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Análise Crítica - O Mundo de Sofia

Afinal, o que seria Filosofia? É uma pergunta interessante. Não observamos quase ninguém perguntar, por exemplo, o que é matemática ou física? Mas se acha natural perguntar: o que é Filosofia?

Investigando a própria possibilidade do conhecimento, digamos até que os pressupostos e os limites do conhecimento, a Filosofia se faz necessária na medida em que efetuamos a arguição do seu próprio conceito. Essa relação entre o conceito e a sua utilidade é o âmago do seu estudo, possuindo enorme relevância.

Propondo justamente uma análise minuciosa do saber, O Mundo de Sofia nos atém à volúpia do conhecimento, passando desde Pitágoras, com a denominação corrente (sophia ou sabedoria, philia ou afinidade), até Jean-Paul Sartre e o Existencialismo do século XX.

Tendo como fundo um romance fictício, um curso filosófico é exposto garbosamente, de forma prática e efetiva. Nota-se facilmente a habilidade do autor em relacionar e descrever os vários pensamentos filosóficos em grade evolutiva.

Temas diversos têm enfoque relevante no livro em epígrafe, sendo apresentados e debatidos desde o início da obra, dos quais os mais importantes são: razão, verdade, conhecimento e lógica. Sem dúvida, temas constituintes do pensamento filosófico. A análise de Immanuel Kant ou qualquer outra figura proeminente é dotada de conceitos e exemplos referidos ao pensador, de modo que se pode captá-los sem a necessidade de um conhecimento anterior à leitura.

Doravante, passa-se a efetuar uma análise crítica dos diversos temas abordados pelas correntes de pensamento que ajudaram a definir os pilares da Filosofia. Em amálgamas generalizadas, culminando uma síntese para facilitar a compreensão.

Com base na razão, infere-se que ela opera seguindo certos princípios estabelecidos, que estão em convergência com a própria realidade, mesmo quando os empregamos sem conhecê-los explicitamente. Destarte, a consciência humana não deixa de ser razão, porém a razão não é apenas capacidade moral e intelectual dos seres humanos, mas também uma propriedade ou qualidade precípua das próprias coisas, havendo na própria realidade.

A lógica aparece bastante difundida na Filosofia, originando-se nos estudos sobre o devir (fluxo dinâmico de todas as coisas, ou seja, origem, transformação e desaparecimento dos elementos) de Heráclito e Parmênides, atingindo o seu ápice nas célebres conclusões de Platão e Aristóteles.

Comumente relacionada às ciências matemáticas, por possuir caráter exato ou racional, cuja coerência seja a principal característica, a lógica possui no silogismo um exemplo da sua atuação. Por definição ou conceito, o silogismo nada mais é do que a conclusão por meio de duas premissas anteriores.

Ainda seguindo esse campo de definições, aduzimos a dialética clássica, sendo ela uma discussão entre opiniões divergentes que acarretará em uma síntese a fim de formular os preceitos desse determinado enfoque de discussão.

Contudo, superando as diferenças entre Platão e Aristóteles e negando a afinidade da lógica com a matemática, Hegel relacionando lógica e dialética, faz aduzir que a lógica não seria um instrumento formal e austero para o uso efetivo do pensamento. Lógica seria ontologia, isto é, o estudo do ser em sua essência.

Continuamos a análise crítica sem olvidar a concepção de verdade, um termo de notória importância para o livro em questão.

O romance relaciona ainda, a verdade e a razão. O verdadeiro é evidentemente (e aí temos uma referência à lógica) visível para a razão.

Há dissidências sobre a origem e o significado de verdade, mas o fato é que a nítida possibilidade de situarmos o nosso conceito na tríade verdade, lógica e razão esmaece as dúvidas quanto à utilização do termo. Ousamos dizer, e o livro prova se o leitor atento for, que se houver o correto manuseio da referida tríade, possibilitar-se-á ao sujeito, almejar o conhecimento pleno, blindado à subjetividade.

Sem dúvida, algo que não é falaz, todavia se faz muito difícil se desvencilhar das armadilhas sensoriais e morais, intrínsecos à sociedade, da qual todo homem é refém.

Chegar à verdade universal ou ao conhecimento puro seria o maior degrau já colimado pela humanidade, resta saber se podemos algum dia atingi-lo.

Conclui-se que Sofia Amundsen alargou o seu campo de percepção ao lançar-se no estudo da Filosofia. De fato, o autor de forma perspicaz introduz ao leitor um curso filosófico sem que este se torne monótono, haja visto o belo romance, farto de histórias engenhosas presentes no seu bojo.

De fato, passamos pela história do pensamento filosófico com praticidade e objetividade ao analisar a aludida obra literária.
Descobrir que ser um amante e não um possuidor do conhecimento é enveredar-se na assertiva que prega o conhecimento ou saber como sendo infinito. Convém salientar a relevância da busca pela essência da Verdade universal, não há, entretanto, como afirmar quando atingiremos maturação suficiente para lograr tal êxito. Uma excelente obra, um excelente curso.
Gildo Leobino
Enviado por Gildo Leobino em 04/04/2009
Código do texto: T1522823

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Sobre o autor
Gildo Leobino
Jati - Ceará - Brasil, 28 anos
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