Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

REFERENCIAL CURRICULAR PARA EDUCAÇÃO INFANTIL.Págs.21-38.

O referencial  curricular é um documento oficial que estabelece padrões a serem seguidos na Educação Infantil.
Na seção A criança indica a concepção de criança : é uma concepção variável de acordo com as condições sociais  e culturais que a criança está inserida; essa noção é construída historicamente e muda conforme a época  e os ideais de cada sociedade. As crianças brasileiras, em grande número, estão fadadas á exploração do trabalho e a condições precárias de vida, e em número menor, recebem proteção e cuidados necessários para o seu desenvolvimento, o que nos revela uma dualidade cruel, decorrente das desigualdades sociais. Portanto, Criança é um ser humano, sujeito social e histórico, numa determinada sociedade, com uma determinada cultura, num determinado momento histórico, que influenciam seu modo de vida. Porém, mantém características peculiares e singulares, suas brincadeiras explicitam , as condições de vida e os pensamentos dela.
O processo de construção de conhecimentos se dá na interação da criança com o meio social e ambiental que vive; é  fruto de intenso trabalho de criação, significação e ressignificação, e a Educação Infantil deve levar em conta esse processo, incorporando de maneira integrada as funções de educar e cuidar.
A Educação Infantil deve primar pela qualidade das interações, considerar as diversidades culturais, sociais e ambientais para que a criança possa construir uma identidade autonôma e desenvolver todas as habilidades para uma vida social. Logo, educar é propiciar situações de cuidados, brincadeiras e aprendizagens orientadas de forma integrada  que contribuam no desenvolvimento das capacidades de apropriação e conhecimentos de potencialidades para a formação de crianças felizes e saudáveis. Cuidar significa valorizar o outro e ajudar na humanização, isso depende tanto dos cuidados relacionais e biológicos quanto da forma como são oferecidos. Essas atitudes serão influenciadas pelo contexto sociocultural e dependerão da compreensão que o adulto possui das relações com as crianças. Pra cuidar é preciso comprometimento e solidariedade com o outro, que são conseqüências da construção de um vínculo entre quem cuida e quem é cuidado, o professor precisa dar atenção a criança como pessoa singular que está construindo os seus conhecimentos, por essa razão tem necessidades e carece  de consideração.
A brincadeira ajuda as crianças a exercerem a capacidade de criar por ser uma imitação transformada no plano das emoções e das idéias de uma realidade antes vivenciada, ao brincar as crianças recriam e repensam acontecimentos que lhes deram origem, tendo consciência que estão brincando; ao adotar outros papéis na brincadeira agem frente á realidade de maneira não- literal, transferindo e substituindo suas ações cotidianas pelas características do papel assumido, utilizando-se de objetos substitutos. O principal é, a brincadeira favorece a auto-estima e contribui para interiorizar modelos de adultos realizando significações  para ajudar na compreensão do mundo e na construção de valores. O professor é quem organiza e planeja as brincadeiras porque por meio delas ele pode observar e constituir uma visão do processo de desenvolvimento das crianças em conjunto e em particular, tendo consciência do papel da brincadeira no processo de (des)(re) construção de significados, sabendo diferenciar os objetivos de uma brincadeira de regras e de uma  onde as crianças podem agir espontaneamente, se apropriando de cada observação para ajudá-las no dessevolvimento da autonomia.
Na seção Aprender em situações orientadas atribui-se ao professor o papel de mediador entre as crianças e os objetos de conhecimento, sendo um parceiro mais experiente, propiciando e garantindo um ambiente saudável e não- discriminatório. Para obter êxito nessa mediação, o professor precisa considerar, a interação com as crianças de diferentes e da mesma idade em situações  diversas; os conhecimentos prévios; a individualidade e a diversidade; o equilíbrio entre as capacidades reais da criança e o grau de dificuldade das atividades promovidas que devem estar o mais próximas possíveis das práticas sociais reais; por fim, a resolução de problemas como forma de aprendizagem.
O Referencial dispõe cada uma dessas considerações:
A interação: é a base da aprendizagem. Pois, sozinha ou acompanhada com outras crianças, adultos ou idosos , as crianças desenvolverão suas capacidades de comunicação, expressão, pensamento, ação, sentimento, relacionar e encarar o mundo e resignificá-lo.O professor pode propiciar a interação por considerar  que as diferentes formas de sentir, expressar, comunicar a realidade pelas crianças resultam em respostas diversas trocadas por elas garantindo parte significativa sua aprendizagem. A socialização das descobertas é uma boa estrátegia para proporcionar a troca.
Diversidade e individualidade: cabe ao professor respeitar as diversidades, mas sem esquecer a singularidade de cada criança, isso pressupõe uma educação baseada em condições de aprendizagem que respeitam as necessidades individuais com o objetivo de ampliar e enriquecer as capacidades da criança, valorizando as diferenças como fator de enriquecimento pessoal e cultural.
A aprendizagem significativa e conhecimentos prévios: è atribuição do professor considerar os conhecimentos prévios da criança como ponto de partida para a ação educativa. Isso pressupõe estabelecer estratégias didáticas para realizar essa tarefa, não muito fácil, principalmente com as crianças no estágio pré-operatório, é necessário observação acurada para captar os conhecimentos prévios e ajudar as crianças a recriá-los.
