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CIÊNCIA POLÍTICA , Verbete do Dicionário de POLÍTICA de Norberto Bobbio

No significado clássico e moderno a palavra tem sua origem na palavra grega pólis, mais especificamente na palavra politikós, e que em strictu sensu refere-se ao urbano, o que é civil e social, o que é público, ou seja, relaciona-se com a Cidade e a tudo o que lhe diz respeito. A obra de Aristóteles, Política, é a responsável pela difusão do termo. A Política de Aristóteles é considerada o primeiro tratado sobre o Estado. Em toda a estrutura do tratado é esmiuçada como se dá o funcionamento das polis gregas (ou do Estado). Paulatinamente, com o advento deste estudo, estabelece-se por consenso que a palavra seja reconhecida como a nomenclatura de todas as reflexões e significados de tudo aquilo que venha gerar questionamentos ou esclarecer qualquer pauta em função do governo, ou seja, do Estado propriamente dito (mesmo que seja de forma a esclarecer ou questionar o funcionamento deste).
Durante anos o termo designou principalmente o estudo ou obras que fossem direcionadas à compreensão das coisas do Estado. No período compreendido como Idade Moderna, houve uma alteração de sua forma original e o termo mudou para expressões como “Ciência do Estado”, “Doutrina Política”, passando estes termos a significarem a indicação de atividade ou conjunto destas, que de alguma maneira tivessem referência na polis, ou no Estado.
Agora ao Estado é dada a condição de atuar nas condições de Sujeito da situação política, ou seja, ele legisla, pune, outorga, sanciona, congrega, valida e invalida atos com o preceito de direcionar um manancial relevante da população, com sua instrumentação normativa cabe a este sujeito, o Estado, que deve gerar ordenamento adequado ser possuidor e detentor de validade “Erga Omnes”.
Concomitantemente ao quadro anterior, cabe a política também o mérito de inverter a condição apresentada anteriormente, ou seja, o estado passa a ser o objeto das atividades, tais como o desprendimento das razões estatais, a conquista, a derrubada e a defesa deste estado.
Para a perfeita compreensão das relações de poder, o autor do dicionário de política, Norberto Bobbio, consente a existência de duas formas de aplicação do poder. Uma refere-se a relação entre o homem e a natureza e a outra é de um homem para outro homem.
O que se enraizou definitivamente como entendimento da atividade política é a clara ligação de política com o poder. Com o argumento da posse dos meios (ou seja, o detentor de um benefício é amparado pelo interesse próprio e na circunstancial condição de servidão de quem o serve). No texto estudado com o verbete de Norberto Bobbio, fica claro, por meio do simples exemplo citado no referido verbete, que a relação política flui tal qual a relação entre dois sujeitos, cuja forma de comportamento é adequada à vontade imposta de uma das partes o que presume com fulcro, a determinação da relação política construída por ambos (uma vontade mais forte suplanta a mais fraca). O autor empresta a relação política um pequeno traço de relacionamento constituído pela definição do poder como a posse dos meios. A partir da posse dos meios uma segunda relação é notória, todos os envolvidos participam do acúmulo de vantagens e com intuito de alcançar fins em si.
A política é expressa na segunda relação anteriormente citada e (a relação homem x homem), que é escorçada por Norberto Bobbio, podemos entender e estender essa política de diversas formas. Das linguagens políticas que podemos exemplificar na manifestação da forma política podemos ilustrar governo e o povo, os reis e os súditos, a autoridade e a obediência, e etc.
Aristóteles nomeou três formas de poder. Junto ao poder político, figuram ainda o paterno e o despótico. Segundo o filósofo, o poder pode ser legitimado em diversas formas, o paterno legitima-se pelo interesse dos filhos e é justificado pela natureza humana. A justificação do poder despótico é em função de quem é o senhor e do castigo imposto ao escravo pela prática de delitos. O poder político vale-se da vontade mútua ou do consenso geral e existe a partir da recíproca entre o governante o governado. Obviamente, tais posturas quanto ao poder político especificamente estão consideradas em um plano ideal e estão condicionadas (como bem definiu Karl Marx, quando disse “o homem é produto do meio”) ao ambiente em que estiver colocado.
Atualmente conceituamos os poderes como:

Ideológicos-Influência na formulação de idéias e difusão das mesmas, conforme a sua origem.
Econômicos - A posse de bens materiais ou dos meios para gerar-lhes ou adquiri-los.
Político – O poder detentor da força. O poder cujo teor reside na manipulação dos meios de coação.
Resumindo os três poderes sigficativos hoje geram a separação, ao econômico cabe a alcunha de ricos e pobres, o ideológico, sábios e ignorantes, o político os superiores e inferiores. Independente da Circunstância, o autor conclui: Há maior força no poder político, este é o mais poderoso e sobrepõem-se aos demais. Vale dizer que o cerne da política é o uso da força. Exclusividade (não permitir formação de grupos), inclusividade (o fato da decisão de uma pequena parcela fazer valer suas necessidades como interesse único) e universidade (A possibilidade de sancionar a vontade social).
É válido lembrar que a finalidade da política é o bem comum, quer seja do todo, ou de uma pequena parcela (chamada de elite dominante).


BOBBIO, Norberto, Dicionário de Política, Editora Universidade de Brasília, 13 ª, 2000, Vol. 2.
Ernesto Pessoa Rodrigues
Enviado por Ernesto Pessoa Rodrigues em 12/09/2007
Reeditado em 06/07/2008
Código do texto: T649383

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Sobre o autor
Ernesto Pessoa Rodrigues
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 36 anos
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