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Texto

"Continuidade dos Parques" - Júlio Cortazar

O que nos é exposto por Júlio Cortazar é uma obra concreta, que à medida que a leitura é feita, vai tomando vida aos olhos de cada um.

O texto não se restringe ao relato de uma experiência estética do eu poético. E como diz Michael Foulcolt, o autor dá ao leitor o poder de flexionar os signos, encaixando-os de forma como melhor entendam.

Apoiando as teorias de Foulcolt, Júlio se insere no texto, porém à medida que o texto transcorre ele vai passando para o 2º plano; e com isso faz com que a leitura e conseqüente interpretação, sejam essenciais para o entendimento do texto.

Embasada na literatura de Jean Paul Sartre, também digo que em Continuidade dos Parques, Júlio Cortazar já sabia o impacto que causaria em seus leitores, como também já imaginava onde todos iriam chegar com tantas hipóteses que surgiriam.

Sartre também diz que o objeto dentro da leitura é essencial. Podemos dizer que esse objeto aqui tem como centro a traição de uma “sinhá” com o “escravo” de seu marido. Abaixo segue uma transcrição da parte que me fez chegar a essa conclusão:

“... Foi testemunha do último encontro na cabana do monte. Primeiro entrava a mulher, receosa; agora chegava o amante, a cara lanhada pela chicotada de um ramo. Admiravelmente estancava ela o sangue com seus beijos, mais ele rechaçava as carícias, não viera para repetir as cerimônias de uma paixão secreta protegida por um monte de folhas secas e furtivas. O punhal entibiava-se contra seu peito, e debaixo latejava a liberdade agarrada...”.

Quando o autor diz que o amante estava sangrando e que carregava um punhal consigo, logo, a hipótese de ter acontecido uma luta antes do encontro vem a minha cabeça. E o fato da mulher mesmo com seu amante sangrando e mais frio do que de costume estar ali dando provas de seu amor, me deu a entender que ela estava a par do que tivera acontecido, e em comum acordo (podendo até não saber que o mal já havia acontecido).

O interessante foi à forma como ela se dirigiu a casa. Como que já estivesse à espera de algo que a deixaria muito feliz. Calma, quieta, calada, como tudo a sua volta, que já haviam sido testemunhas de tal crime.

E o marido (que é expressa pela figura do autor), fecha o texto da mesma forma como iniciou, como peça principal, porém, secundária, devido a tantas e tantas interpretações que o texto nos permite.
Laine
Enviado por Laine em 18/06/2005
Código do texto: T25479

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Sobre a autora
Laine
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 32 anos
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