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Beleza Divina

Ao olhar pela janela do pequeno escritório improvisado da casa, pude ver a favela do morro da bica, a neblina, o telhado vizinho da direita e o da esquerda. Algumas grades aqui e ali, lá em baixo, algumas plantas.

O cãozinho fazia falta, e também um canteiro de flor. O dia que antes estivera ensolarado se tornara cinza e chuvisquento. Não digo que fosse triste.

Não vejo tristeza no cinza ou no negro desde que aprendi esse jogo. O jogo de ver Deus onde se vê a diferença, onde se vê o desprezo, onde se vê o intranqüilo. Meu desafio é procurar a beleza onde me mostraram o que era feio aos olhos humanos. Mas para tal, é preciso de olhos divinos e eu não os possuo na minha condição de mortal.

Pai, faz de mim invencível para que eu veja o belo aquilo pelo que eu possa lutar justamente. E faz de mim pequena para que o poder não me suba à cabeça e que eu jamais tente ser maior que ti.

Procurei por Deus em tudo aquilo que vi e sim, encontrei. Nos enfermos, vi Deus na esperança da cura. Na chuva, nas plantas crescentes, estava a alma do Pai. No sol escaldante brilhava também meu Deus. O verdadeiro brilho e sentido da vida. Nos enleios, nos casais, Deus se manifestou no amor, na compreensão, na afetuosidade trocada entre um homem e uma mulher. Existe pureza maior que vá alem do amor? Não, pois se Deus é amor, amor é vida. E a vida é a única coisa que se tem neste mundo.

Meus livres pensamentos me conduzem a vontade de ver o belo constantemente embora eu perceba que nem sempre é fácil num lugar onde há tanta miséria nos corações. Nos falta aquilo que já temos e não enxergamos. Se lhe falta amor, por que não amas alguém? Se lhe falta compreensão, escute os reclames de uma alma sofredora. Mas se lhe falta Deus, olhe para si. Tu és uma criatura perfeita e divida, dotada de inteligência e capacidades únicas formadoras da sua personalidade. Vês? Basta olhar para si e perceber que não és ateu. Do contrário, quem teria criado este aparelho tão perfeito que és tu?

Agradeço ao Pai a cada dia pelas notas musicais que entram em meus ouvidos, pelos raios de luz que banham minha pele, pela água que nutre meu corpo, e sigo meu caminho, ainda insistentemente procurando ver a divindade no ateísmo e a beleza naquilo que possa parecer (pois não o é de fato) feio aos olhos. Aos limitados olhos humanos.
Carol Bohone
Enviado por Carol Bohone em 09/09/2007
Código do texto: T645272
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Sobre a autora
Carol Bohone
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil, 24 anos
18 textos (2111 leituras)
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Carol Bohone