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Eu e meus manos


Enquanto nossos pais trabalhavam, nós – os sete irmãos –chegávamos da Escola na hora do almoço, famintos para brincar com a turma do prédio. Todos eram proibidos de ir à praia sem a presença de um adulto. Mesmo assim, dávamos aquele jeitinho de brincar de polícia e ladrão (nosso jogo favorito), e quem ficasse no time dos ladrões simplesmente corria as  sete quadras, diretinho para o parquinho que ficava de frente para o mar.

Lá na praia, ninguém mais sabia quem era policia ou ladrão, pois, além de nos divertirmos nos balanços, gangorras e nas barras, sempre sobrava um tempinho para entrarmos na água pouco nos importando que iríamos ficar “salgadinhos”. Naquela época, ainda não havia os chuveirinhos e tratávamos de limpar somente o excesso de areia. Antes de anoitecer, alguém da turma dizia: “Hora de voltarmos pra casa!” pois não existiam os relógios para  controlarmos o tempo de farra, risadas, jogar água uns nos outros.

Quando chegávamos em casa, muitas vezes, nossos pais já tinham voltado do trabalho ou estavam nos esperando na entrada do prédio com a cinta na mão. Era um corre-corre tremendo e quem conseguisse escapar de uma cintada, entrava em casa e se trancava em um dos cômodos do apartamento que muitas vezes não eram suficientes para todos. Quem conseguisse um cômodo, ficava quietinho ouvindo os outros apanharem. Depois de algum tempo cada um saia de seu esconderijo, isto quando não dormia por lá.

Esta é a vantagem de se morar bem perto da praia, mas a desvantagem é que minha mãe passava o dedo em nossos braços e sentia a maresia. Por que será que os adultos tinham que trabalhar bem na hora que nós, crianças, estávamos prontas para brincar?
Cybelle
Enviado por Cybelle em 27/11/2007
Código do texto: T754934

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Sobre a autora
Cybelle
Santos - São Paulo - Brasil
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