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RESUMO ANALÍTCO DO ROMANCE CAPITÃES DA AREIA DE JORGE AMADO

RESUMO ANALÍTCO DO ROMANCE CAPITÃES DA AREIA DE JORGE AMADO
teacherginaldo@hotmail.com


Capitães da Areia, escrito por Jorge Amado, é, sobretudo, uma história de denúncia. Escrito na terceira pessoa, em que o narrador é apenas um expectador atento aos acontecimentos sem se envolver diretamente com eles.
A obra divide-se em três partes com capítulos curtos, vinte e sete ao todo, e há uma sequência de reportagens, notícias de jornal, onde constam depoimentos explicando que os Capitães da Areia é um grupo de menores abandonados e marginalizados, que aterrorizam Salvador. Tendo como cenário a Cidade Alta, esses menores infratores cometem delitos para sobreviver. Notam-se grandes preocupações sociais abordadas de maneira objetiva, com a finalidade de chamar atenção para a problemática que é a questão do menor abandonado. Neste contexto, as autoridades e o clero são retratados como opressores, cruéis e responsáveis pelos males causados pelos meninos. Por outro lado, os Capitães da Areia são classificados como heróis, sendo comparado ao estilo Robin Hood, pois roubavam a classe privilegiada e dividia o produto de seu roubo entre seus camaradas subnutridos. Outro herói ou bandido se destaca na narrativa: o grupo de cangaceiros de Lampião, como se estes meninos fossem uma versão mirim do cangaço na Bahia.
Os personagens são, em sua maioria, masculinos, a exceção de Dora, única menina admitida no grupo. Dentre eles podemos citar: Pedro Bala, Sem Perna, Pirulito, João Grande, Volta Seca e os únicos que se relacionavam com eles, Padre José Pedro e Don’Aninha, uma mãe de santo. Cada personagem tem a sua importância para o enredo do romance. O tempo da narratia divide-se em dois: o cronológico, demarcado pelos dias, meses, anos e horas e o psicológico, correspondente às lembranças e recordações dos personagens na narrativa. As três partes da obra são compostas de forma linear, sequencial, em que  a trama se desenrola  como consequência de cada fato. Na primeira parte, denominado Sob a lua, num velho trapiche abandonado” são relatadas algumas histórias sobre alguns dos principais Capitães da Areia. Neste contexto é destacado os principais personagens da narrativa, dando assim  características peculiares sobre cada um. A segunda parte, “Noite da Grande Paz, da Grande Paz dos teus olhos” possui o caráter romântico e dramático na obra. Trata-se da história da entrada da menina Dora no grupo dos Capitães da Areia e do amor entre ela e Pedro Bala. Ela também é considerada, para o restante do grupo, como mãe e irmã. Questões comportamentais ganham destaque nesta parte, tais como, o homossexualismo, que é comum no grupo, mesmo que seja este uma proibição determinada pelo líder do grupo Pedro Bala.
A ruptura do grupo começa quando Dora é acometida por uma febre e acaba morrendo. Este é o princípio do fim dos Capitães da Areia. “Canção da Bahia, Canção da Liberdade”, terceira parte, vai mostrando a desintegração dos líderes: Sem-Pernas se mata, Professor parte para o Rio de Janeiro para se tornar um pintor, Gato se torna um malandro de verdade e se muda para Ilhéus, Pirulito se torna frade, Padre José Pedro consegue uma paróquia no interior, sendo afastado de vez dos Capitães da Areia, por determinação da igreja, Volta Seca se torna um cangaceiro do grupo de Lampião, João Grande torna-se marinheiro, Querido de Deus continua malandro e capoeirista, Pedro Bala depois de sua perda e fascinado pelas histórias contadas sobre o seu pai sindicalista, vai se envolvendo com os doqueiros e torna-se ele também um grevista, um líder revolucionário comunista como seu pai.













CAPÍTULOS: SÍNTESE DA OBRA.

