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De praia

 A canção que chegava a mim era de uma natureza tão viva, tão lúcida que eu mal podia me mover com medo de que tudo desaparecesse. A areia fazia cócegas nas costas, o cheiro salgado e quente era familiar, sentia-me um pouco suja... mas era essa sensação que eu procurava há dias. Era dessa sensação que eu precisava.
De olhos fechados e com um sorriso estampado, os meus pensamentos voavam sem limitações, alcançando tudo e todos ao mesmo tempo. Se bem que o tempo nem existia... E se existia, eu mal o notava.
A canção me levava no colo, meu coração cantava junto e de repente percebi que tudo era demasiadamente clichê. Eu (tão clichê!), deitada na areia, pensando no inexistente e se deixando seduzir por uma música que vinha de longe... E, se quer saber, nada há de melhor que viver um clichê como esse. Deixar-se seduzir pela música mais barata, descobrir que ela sai da boca de alguém ao seu lado, que enquanto canta sorri feito bobo, que sente feito você, com intensidade e desespero, com paixão e imediatismo, com doçura e paciência, tudo ao mesmo tempo, misturado e mostrado.
É até fácil imaginar uma cena como essa, escrever sobre ela e sorrir enquanto tenta achar as roupas certas pra vestir as palavras, sabendo que viver algo tão clichê faz um bem danado à alma. Estar lá, fazer parte do momento, respirar o ar que você tanto procura descrever, sentir o frio, e não ter medo, beijar alguém sem ter receio... Isso sim é remédio.
Oak
Enviado por Oak em 20/09/2007
Reeditado em 20/09/2010
Código do texto: T660945
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Sobre a autora
Oak
Vitória - Espírito Santo - Brasil, 23 anos
5 textos (379 leituras)
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Oak