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Judas Priest - Stained Class

O Judas Priest é inegavelmente uma das maiores bandas que já surgiram. Foram e ainda são grandes percursores do Heavy Metal , ficaram bastante famosos por ter aderido nos anos 80 um visual cheio de couro preto e adereços que se tornaram famosos hoje em dia, como os braceletes de spikes. O Judas sempre é lembrado por trabalhos como British Steel, Painkiller, Defenders of the Faith, Screaming for Vengeance etc, e os recentes com o Mr. Ripper, mas às vezes, muitos esquecem de lembrar os álbuns dos anos 70 do Judas.
Naquela época eles tinham bastante influência dos grandes medalhões da época: Led Zeppelin, Black Sabbath e Deep Purple. Víamos um Halford mais novo, e uma banda que começava um grande caminho para o topo. Entre esses álbuns dos anos 70, está o excelente “Stained Class”, datando do ano de 1978. Como podem ver pela data, foi exatamente na época em que crescia a onda punk comandada pelos Sex Pistols, onde o Hard/Heavy esta figurando menos. Mas logo veio ao mundo da música o que seria uma nova revolução, aprimorando as obras dos medalhões. Era a NWOBHM, e eu afirmo que Stained Class foi um dos pontos percursores deste movimento.

Que forma melhor de começar um dos mais demasiados excelentes álbuns da história do Heavy Metal, senão com a clássica “Exciter”? a música começa com uma potente bateria sobressaindo-se por parte de Alan Moore (que ia pular fora do Judas no ano seguinte), e logo podemos perceber grande influência dos medalhões, mas já com um estilo novo, o estilo Judas Priest de se fazer música. Exciter tem um excelente riff da parte do grande K.K Downing e do seu parceiro Glenn. É muito bom ouvir o Halford com seus falsetes incríveis, que o Ripper sonha em ter, não que ele não consiga ter altos falsetes também. Exciter é uma faixa que movimenta energia, não pára. Shows a parte de cada membro.Fantástica,clássica e eterna.

Mais um Heavy Metal mesclando ao hard aparece, “White Heat, Red Hot”. Halford mais uma vez dá um show com os seus vocais. Outro grande destaque da música, é a parte melódica, em especial no solo. O solo dessa música é o resultado de uma brincadeirinha com as escalas musicais. Outro ponto interessante da música, é uma pegada de blues, que fica meio escondida, mas que com certeza figura na música. Ótima música.

“Better By you, Better than me” é outro clássico do Judas. Começa com uma guitarra figurando, e logo entra o resto da banda. A música começa com uma pegada blues, e Halford entona de forma incrível a linha vocal da música. Refrão marcante para uma música marcante. É um hard/heavy, e como eu já disse, tem uma pegada blues, só que ao contrário da faixa anterior, essa pegada figura mais, principalmente pelas guitarras. A melodia entra em grande êxtase junto com a harmonia, isso que dá uma dupla fantástica e criativa como é o caso dos mestres K.K Downing e Glenn Tipton. Clássico do Judas, e por que não do Heavy Metal?

A faixa-título, “Stained Class” é mais uma música boa, com elementos que viriam a se tornar clichê alguns anos mais tarde, com o nosso querido mestre Rob Halford dando um showzão com o seu vocal inconfundível e as sua melodias clássicas. Essa é outra música onde entra novamente elementos dos blues, agora figurando mais do que as outras músicas anteriores, em algumas partes. Outra grande música que movimenta uma energia de quem a ouve. Devo tornar a ressaltar as fantásticas performances da dupla de guitarristas da banda, e também não devo ser injusto com a cozinha da banda. A banda trabalha de forma criativa, como um verdadeiro conjunto. Figura nesta música também no final uma distorção que em certos momentos chegam a lembrar as baixas afinações de Tony Iommi. Outra música com um solo cativante e fabuloso.

“Invader” começa com um tipo de barulho de nave espacial extra-terrestre(coisas assim viriam a ser adotadas na Segunda metade dos anos 80). Com um começo calcado no blues, mas já com uma personalidade própria do Judas. A música tem um andamento calmo, mas nem por isso deixa de ser energética, como podemos ver pelo ritmo da cozinha da banda e também da genial dupla de guitarristas do Judas. A música é um bom e puro Heavy Metal, com solos fantásticos em que os comparsas brincam com distorções (não tanto como o Iommi, é claro). Com Rob cantando seu refrão em êxito, já podemos perceber que Invader é outra música boa.O Judas agora já demonstra que já é uma banda que atingiu a maturidade, compondo com o seu próprio estilo, junto com as influências do blues e do Hard/Heavy da época.

Depois chega “Saints in Hell”, começando novamente com as clássicas e famosas guitarras distorcidas características do Heavy Metal. Novamente o Judas demonstra que bebeu muito na fonte do Blues e do Hard Rock setentista.O vocal de Halford novamente firma presença no álbum, que tem tanto essas fortes pegadas de Heavy/Hard/Blues. Andamento novamente meio calmo, e novamente uma música energética e selvagem(contraditório, não?).Depois as guitarras dão lugar a bateria que sobressai em demasia, depois é a vez das agudas guitarras, para depois voltar a banda toda, ah, loucura! Outra “brincadeira” com as notas musicais, Saints in Hell é outra boa música de Heavy Metal, aliás, excelente, como todas desse álbum.

