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Num passo de dança

A bailarina continuava a rodar em seus passos de jazz. Movimentos calculistas, enérgicos. Não havia tempo para preguiça nem ócio. A dança era como um sopro de vida e liberdade. A alma da bailarina podia voar quando as sapatilhas esgarçadas impulsionavam o salto. O salto quântico que poderia marcar uma vitória se caísse de pé e uma pequena derrota caso caísse no chão como fruta madura. Veja, fruta madura, não pútrida.

A vida, como a dança, está cheia dos rodopios e, dependendo do embalo, dançamos o quickstep ou o balé clássico. A valsa ou o zouk. Cabe a nós decidir levar a vida como um doce bolero de refrão melódico, como um tango cheio de passos difíceis que exigem de nós total perfeição para que haja beleza, rasgada e malemolente como um samba de roda ou uma bossa nova, como uma ciranda, cheia de gente, cheia de mãos, cheia de força e sentimento.

A moça que dançava no palco aquele dia estava concentrada. Ouvia o som do piano e do trombone combinando com o contra-baixo e os teclados eletrônicos. Havia também um toque clássico dos violinos e violoncelos. Ela não dançava aquele jazz sozinha. Fazia parte de um grupo de muitas pessoas, todas dançando em sincronia. Ela nunca fora das melhores alunas, nem das mais populares, nem das mais queridas. Mas ela sabia que deveria dar o melhor de si.

Nossa menina tinha a consciência de que, se errasse, prejudicaria todos os outros, que se falhasse seria cobrada por isso. E, mesmo ela estando bem no fundo do palco, quase invisível naquela multidão de gente, a menina queria fazer o seu melhor. Queria fazer o melhor para todos e também por ela. Era uma questão de honra se sair bem naquela apresentação.

E, como na vida, a apresentação é composta por pessoas diversas, cada um dando sua contribuição por um bem comum: viver. No palco, há vários passos a serem executados e todos estão interligados por uma teia chamada harmonia. A sincronização do tempo da música entre a dança e as pessoas é de vital importância na frente da platéia, bem como é importante para nossas vidas trabalhar em conjunto, em união com a humanidade e não apenas conosco.

A pequena concluiu seu trabalho depois de muito esforço, sangue e suor. Sem contar com o pouco reconhecimento que ela recebia. Mas estava feliz consigo, pois não caíra, não estragara tudo e dera o melhor que poderia ter dado. Desceu do palco contente para o camarim onde foi recebida com flores não se sabe de quem. Talvez um anjo tivesse visto seu empenho. Talvez algum parente, a mãe ou o pai a tivesse mandado o buquê. Quem sabe sua professora. Ou um amor platônico, por que não? Aliás, o que importava? A bailarina estava feliz. Feliz por nunca ter abandonado seus objetivos e feliz pelo grupo todo, pelo conjunto. Feliz de fato. Feliz com todas as letras. Feliz como só quem é pode entender.

E sua vida tomou o rumo dos mesmos passos perfeitos e calculados, para buscar sempre o bem comum e a felicidade geral, inclusive a dela. Embora, no fundo ela sempre saiba, às vezes, é bom que se dance sozinho, sem compromisso, sem regras, só para deixar respirar a alm
Carol Bohone
Enviado por Carol Bohone em 12/09/2007
Código do texto: T649900
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Sobre a autora
Carol Bohone
São Bernardo do Campo - São Paulo - Brasil, 24 anos
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Carol Bohone