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COMO E POR QUE O ENSINO DE LÍNGUA PORTUGUESA NO BRASIL PASSA DE BELETRISTA A PROCEDIMENTAL

Circunstâncias históricas confluíram para determinar as mudanças no ensino de Língua Portuguesa no Brasil – o qual passou de beletrista a procedimental. A partir dos anos 60 houve uma ampliação acelerada das redes públicas de ensino para atender às demandas de formação de mão de obra mais qualificada; houve também o milagre brasileiro que acelerou, no início da década de 70, essas demandas e a industrialização e internacionalização da economia do país; a presença forte dos novos meios de comunicação de massa (em especial, a TV) na sociedade brasileira moderna foi outro fator que contribuiu para a mudança no ensino de LP.
Paralelamente a esses fatos sócio-político-econômicos, na área acadêmica emergem discussões por parte de pesquisadores e educadores afiliados a uma perspectiva sócio-histórica, são discutidas questões de interesse da Lingüística Aplicada, da Psicolinguística, de teorias cognitivas de memória e de esquemas de conhecimento (ROJO, 2003). Essas discussões somadas às circunstâncias históricas sintetizam o porquê da mudança de enfoque no ensino de LP.

Esses fatores aceleraram as mudanças na educação, no início dos anos 70, e foram responsáveis por fatos contraditórios, tais como o caráter ideologizante, profissionalizante e tecnicista da LDB de 1971, determinado pela moderna industrialização do país que passa a carecer de mão de obra formada eletrada; e, por outro lado, um maior impacto das pesquisas acadêmicas da área de Letras nos currículos e cursos de formação docente.
Com a ampliação do acessoda população à escola pública, muda o perfil não somente econômico, mas também cultural, tanto do alunado como do professorado e isso exige uma adequação da escola à nova realidade que se apresenta.
Face a mudanças tão acentuadas e coerente com o avanço midiático de uma época de explosão da industrialização e da comunicação de massa no Terceiro Mundo, a Lei 5692/71 (LDB) estabelece a língua portuguesa como "instrumento de comunicação e expressão da cultura brasileira". A partir de então, a disciplina Língua Portuguesa passa a ser ‘Comunicação e Expressão’ na 1ª metade do 1º grau no que corresponderia ao antigo primário (1ª à 4ª séries); ‘Comunicação e Expressão em Língua Portuguesa’ na 2ª metade (5ª à 8ª séries, antigo Ginásio); e ‘Língua Portuguesa’ e ‘Literatura Brasileira’ - no que passou a se denominar 2º grau.
Destarte houve uma reconfiguração dos objetivos da disciplina e dos novos perfis de alunado e de professorado, o que diminuiu o beletrismo do ensino de português. Constituiu-se um ensino mais preocupado com a realidade prática, que enfatizava sobretudo textos que circulavam na comunicação de massa e nas mídias.
Novos objetos de ensino foram então indicados: textos orais, textos midiáticos e não-verbais. A leitura e escrita passaram a aparecer como mais relevantes que o ensino de gramática.
Novas teorias de referência - Teoria da Comunicação, Teoria da Recepção, Psicologia da criatividade - começaram a circular nos documentos oficiais e em materiais didáticos. A língua passou, então, a ser valorizada como instrumento de comunicação, donde decorre que o ensino começou a privilegiar os elementos de comunicação e funções da linguagem.
Pode-se dizer que, ao longo da década de 80, as reflexões acadêmicas da área de Letras foram mais e mais interpenetrando as propostas, práticas e materiais didáticos em circulação nas escolas, em especial no que diz respeito à importância do "texto na sala de aula".

ROJO, R. H. R. Revisitando a produção de textos na escola. In: ROCHA, G.; COSTA VAL. M. G. (Orgs.). Reflexões sobre práticas escolares de produção de texto - o sujeito-autor. Belo Horizonte, MG: CEALE/Autêntica, 2003, p. 185-205.

ROJO, R. História da Disciplina de Língua Portuguesa no Brasil. Tema 2: A Virada Comunicativa ou Pragmática (dos anos 60 aos anos 90). Tópico 2: O texto na sala de aula – a leitura e a produção de textos escritos (os anos 80). Campinas, SP: UNICAMP/REDEFOR, 2012. Material digital para AVA do Curso de Especialização em Língua Portuguesa REDEFOR/UNICAMP.

Viviane Marques Miranda
Enviado por Viviane Marques Miranda em 05/12/2012
Código do texto: T4020232
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Sobre a autora
Viviane Marques Miranda
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