1. O TRAPICHE.

• Local onde moravam os Capitães da Areia.
• Apresentação dos Capitães da Areia.
• Personagem de destaque: Pedro Bala.
• Problemática social dos meninos moradores de rua.

2. NOITE DOS CAPITÃES DA AREIA.

• Questão social, diferentes personagens com experiências diversas.
• Personagens de destaque: João Grande, Sem- Pernas, Professor, Pirulito, Boa-Vida, Gato e Querido de Deus.
• Linguagem coloquial – personagens
Padrão culta – narrador
• Temática: as dificuldades, o descaso social, a dor e a solidão.
• Quantidade dos Capitães da Areia: 100 meninos.

3. PONTO DAS PITANGUEIRAS.

• Jogo de cartas (azar ou sorte): maneira pela qual os meninos enganavam os marinheiros que desciam de seus navios no porto.
• O roubo – o embrulho.
A traição – o serviço contratado. – Os Capitães da Areia executavam trabalhos remunerados, roubavam e passavam para o contratante. Se algo saísse errado não havia vínculo algum com o contratante.

4. AS LUZES DO CARROCEL

• Chegada do carrossel na cidade. – parque Nhosinho França
• Presença de Lampião e o seu bando na vila de Itapagipe. A transformação de homens rudes em crianças. O carrossel acaba salvando a vila de ser saqueada, as moças de serem violadas e os homens de serem mortos.
• Destaque para Volta Seca, Sem Pernas e padre José Pedro.
• A visão e igualdade: os meninos de rua e os meninos de família. O parque passa a ser um local democrático.

5. AS DOCAS.

• Questão social: a primeira greve nas docas.
• Ambientação: docas com seus cargueiros.
• Pedro Bala – visões marxistas: direitos para todos e greve.
• Narrativa sobre os pais de Pedro Bala.
• Violência: o estupro de uma menina no areial.

6. AVENTURA DE OGUM.

• O roubo da imagem de Ogum e a difícil recuperação da imagem de dentro da delegacia de polícia.
• Pedro Bala. É encarregado de reaver a imagem.

7. DEUS SORRI COMO UM NEGRINHO.

• A beleza do dia. Contemplação da natureza e sua beleza.
• Questões sobre o inferno. – Pirulito
• O medo de Deus: atribuem a culpa de seus erros à sociedade.
• Preconceito contra o homossexualismo – visão condenada na igreja e no grupo dos Capitães da Areia.
• Personagem: João de Adão: clama por justiça para os meninos
• O juramento para justificar as ações do roubo – meio de sobrevivência.
• A tentação do roubo: questões de fé X necessidade.

8. FAMÍLIA.

• A casa desejada: cobiça pelo ouro.
• Sem Pernas: plano de roubo.
• D. Ester (vítima), deixa-se cativar pela saudade do filho morto e resolve amparar Sem Pernas.
• Outra realidade: casa, roupa nova, cinema e sorvete.
• Peso na consciência: há solução na bondade para a corrupção?
9. MANHÃ COMO UM QUADRO.

• Impressão com a cidade da Bahia em contraste com as tristezas do homem.
• Questionamento sobre a falta de escola, educação para os pobres.
• O dom de Professor: a arte do desenho, pintura que não se aprende na escola.
• Crianças abandonadas X ladrões: contradição ótica de quem vê.
• O descrédito para uma mudança de vida entre eles. – Determinismo.

10. ALASTRIM.

• A doença: varíola (a bexiga negra).
• O isolamento dos enfermos no lazareto.
• A necessidade da vacina.
• A fúria de Omolu: contraem a doença e sofrem a rejeição do grupo.
• A lei da varíola: tinha que denunciar à Saúde Pública quem contraísse a doença.
• Padre José Pedro: é chamado a presença do cônego secretário do arcebispo no palácio Episcopal.
• A igreja contra os meninos desamparados.
• Ideias comunistas: o padre ao argumentar com o cônego é acusado de comunista por mostrar a realidade e injustiça de sociedade em relação aos Capitães da Areia.
• Questionamento do Padre José Pedro em relação à Deus e ao seu posicionamento.
• Crítica ao sistema do reformatório para crianças.
• Os terreiros de candomblés batem seus atabaques para pedir a Omolu que os livrem da bexiga.

