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O meu cantinho

Abro a porta para entar no único lugar da casa onde ralmente me sinto protegida. Onde me sinto acolhida, acarinhada. Abro a porta do meu quarto, a porta do meu cantinho.

Ao entrar deixo de ser a mulher forte que tento ser todos os dias. Lá, posso ser a crinaça que já “ganhava o dia” ao comer um simples gelado. Aqueles peluches em cima da cama não enganam ninguém. Deito-me e sinto criança. Uma criança feliz, protegida, acarinhada. Sinto o cheiro deles, e lembro-me de cada pessoa que mos ofereceu. E aí lembro-me das histórias. E, mais uma vez, sinto saudades da crianaça que em tempos fui. A colcha e os cortinados coloridos, o cachecol do meu clube, o baú dos segredos, os meus peluches, o sofá ; tudo isso faz parte de mim; tudo isso conta um bocadinho de mim.

Olho pela janela e vejo a minha primeira escola. A “escolinha”, como eu tanto gostava de a chamar.  Lembro-me, então, da casinha dos leitinhos, da casa na árvore, das minhas primeiras amizades.
Uma lágrima cai. Saudades. Saudade de ser a miúda que não tinha responsabilidades. Saudades de poder correr sem me preocupar se caia, sem me preocupar se me machucava. Saudades das tardes quentes de Verão em que ia até ao jardim colher flores para oferecer á minha mãe. Saudades do tempo em que ainda me liam histórias de boa noite.

Por vezes, quando a saudade teima em reinar no meu coração, faço um esforço para ouvir passos a subir as escadas. Eram o sinal que o meu pai vinha-me dar um beijo de boa noite, e porventura, até me podia ler uma história. Mas não, não os ouço. E quando os ouço, é pura imaginação.

Saudades de acordar e correr até á sala para ver desenhos animados. Saudades de rebolar pelo chão. Antes diziam : “ é crianla, deixa viver a vida”; agora dizem “ Está maluca. Com esta idade a rebolar no chão?”

É engraçado perceber que ainda existe aquele meu “lado” de criança. Sinceramente, e talvez para desespero de muitas pessoas, espero que este meu “lado” nunca me abandone. Pois, apenas aqueles que têm alma de criança, vivem a vida como ela realmente deve ser vivida.



                                                                          25.05.07


Q Rebeca
Enviado por Q Rebeca em 22/09/2007
Código do texto: T663833
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Sobre a autora
Q Rebeca
Portugal, 26 anos
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