Resolução de problemas: Promover á criança um atividade que implica numa resolução de problemas possibilitará  produzir novos conhecimentos partindo dos já existentes e em interação com os novos desafios. Ao buscar soluções as crianças trocam idéias com outras, em reciprocidade. Cabe ao professor promover tais atividades e depois socializar os resultados obtidos, reconhecendo as diferentes soluções, sem exaltar nem humilhar ninguém.
Proximidade com as práticas sociais reais: as práticas educativas deve estar ao máximo , próximas das práticas sociais reais, devem reproduzir contextos cotidianos- escrever, contar, ler, desenhar,etc. Atividades alheias á realidade da criança contribuem muito pouco no processo de (des)(re) construção de conhecimentos.
O Referencial inclui a Educação Especial como um condição geral relativa a aprendizagens infantis a serem seguidos pelo professor em suas práticas educativas. Segundo o Referencial 10% da população brasileira é portadora de alguma necessidade especial,  menos de 3% têm acesso a algum tipo de atendimento, os outros 7% são vítimas de exclusão social por não terem interações de qualidade e ainda sofrerem discriminações devido as suas limitações. Uma ação educativa comprometida com a cidadania e a democracia social, precisa promover o convívio com a diversidade que inclui além das diversas culturas, os hábitos , os costumes, as competências e as particularidades de cada um. Essa convivência proporcionará um aprendizado as crianças normais e representa uma inserção de fato no universo social favorecendo o desenvolvimento e aprendizagem, por permitir a formação de vínculos estimuladores, o confronto com a diferença e o trabalho com a própria dificuldade. A LDB dar respaldo para a Educação Especial no capítulo V parágrafo 3; A Constituição Federal estabelece a Educação Especial como parte inseparável do direito á educação. A UNESCO, O Estatuto da Criança e do Adolescente  e o MEC se posicionam na mesma forma quanto a educação especial sendo um meio de socialização dos portadores de necessidades especiais.
Declaração de Salamanca foi influenciada pela política conclusivas. Nela contém princípios, política e prática das necessidades educativas especiais  inspirados no princípio de integração  e identidade. Uma educação de qualidade pressupõe considerar o grau de deficiência e as potencialidades de cada criança, a idade cronológica, a disponibilidade de recursos humanos e materiais existentes na comunidade, as condições socioeconômicas e culturais da região, o estágio de desenvolvimento dos serviços de educação especial já implantado nas unidades  federadas, e principalmente a participação de toda comunidade. A Escola Inclusiva tenta justamente cumprir com esses pressupostos, procura abrir espaço para que  todas as crianças possam se desenvolver sem discriminações.
Considerações finais:
A concepção de criança varia de acordo com o momento histórico, a sociedade e a cultura que a criança está inserida. Independentemente disso, toda criança é um ser humano, merece respeito e tem direito á cidadania. A educação é um dos meios de socialização e é a base de sustentação da vida do homem. Educar inclui cuidar e garantir os meios para que a criança possa desenvolver todas as suas habilidades e capacidades necessárias para uma vida satisfatória e a formação de um cidadão autonômo. A através das brincadeiras a criança pode aprender  e construir significados. O professor é o mediador do conhecimento e a interação é a base da aprendizagem, ele deve levar em conta as diversidades de cada criança, estimular a individualidade delas, tendo como ponto de partida os conhecimentos prévios, assim a aprendizagem será significativa. O professor ao promover situações- problemas estimulam os alunos á discussão e a troca de idéias, essas situações precisam estar próximas á realidade. Quanto á educação Especial , o Referencial defende a ação educativa que propicie o convívio entre os portadores de necessidades especiais e as crianças “normais”. Será que essa ação não seria tão excludente quanto a que separa os alunos? Sim! Por um aluno especial em uma sala com outros alunos especial é segregar, por um aluno em uma sala “regular” também é segregar! Mas em qual das duas salas esse aluno se sentirá mais á vontade? Certamente onde os coleguinhas são semelhantes a ele- no caso também são portadores de necessidades especiais- , onde não terá de aguentar chacotas, desprezo ou olhares penosos. Além disso, a maioria esmagadora das professores de escolas regulares não estão preparadas para atender á esses alunos da maneira que merecem e precisam. A interação será de qualidade quando atividades democráticas são oferecidas, ou seja atividades que exijam o mesmo grau de dificuldade tanto do aluno espacial quanto do não- especial, assim ambas compreenderão a existência de diferenças,  porém não é por isso que alguém é melhor ou pior que outro ou merece compaixão por ser portador de necessidade especial.

Bibliografia
Anais do XVIII Encontro do PROEPE. Educação e cidadania.
Catia Assis
Enviado por Catia Assis em 24/08/2007
Código do texto: T621369
Classificação de conteúdo: seguro

Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons. Você pode copiar, distribuir, exibir, executar, desde que seja dado crédito ao autor original (PINHEIRO,Catia Torres). Você não pode fazer uso comercial desta obra. Você não pode criar obras derivadas.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre a autora
Catia Assis
Salvador - Bahia - Brasil, 34 anos
11 textos (622563 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 20/10/17 21:53)
Catia Assis