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Despertar de Uma Paixão, O

Por André Azenha, jornalista e editor do site www.cinezencultural.com.br

Ficha técnica: O Despertar de Uma Paixão (The Painted Veil, EUA / China , 2006). Direção: John Curran. Roteiro: Ron Nyswaner, baseado em livro de W. Somerset Maugham. Elenco: Edward Norton, Naomi Watts, Liev Schreiber, Toby Jones. Drama. 125 min. (Cor).

“O Despertar de Uma Paixão” foi lançado no finzinho de 2006 em circuito restrito nas cidades de Los Angeles e Nova York, com o intuito de ainda tentar alcançar algumas indicações para o Oscar do ano seguinte. A crítica americana elogiou a obra e alardeou prováveis premiações. Mas os principais troféus não aconteceram, com exceção à maravilhosa trilha sonora original de Alexandre Desplat, vitoriosa no Globo de Ouro.

Talvez a pressa em lançar o longa tenha prejudicado uma caminhada que poderia ter sido melhor em festivais mundo afora, com uma divulgação melhor programada. Pois o filme tem duas estrelas de renome que também são atores talentosos e desempenham excelentes atuações, conta com uma bela fotografia, locações esplêndidas e ótima ambientação de época.

Engavetado desde 1999 por Edward Norton, a produção começou realmente a ganhar vida quando, em 2001, Naomi Watts topou a empreitada de atuar no longa (ela queria férias após os oito meses de filmagens de “King Kong” e o filme foi adiado mais alguns meses) como protagonista e produtora ao lado do ator. Sem conseguir financiamento, o projeto finalmente começou a sair dos papéis somente em 2003, quando a Warner Independent entrou na jogada, com a grana necessária.

Adaptada do romance de 1925, “O Véu Pintado” (já filmado num longa com Greta Gabo em 1934), escrito por W. Somerset Maugham, a trama retrata a China do início do século passado. Norton vive o bacterologista Walter Fane, enquanto Watts interpreta Kitty, moça mimada que vê no rapaz uma boa chance de desencalhar – naqueles tempos, quem não arrumasse um marido até certa idade sofria com fofocs e olhares tortos por parte de uma sociedade hipócrita.

O desinteresse pelo marido a leva a um caso extraconjugal. Ao descobrir, Walter decide se vingar: ou ela se junta a ele em uma viagem ao interior da China ou enfrenta o escândalo do adultério.

Com a viagem para o coração do Oriente, onde Walter trabalha em áreas com epidemia de cólera (importante lembrar que naquele período a doença não tinha uma cura como atualmente), Kitty vai finalmente descobrindo o marido e o que fazer com sua vida. No pano de fundo da história, ainda há um importante recado sobre o colonialismo que o ocidente impõe sobre as outras nações.

Por mais que o ritmo do longa soe lento, dá chances ao expectador saborear belas nuances nas atuações de todo o elenco, inclusive dos coadjuvantes. Destaque para Toby Jones, o Capote de “Confidencial”, novamente bem e completamente diferente do outro papel.

Também vale prestar atenção em detalhes como a maneira como o diretor John Curran flagra os pés da atriz ao longo da projeção. No início, seus sapatos são feios, por mais que pareçan “chiques”, mas aos poucos, quando a personagem vai realmente se interessando pelo marido e mudando o caráter, os calçados vão ficando mais bonitos e alegres.

Relegado às salas voltadas ao “cinema de arte” no Brasil, e poucos horários em grandes redes da sétima arte, “O Despertar de uma Paixão” não despertou a atenção que merecia. Trata-se de cinema com C maiúsculo, redondo, bonito, bem dirigido e intenso, que versa sobre temas inerentes aos nossos sentimentos: redenção, relações amorosas, autoconhecimento e conhecimento ao próximo. É daquelas obras em que a platéia dificilmente sai sem algum tipo de sentimento forte. No caso deste colunista, a alegria. O melhor filme que passou nos cinemas brasileiros em 2007.

André Azenha
Enviado por André Azenha em 10/08/2009
Código do texto: T1746301

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Sobre o autor
André Azenha
Santos - São Paulo - Brasil
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