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Minha profissão: minha arte, meu dom

   Ora, por favor! Me desculpe, mas a minha é muito mais gratificante! Ninguém, além de nós, tem a arte junto com o dom. Porque não basta apenas querer, não basta apenas achar que é legal, não basta criar essa arte... É preciso amar isso muito além do que se imagina ao começar na profissão...

   Confesso que, no início dessa minha carreira que escolhi, tenho apanhado muito de verdades que foram quebradas, de conhecimentos que custaram a ser aprendidos, e é claro que isso não é nem metade! Mas não tem nada de tão prazeroso.

   Há muitas profissões que proporcionam muitas coisas que a minha também proporciona. Mas tais profissões dão essas ‘coisas’ distintas, separadas, enquanto a minha não. É um conjunto, uma união de todas as outras. E nessa união existe muita coisa ruim também, assim como em qualquer outra.

   Um advogado defende aquilo que ele ouve, e talvez o que ele vê. Um empresário corre atrás de suas metas e objetivos, e não importa o quanto isso custe. Um bombeiro resgata e tem aquilo que temos em um hospital: gratidão! Mas assim que ele resgata, o serviço que ele presta àquela pessoa acabou.

   Um enfermeiro faz tudo isso junto e além disso. Ele ouve, vê, sente, corre atrás de metas, que é manter o paciente vivo a qualquer custo. Ele resgata, acolhe, cuida, conforta de verdade. Alivia uma dor física, e realiza procedimentos técnicos, mas também busca no interior de cada pessoa o que ela sente e tenta curar a dor psíquica. E não tem nada de mais emocionante do que um sorriso de alívio, de um ‘obrigado’ muitas vezes não dito.

   Emergência ou não, sala de cirurgia ou não, leito ou não, temos que ter o raciocínio clínico, rápido e eficaz. Ter contato o suficiente pra não invadir o espaço do outro, mas suficiente para verificar uma série de coisas... Normocárdico? Taquipneico? Arrítmico? Bioética sempre em mente também. Capacidade para decisões imediatas, antes que a sorte decida por você, ou não. Florence Nightingale, com toda razão, disse que queremos contribuir para a melhora, para a cura e para a esperança de vida, que nunca deve ter fim.

   O enfermeiro vê, convive e participa do nascimento à morte, diferente de um médico, que apenas trata a patologia e não a pessoa que está doente. E essas especializações se tornam cada vez mais chatas. Tem que entender que um ser humano adoece, e não apenas o estômago dele. Pelo menos nunca ouvi alguém dizer ‘poxa... meu intestino tem câncer. Será que ele agüenta?’. Precisamos crescer nesse sentido. E isso é ser humano!

   Não nego. Dá medo. Muito medo. De passar uma sonda errada, de perder uma veia ou não conseguir pegar uma artéria logo de primeira. De perder alguém que em pouco tempo tinha se tornado tão especial, o que é inevitável, pois vivemos com a morte. Mas o medo de errar é o primeiro passo pro acerto. E é o primeiro, entre milhares, nos corredores longos e brancos.

   Enfermagem não é apenas uma arte. É uma dádiva acolhida pelo amor.
Janainaa Simplicio
Enviado por Janainaa Simplicio em 01/09/2007
Código do texto: T633717

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Sobre a autora
Janainaa Simplicio
Ribeirão Pires - São Paulo - Brasil, 29 anos
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Janainaa Simplicio