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Texto

Acauã - Inglês de Sousa.

Acauã é um conto amazônico integrante da coletânea Contos Amazônicos de Inglês de Sousa, conceituado escritor e também jurista, nascido em Óbidos, estado do Pará.
Narrado em terceira pessoa, o conto trás um narrador que não está presente na história mas, sabe ao certo o que aconteceu (onisciente). A narrativa tem uma ambientação tenebrosa e obscura, representa bem o cenário amazônico. Leva o leitor a resgatar características peculiares do sertanejo*da sua rotina e do ambiente em que vive. Usa termos regionais, uma linguagem simples e segue um tempo cronólogico.
A obra de Inglês conta a história do Capitão Jerônimo Ferreira morador da pacata vila São João Batista de Faro. O povo desta localidade era possuidor de superstições, como a que a história retrata o medo do dia de sexta-feira e do canto do murucututu. Foi nessas circunstancias que o capitão saiu de casa logo que perderá sua esposa e passou por momentos de angustia e horror na tentativa de voltar para casa diante de uma tempestade e de uma espécie de gritos horrendos oriundos de um lago, entre relâmpagos o capitão desmaiou e ao acordar observou que todo aquele cenário de horror havia acabado. Assim, sua atenção foi chamada por algo no lago, nestas circunstancias o sol já havia raiado, para a surpresa de todo na cidade, o que o capitão achara no lago fora uma criancinha adorável que adotara como sua filha, criando-a junto com Aninha sua filha legítima.
Assim, há o início de péssimos tempos. Sem saber o capitão nesta atitude aparentemente nobre, acabara de destruir a vida de sua querida e adorada por todos, Aninha.
As meninas foram crescendo normalmente, a normalidade acaba quando ambas completam quinze anos, todos começam a perceber o quanto Vitória (adotada) controla Aninha que se torna triste, frágil e de aparência enferma.
O fato mais estranho foi quando Aninha é pedida em casamento por um bom rapaz, ela e seu pai concordam, tudo é combinado mas, Aninha com uma atitude muito estranha desiste do compromisso, frustando o pretendente. Outro pedido de casamento é concedido a Aninha, novamente ela aceita e dias depois ela tenta em desistir mas, seu pai a proíbe de magoar mais um rapaz. No dia do casamento Aninha toda de branco entra na igreja, todos estranham a ausência de Vitória, na hora do “sim” Aninha é surpreendida por uma imagem horrenda que ao perceber pai acompanha o olhar de desespero da filha e contempla a imagem diabólica da filha adotiva na porta de sacristia. Aninha desmaia contorcendo-se no chão, acalma-se um pouco e emite um grito de arrepiar, outras vozes fora da igreja também contemplam acauã.
Todos acreditam que foi Acauã que na sua perversidade enfeitiçou Aninha, matando-a.
A localidade amazônica tem muito dessas histórias mitológica, animais e fenômenos da natureza que são possuidores de poderes para com os humanos. Esses devem ser respeitados e evitados a fim de que não aconteça tragédias. Em cada pequena localidade desta região, de acordo com os aspectos da cidade vão desencadeando as lendas.
Para o povo nativo essas histórias são totalmente verídicas, diferentemente para os visitante que logo exigem provas. O fato é que coisas estranhas acontecem, há pessoas que presenciam, não há como provar! Mas para o que os olhos vêem não se precisa provar.
Como aconteceu com uma jovem no interior de uma cidade da Ilha do Marajó. Ouvia muito falar numa carroça que passava nas madrugadas de sexta-feira nas ruas de Soure, todos deveriam recolhe-se cedo, pois pagaria com a vida aquele que bisbilhotasse a passagem daquele estranho objeto. Uma jovem curiosa abriu uma brecha na janela e ficou de vigia uma grande parte da noite, quando desistira desacreditando da lenda, ouviu um barulho como rodas com correntes sobre o asfalto, a rua por sua vez era apenas de finos caminhos pela grama. Primeiramente avistou uma procissão luminosa, logo chegaram próximo, avistou então uma carroça cheia de ossos. Derrepente deparou-se com uma velha, de aparência horrenda, na sua frente, perguntando-lhe o que estava a observar, a moça muito nervosa foi logo desculpando-se. A velha por sua vez informou-lhe que pagaria uma missão por esta espionando.
Deixou a vela que segurava com a moça, sendo que ela não poderia deixar a vela apagar, caso contrário, iria pagar com sua vida. A velha voltaria na madrugada do sábado para recuperar sua vela que deveria ainda está acesa, portanto a moça deveria está no mesmo lugar, sozinha, a sua espera.
A moça contou o fato para sua filha que lhe repreendeu por ter desacreditado no que dizia a crença. Aconselharam-na a fazer como as instruções da velha. Por vezes a vela quase apaga, mas impreterivelmente a moça estava lá, sozinha, durante a madrugada. Num belo susto a moça repentinamente deparou-se com a velha ainda mais diabólica.
 Guardou minha vela? Disse a velha.
A moça entregou-lhe a vela acesa com muito cuidado, assim que a mão da velha tocou na vela, essa transformou-se em um osso comprido, velho que exalava um péssimo cheiro. A moça nervosa perguntou se ela estava livre, pois havia feito o que a velha tinha exigido. A velha sorriu, numa feição fria e disse-lhe que ela havia ganhado apenas a oportunidade de despedisse do mundo em que vive, para isso ela tinha até a próxima madrugada de sexta-feira, quando definitivamente ela iria fazer parte daquela procissão. A moça implorou para que não tirasse a sua vida, citou vários motivos.
Durante a semana os familiares da moça recorreram a todas as religiões, mas nenhuma podia algo, pois ninguém queria mexer, com aquela lenda que cada vez mais ficava verdadeira. O padre abençou-a, o pastor orou, ma foi o máximo que puderam fazer. A moça resolveu esquecer a história colocando na mão de Deus. A madrugada de sexta-feira, todos na casa sonharam o a velha dando-lhe boas vindas à procissão da carrocinha dos ossos. Pela manhã todos acordaram arrepiados, e descobriram a moça morta em sua cama, do jeito que fora deitar-se.
A Lenda da Carrocinha dos Ossos também é uma história como Acauã, fato interiorano narrada por populares e contada por diversas gerações, fazendo com que sempre seja respeitada como história verídica. Movimentando o parado e tranquilo cotidiano de pequenas cidades.
Cidália França
Enviado por Cidália França em 16/09/2009
Código do texto: T1813695

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Sobre a autora
Cidália França
Belém - Pará - Brasil, 28 anos
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