Capa
Cadastro
Textos
Áudios
Autores
Mural
Escrivaninha
Ajuda
Textos
Texto

ANÁLISE DO FILME 1984 CONFORME A INDÚSTRIA CULTURAL DE T.W. ADORNO

Adaptado para o cinema por Michael Radford, obra clássica de George Orwell faz alusão ao partido do ditador soviético Joseph Stalin

Adaptação cinematográfica do livro 1984, escrito por George Orwell em 1948 e que discute a dominação das massas por um regime autoritário e ditador. O poder adultera a mente das pessoas, e a única alternativa é aceitar e jurar lealdade ao partido. O sistema é imutável, e tudo o que desviar a atenção ou comprometer essa relação entre o domínio exercido sobre a massa, tem que ser combatido. Críticas, revoluções e questionamentos que interfiram na sociedade são encarados como patologia social – concepção positivista.

A propriedade fundamental da indústria cultural, segundo T. W. Adorno, é impor uma ideologia às massas, desviando as atenções da realidade no sentido de se configurar uma cultura de dominação. O consumidor torna-se, portanto, um mero elemento dentro de sistema e, de forma inconsciente, adere ao que lhe é imposto. Contudo, a indústria cultural não teria condições de prosperar sem a existência das massas.

Todos fazem parte de um determinado regime, assim como no filme em análise, apesar do meio social atual não ser tão pragmático a ponto de privar o ser humano da liberdade de pensamento, emoções e outros prazeres citados no longa metragem. Há de ser analisada a ideologia de ambos que, guardada as devidas proporções, constituem-se da mesma essência: o caráter de dominação.

Como exemplo dessa dominação, novas línguas e códigos são criados, e todos são obrigados a se adaptarem às linguagens que são determinadas. No  filme,  a  menção da Nova Língua – 10º Dicionário – indica perfeitamente essa imposição do código. A história é apagada, palavras são destruídas e outras são criadas, de forma que não instiguem o pensamento. O código busca uma linguagem perfeita, e quando todos o conhecerem não haverá mais necessidade de disciplinas. É o imperativo categórico da indústria cultural, que isenta a condição do indivíduo pensar o mundo a sua volta. O medo constitui um dos principais motivos da aceitação do sistema, torna-se explícito que qualquer um que infringir a lei deverá ser punido. Na ficção por meio de torturas e lavagem cerebral e, na realidade, por persistência.

A mente é treinada ainda para perceber uma realidade do mundo que, na verdade, não existe. A própria guerra é uma ilusão, o inimigo não é real. Pensar o mundo a sua volta constitui crime, o que o sistema impõe é uma aparência de mundo sob absoluto controle, com as coisas funcionando perfeitamente. A indústria cultural desperta a mesma sensação de conforto. As indicações estatísticas da diminuição e controle das doenças indicam essa falsa realidade. As cenas em que o personagem central Winston (John Hurt), após ser persuadido a aceitar o regime, diz estar curado e revela seu amor ao Grande Irmão, prova esse caráter de dominação que qualquer regime ditador é capaz de estabelecer. Assim também é a indústria cultural, que reorienta as massas, definindo padrões de comportamento, mas que ainda permite a liberdade de dizer que dois mais dois são cinco.

TEVE ALGUMA UTILIDADE PARA VOCÊ?
ENTÃO, FAÇA UM DONATIVO PARA QUE POSSAMOS POSTAR MAIS TEXTOS DE INTERESSE GERAL!
Banco do Brasil
Agência: 2051-6 / Conta Corrente: 58.819-9
José Donizetti Morbidelli
Enviado por José Donizetti Morbidelli em 16/12/2005
Reeditado em 30/12/2016
Código do texto: T86591
Classificação de conteúdo: seguro

Copyright © 2005. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.
Enviar por e-mail
Denunciar

Comentários

Sobre o autor
José Donizetti Morbidelli
São Paulo - São Paulo - Brasil
219 textos (624959 leituras)
24 e-livros (1394 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 28/02/17 12:03)
José Donizetti Morbidelli