“Savage” começa com Halford soltando sua voz, de forma que muita gente queria poder fazer. Novamente é uma música calcada com Heavy/Hard/Blues. Maravilhosa, grande música. Heavy Metal Puro do bom e do melhor. Halford dá outro show a parte no quesito vocal, soltando sua voz com a corda toda. Entonando o refrão de forma fantástica, demonstra para a mídia da época que eles já eram Metal Gods. Outros solos fabulosos por parte da nossa dupla de guitarristas preferida. Melodia bonita em grande encontro com a harmonia pesada do Heavy Metal, que aliando-se a uma cozinha potente dando peso e groove a música, e para finalizar a fórmula entra em conta o vocal de Rob Halford, a música veio para ficar, assim como o Heavy metal. Outro ponto forte do álbum.

Chegou um grande clássico, senão o maior de todos os clássicos, não, clássico dos clássicos. É claro de que estou falando da incontestável e inabalável “Beyond the Realms of Death”. A música começa com cordas de aço, e junto com a cozinha da banda que costuma ser tão nervosa ,desta vez está de uma plenitude soberba. Eu costumo dizer que essa daí é a Stairway to Heaven do Judas Priest. A música mescla de forma cativante e emocionante o bom e puro Heavy Metal, com a simplicidade e a calmaria que uma balada tende a propor. As alternâncias fantásticas e comoventes da música, fazem dela, do mesmo jeito que Stairway to Heaven fez com o Led Zeppelin, o Judas Priest ser consagrado no mundo inteiro. Beyond the Realms of Death tem uma melodia inspiradíssima, e de uma forma tão cativante e bela, faz com que os sentimentos natos e profundos dos homens que a comporam se sobressaiam nas profundidades da alma dos ouvintes. Um dos maiores clássicos do Judas Priest, e uma das mais belas e famosas músicas do Álbum. Com Beyond the Realms of Death, o Judas Priest atinge o auge, demonstrando ser a maior banda de Heavy Metal da época. Soberba, genial, demasiada excelente, incrível, fantástica, etérea, estupenda. Palavras não designam esta música, mas sim sentimentos.

Estamos chegando ao final, é a vez de “Heroes End” (olha o trocadilho). Novamente o Judas calca o Blues em suas músicas, como em todo esse álbum. Ótima pegada. Música rápida, agressiva, pesada, ótima, resumindo, tudo que o Judas Priest é. Essa música demonstra o comerço dos primórdios da NWOBHM, e podem ter certeza do que eu digo, muitas das bandas que fizeram parte deste fantástico movimento, beberam da fonte do Judas Priest. Música ótima.

Chegamos então as duas faixas bônus. “Fire Burns Below” começa com uma batidinha singular e uns ruídos a là progressivo, remetendo a fantástica geração prog da época. Vem um andamento calma até agora. Começa agora Halford vociferando de forma tênue as linhas vocais da música. Música que remete muito ao Whitesnake e também com alguns materiais do Rainbow, resumindo, a escola Deep Purple, banda a qual o Rainbow e o Whitesnake derivaram. A música mescla ao longo de sua duração passagens acústicas e elétricas de forma bem tênue. Uma semi-balada muito bonita também.

Depois vem “Better By you, Better than me” em versão ao vivo, fazendo jus a sua versão, e mostrando a grande performance do Judas ao vivo, coisa que seria explorada em Unleashed in the East, o ao vivo deles que sairia no ano seguinte após o lançamento de Killing Machine/Hell Bent for the Leather.

Falar de Stained Class é falar de Judas Priest. Falar de Judas Priest é falar de NWOBHM. Enquanto o Heavy Metal e o Hard Rock sofriam um momento baixo devido ao movimento punk, e os medalhões também passavam por momentos difíceis (Deep Purple estava dando por encerrada sua carreira após a trágica morte de Tommy Bolin , Blackmore havia formado o Rainbow e Coverdale o Whitesnake, o Led Zeppelin lançava o seu último álbum de estúdio e o Black Sabbath estava por gravar também o seu último álbum com o Ozzy), e também o progressivo estava começando a desandar com o final dos anos 70 e começo dos 80, esse grupo de músicos chamado Judas Priest, junto a outros tantos que começavam a se espalhar pela Inglaterra afora (Samson, Angel Witch, Tank, Def Leppard, Iron Maiden, Saxon etc) o seu estilo pesado, calcado nos trabalhos dos medalhões, difundido o que ia passar a ser chamado de Heavy Metal, e no caso dos ingleses, New Wave of British Heavy Metal (Nova Onda do Heavy Metal Britânico), influenciando várias gerações seguintes até os dias de hoje. Stained Class pode ser considerado o passo inicial do Judas Priest a caminho do Heavy Metal. Excelente álbum, um dos melhores da carreira do Judas, e marco muito importante para a história que seguiria do Heavy Metal. Como na resenha anterior, dar uma nota 10 a esse álbum é pouco, de tão bom que ele é. Se você se diz fã de Heavy Metal, você é OBRIGADO a conhecer o Judas Priest, e em especial o Stained Class. Acredito que não irá se arrepender ao ouvir Rob Halford e cia.
Stalker
Enviado por Stalker em 21/11/2005
Código do texto: T74487
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Sobre o autor
Stalker
Salvador - Bahia - Brasil, 116 anos
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