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Família. Meu Deus, como é difícil lidar com esse assunto. Ainda mais depois de uma idade que a gente começa a ver que as pessoas mudam, a gente cresce, papai não é super-herói nem a mamãe mulher-maravilha. Ah, irmão nem tem o que dizer, eles sempre nos tormentam.

Não seria isso um pouco de egoísmo nosso? Esse sentimento de estar crescendo, mudando a cada dia incessantemente, não nos faz esquecer as coisas pequenas? Coisas como o beijo da mãe antes de ir para escola, a lição de matemática que o papai ajudou e a mentirinha que o irmão mais velho inventou pra te livrar de uma bronca.

Sim, nós acabamos dando prioridade a tantas coisas que talvez nem precisassem de tanto apego. Por que será que as coisas perdem a graça? A comida da avó não satisfaz e a gente quer ir pro fast food. Os primos que não combinam mais com a gente, paramos de visitar. A tia solteirona que aperta nossas bochechas é sempre irritante. Conselho de mãe não tem serventia (porque conselho se fosse bom, não se dava vendia).

Quanto egoísmo guardado no peito. Tem que ser o que a gente quer na hora em que a gente quer senão, nada feito. Emburra a cara depois passa. Capricho pré-adolescente. Justo numa fase tão complicada, por que querem que sejamos adultos para sermos responsáveis e crianças para sairmos a sós?

E isso tudo, esse sentimento, nos deixa revoltados. Ninguém entende o que passa na nossa cabeça, ninguém, ninguém... E a gente sofre, chora, e ai, como dói a adolescência.

Mas, a gente se lembrou da comidinha gostosa da vovó? Ela não vai estar lá para sempre. E a tia solteirona? Resolveu viajar pelo mundo e nem lembra mais que a gente existe nem que ela apertava nossas bochechas. Os irmãos mais velhos casam e saem de casa. E é assim, somente assim, que damos valor às tão pequenas coisas. Porque as perdemos no tempo. Tempo que voa sem pousar e leva tudo aquilo que vier numa questão de segundos.

Depois da perda, não se faz útil o lamento. Aproveite o hoje, pois o amanhã é incerto e a Deus pertence. Dizer “eu te amo” nem sempre é tão difícil, e beijar nossas mães não requer muito esforço. Do mesmo jeito, que é preciso coragem para contar o que se sente dentro do peito. Contar que a gente precisa de colo e atenção, que precisa ser criança de vez em quando, apesar de ter crescido e estar se tornando mais maduro. Isso pode fazer bem. As mães nunca negam colo nem abrigo.

Por isso, é preciso amar, antes de ser amado. Compreender para ser compreendido.  Afinal, qual o grande mal do mundo se não o nosso egoísmo? Se não a falta de olhar para aquilo que realmente importa? Se não a falta de carinho uns com os outros num mundo onde todos são irmãos?

Carol Bohone
Enviado por Carol Bohone em 09/09/2007
Código do texto: T645315
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Sobre a autora
Carol Bohone
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil, 24 anos
18 textos (2111 leituras)
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Carol Bohone