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RESENHA DO FILME: UMA LIÇÃO DE VIDA

Resenha Crítica do Filme: Uma lição de Vida
Filme: Uma lição de vida; título original: Wit;lançamento:2001;Diretor:Mike Nichols
O filme apresentado em sala de aula como proposta de contextualização da Literatura Inglesa, pela mestra Jane, tem seu foco principal na poesia do poeta metafísico John Donne, do século XVII.
O filme narra a história de uma professora Vivian Bearing, que com câncer em estagio avançado aceita sob a orientação de o oncologista doutor Kalekian submeter-se a um tratamento intensivo de quimioterapia com poucas chances de sucesso e muitos efeitos colaterais; o referido doutor será auxiliado pelo doutor Jason Posner que foi aluno da professora Bering, ambos são indiferentes ao sofrimento da mesma e importam-se unicamente com a sua pesquisa. Neste ambiente hospitalar a enfermeira Susie é o único traço de humanidade que existe. O tratamento não impede a morte de Vivian e o filme encerra-se com sua morte.
Conforme orientação as contínuas citações de John Donne demonstram um aprofundamento da temática do poeta metafísico com  o sofrimento da personagem, um verdadeiro embate entre a intelectualidade de uma erudita especialista na poesia do século XVII e a experiência da proximidade da morte.
Cabe ressaltar que uma exposição de valores educacionais implícitos nas palavras vem á tona na descoberta, ainda em tenra idade, da vocação da personagem com as letras. Isto foi ilustrado pela leitura e discussão do valor semântico da palavra SOPORÍFICO, que dada a significação tornou-se o único momento de alegria vivenciado por Vivian na sua auto pesquisa, momento este em que Vivian e Susie , a enfermeira, riem do desconhecimento de Susie da palavra “soporífico”. O retorno à descoberta vocacional, ao interesse semântico, a pesquisa etimológica em fase pueril, constroem um valor ideológico da escolha da literatura e a descoberta de um poeta tão desafiador como Jonh Donne demonstra a necessidade de escolhas  acadêmicas voltadas para uma pesquisa comprometida com o saber por excelência e não com uma via fácil de pesquisa que não ofereça obstáculos ou de fácil trânsito por ser continuamente trilhada.O doutor Jason Monahan ilustra muito bem  este ponto, ainda que com a devida reserva, ao dizer que “a leitura de Willian Shakespeare perto de Jonh Donne é uma leitura de caminhão”.Faz-se necessário esclarecer que o enfoque a Jonh Donne é a única razão para tal afirmação, pois não poderíamos diminuir o valor literário do maior dramaturgo de todos os tempos , sem faltar com a verdade.
A uma proposta paralela de construção da humanização da pesquisa por partes importantes do enredo: a descoberta vocacional foi possível pela leitura conjunta da personagem e seu pai; a orientadora de Vivian ao ministrar uma magnífica aula da poesia DEATH, BE NOT PROUD orienta para que sua aluna busque no convívio social a profundidade almejada na pesquisa; a auto pesquisa de Vivian durante o tratamento resulta na sua  humanização;a visita de sua orientadora, a única, é um desfecho confirmador desta proposição pois ela esta visitando o neto, demonstrando a construção de uma vida familiar, a qual Vivian não construiu.A visita por si mesma é um ato de amizade. O posicionamento na cama do hospital como sua mãe e a leitura e de um livro infantil para a mesma em desistência da declamação de um poema de Jonh Donne aponta para a simplicidade da vida humana em face da morte confirmando esta proposição humanizadora.
Há no texto do poema de Jonh Donne , Morte, não sejas orgulhosa,o seguinte trecho: “Do repouso e do sono, os quais não passam de imagens  tuas,” a analogia da morte como sono é popularmente conhecida pelo eufemismo entretanto na poesia metafísica de John a descrição é uma gradação decrescente que parte da poderosa e terrível morte até a finalização de uma “morte mortal”, uma deliciosa antítese redundante; ele simplesmente arrastou um ser imortal e todo poderoso até a aviltante posição de vítima de sua própria hedionda tarefa:matar.
No filme encontra-se um paralelo deste trecho destacado na morte de Vivian, pois sua antiga orientadora a faz dormir lendo-lhe uma história do coelhinho  fujão, com breves comentários da analogia a proteção divina,Onipresença (em todos os lugares) e Onipotência (todo o poder),neste caso para proteger. A angustia é atribuída a vida e não à morte uma vez que a mesma traz descanso para a paciente. A professora e a enfermeira, ambas arrumam Vivian no leito de sua morte como arruma-se uma menina em seu descanso noturno.O semblante de paz na personagem reinterpreta a morte que é retratada como libertadora “ao repouso de seus ossos e libertação de suas almas”,  da dor inerente a vida.A própria análise de que a dor de Vivian era produzida pelo tratamento e não pelo câncer, e este como esforço para a prolongação da vida claramente aponta o papel de subserviência da morte conforme a poesia de John Donne.
Feitas as devidas observações cabe a citação do texto que parece ter inspirado John Donne na composição do poema em análise:
”E quando este corpo corrupitível se revestir da incorruptibilidade, e o que é mortal se revestir da imortalidade, então, se cumprirá a palavra que está escrita:Tragada foi a morte pela vitória.
Onde está, ó morte, a tua vitória?Onde está, ó morte, o teu aguilhão?”ICor15.54,55
   A segurança descrita por John somada a similaridades entre sua poesia e o texto da Bíblia, o discurso ousado, o diálogo com a morte, a redução da mesma a uma subserviência aos desígnios superiores, a base do esvaziamento filosófico da morte (a ressurreição),os dados biográficos apresentados em aula, entre outros apontam a fonte primária do poema como sendo o texto em destaque acima transcrito.
Rony Recla
Enviado por Rony Recla em 08/03/2011
Código do texto: T2836416
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Rony Recla
Guarujá - São Paulo - Brasil, 40 anos
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