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Artista: George Harrison; Álbum: Dark Horse

Depois que o sonho acabou, os quatro Beatles seguiram suas carreiras-solo com características bem diferentes umas das outras. John lançou Imagine em 1971, com o hino homônimo que ficaria mundialmente conhecido como uma das mais belas canções pacifistas de todos os tempos. Paul McCartney já havia lançado seu debut McCartney em 1970, e nele estavam duas das melhores músicas de toda a sua carreira: Junk e Maybe I'm Amazed. Ringo Starr, no mesmo ano do fim dos Beatles (1970) lançou dois álbuns: Sentimental Journey e Ringo; o segundo reuniu todos os beatles em diferentes faixas e foi um sucesso de vendas.

Foi George Harrison quem lançou o debut mais vendido de todos: All Things Must Pass, de 1970. Um álbum triplo de material rejeitado pelos outros beatles (principalmente Paul) e considerado por muitos o melhor álbum que um dos Beatles lançou em carreira solo. Em seguida lançou o também aclamado Living In The Material World, de 1973. E em seguida veio o álbum tratado aqui: Dark Horse, de 1974.

Por quê incluir Dark Horse na categoria "Música Estranha e Boa"? Simples: é estranho porque George gravou o disco todo sem ter se recuperado completamente de uma grave laringite. E é bom porque é George Harrison.

A vida pessoal de George Harrison em 1974 estava repleta de novidades. Além do fim de seu relacionamento com a então esposa Pattie Boyd (que iria se casar com um dos melhores amigos de George, Eric Clapton, que inclusive participa do disco), George estava arrastando suas asas para cima de Olivia Arias, que seria sua companheira até a morte em 2001. E aliado a tudo isso está a já citada laringite, que deixou a voz de George completamente rouca. Mas vamos às canções.

Hari's On Tour (Express) (um bem-humorado trocadilho com seu próprio nome) é a faixa de abertura. Um belo instrumental, cheio de saxofones e slides. Muito animada, técnica e sem dúvida uma ótima abertura. E em seguida começa uma das músicas mais bonitas da carreira solo de George: Simply Shady. Uma letra filosófica e uma melodia muito trabalhada servem de fundo para uma voz rouca, que se esforça muito para alcançar cada nota mais aguda.

So Sad tem algo de sonhador, como Lucy In The Sky With Diamonds de John. Mais uma vez a música é diretamente influenciada (piorada/melhorada?) pela voz estranha de George. Não sei porque, mas sinto que a banda brasileira Supercordas (eles ainda vão ter uma resenha aqui) foi muito influenciada por essa música. Mais uma letra transcendental de George.

Bye, Bye Love é no mínimo irônica. Como já disse, foi em 1974 que Pattie Boyd (ex-mulher de George) trocou o ex-beatle por Eric Clapton, seu melhor amigo. Foi uma separação traumática, principalmente para Pattie, mas aqui o triângulo amoroso aparece junto, neste cover modificado da música dos Everly Brothers, de 1957. George alterou alguns versos para que a música fizesse referência ao ocorrido, e chamou Pattie para fazer os backing vocals e Eric para tocar guitarra. Situação estranha, ótima música.

Māyā Love é um belo rock and roll, com a participação de Billy Preston e mais uma vez é gritante a dificuldade que George tem para cantar a música, devido à laringite. Ding Dong é curiosa por ser uma música de ano novo. Boa parte da melodia se baseia nos tradicionais sinos, aqueles mesmos que Paul McCartney utilizou no início da famosa Let'em In. Entretanto, a música de George é alegre e traz uma letra quase infantil.

Dark Horse é um country rock, e talvez foi a faixa mais castigada pelas condições da voz de George (inclusive, alguns críticos maldosos apelidaram o álbum de Dark Hoarse. "Hoarse" significa "rouco"). É uma faixa muito bem arranjada e com um refrão pegajoso, mas... ok, não falo mais que a voz de George prejudicou a música.

Far East Man tem um toque Pink Floyd, muito parecido com aquele de muitas faixas do All Things Must Pass. Deliciosa de se ouvir, leve e com os vocais muito bem executados (apesar de... enfim). E o gran finale fica por conta da religiosa It Is He (Jai Sri Krishna). Faixa alegre, como a maioria das músicas religiosas, e a voz de George parece não estar tão prejudicada. Traz até tablas, em referência à cultura hindu. Nada mais George Harrison que isso.

Dark Horse é um ótimo álbum. Certamente não é o melhor da carreira de George, mas é o mais curioso por trazer todos esses fatores já citados. Em breve postarei o artigo traduzido de Pattie Boyd para o Daily Mail.

O tracklist é o seguinte:
1. Hari's On Tour (Express)
2. Simply Shady
3. So Sad
4. Bye Bye, Love
5. Māyā Love
6. Ding Dong
7. Dark Horse
8. Far East Man
9. It Is He (Jai Sri Krishna)
Thiago Zanetti
Enviado por Thiago Zanetti em 26/11/2007
Código do texto: T753484
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Thiago Zanetti
Sorocaba - São Paulo - Brasil, 31 anos
212 textos (41437 leituras)
68 áudios (7574 audições)
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Thiago Zanetti