja do empenho de Clara em desenhar.  Mesmo que as pessoas não compreendiam o que significava, os desenhos eram sempre elogiados, isso gerava muito ódio e revolta.
- Quanta perda de tempo fazer essas porcarias e poluir a parede, com figuras que nem você sabe o que significa. - Diz Lívia.
- As vozes me dizem que são lindos os desenhos, eu sei que está faltando desenho, porque você queimou, eu vejo as chamas. - Indaga Clara.
Lívia com sangue nos olhos arranca todos da parede e começa a amassar, rasgar, pisar. Clara chora, se desespera, grita, conversa com as vozes e pega o seu estilete e aponta para Lívia.
- Você é louca, mas jamais mataria sua amiga, Clarinha estamos na pior, mas somos amigas, estamos juntas.
-Lívia você não gosta dos meus desenhos, eles são minha maior alegria, agora não tenho mais eles, e também não quero mais ver você. - Chora e grita Clara.
Antes que Clara tomasse qualquer iniciativa, Lívia que estava perturbada e passava por momentos tensos de depressão, de certa loucura, pega um alicate no qual escondia e parte para cima de Clara e lhe aplica vários golpes na cabeça. Clara se debate tenta reagir, mas sem sucesso, a respiração para, os braços não respondem mais e o sangue escorre nos desenhos espalhados e na sua roupa branca. Lívia se desespera, olha para as mãos ensanguentadas e chora. Lívia olha os desenhos cheios de sangue, e observa o estilete de Clara, sem nem muito pensar pega o estilete corta os próprios pulsos e deita do lado de Clara. Sangue, sangue e mais sangue começa a escorrer naquele ambiente, as roupas brancas, já mudaram totalmente de cor, os desenhos estavam cobertos pelo sangue, Lívia estava morta ao lado de Clara. Elas que foram amigas, internadas juntas por passarem por momentos de loucuras, agora estavam mortas juntas, no mesmo ambiente.
Bia Mortari
Enviado por Bia Mortari em 08/11/2017
Código do texto: T6166259
Classificação de conteúdo: seguro
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Sobre a autora
Bia Mortari
Orlândia - São Paulo - Brasil, 26 anos
38 textos (714 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 19/11/17 14:18)
Bia Mortari