11. DESTINO.

• Pedro Bala, filho do louro, homem com ideais marxistas, morto por ser revolucionário.

12. FILHO DE BEXIGUENTO.

• O preconceito com a varíola.
• Dora e Zé Fuinha: irmãos órfãos, depois de perder a mãe por varíola, ficam desamparados na sociedade.
• O acolhimento dos irmãos no Trapiche dos Capitães da Areia.
• O desejo por violação entre os meninos ao se depararem com Dora no meio deles. – A figura feminina como símbolo sexual.

13. DORA, MÃE.

• Dora é considerada mãe para os meninos: Gato se lembra da época em que ainda criança tinha a sua mãe.
• Lampião volta a narrativa como herói.
• A figura do sertanejo forte: Dora e Volta Seca.
• Pirulito: o desejo de ser puro e transformar-se em padre.
• Como uma alusão ao grupo de Lampião, Dora era a Maria Bonita da turma.

14. DORA, IRMÃ E NOIVA.

• Dora se veste como os meninos para ser considerada um membro dos Capitães da Areia.
• Dora decide fazer parte dos Capitães da Areia.
• A paixão de Pedro Bala e Dora.
• Briga de Pedro Bala contra um grupo rival. Grupo de Ezequiel.

15. REFORMATÓRIO.

• Manchete de jornal: prisão de Pedro Bala e Dora.
• Pedro Bala: reformatório para menores e Dora orfanato Nossa Senhora da Piedade.
• Violência: espancamento na polícia.
• Pedro Bala e Lampião: características em comum.
• Pedro Bala vai para o trabalho forçado no canavial.
• Maus tratos no reformatório.
• A fuga de Pedro Bala: manchete no jornal.
• Os sofrimentos de Pedro Bala.

16. ORFANATO.
• Dora: os sofrimentos.
• A fuga de Dora: febre que a consome.
• Emoção na fuga com Pedro Bala.

17. NOITE DE GRANDE PAZ.

• Dora agoniza com a febre que a devora sob os olhares dos Capitães da Areia.
• A mãe de santo D’Aninha faz a sua reza para espantar a febre.

18. DORA, ESPOSA.

• O candomblé: D’Aninha  X  padre José Pedro: catolicismo.
• A paz da noite: refletida nos olhos de Dora.
• A morte de Dora e a entrega para Pedro Bala: torna-se mulher.
• Momento de tensão e tristeza no Trapiche.
• Padre José Pedro reza junto ao corpo.
• Querido de Deus leva o corpo de Dora para ser jogado ao mar em seu saveiro.

19. COMO UMA ESTRELA DE LOIRA CABELEIRA.

• O desespero de Pedro Bala ao ver o corpo de Dora se afastar do areal para o mar.
• Pedro Bala nada a encontro de Dora: para ele a vida no Trapiche não há mais sentido.

20. VOCAÇÕES.

• Professor sofrendo por Dora: não vê mais sentido em sua vida no Trapiche.
• A saída de Professor do Trapiche em busca de uma nova vida: vai ser pintor no Rio de Janeiro.
• Pirulito deixa de fazer os afazeres dos Capitães da Areia, para trabalhar como engraxate.
• A concepção de que somente a união poderá resolver a problemática social dos meninos de rua.
• A penitência de Pirulito para se tornar puro, de Deus: ouve a voz de Deus que o chama.
• Padre José Pedro é chamado novamente pelo arcebispo: é designado a uma paróquia no sertão, onde nenhum padre quis ir: a punição da igreja.
• A despedida do Padre José Pedro dos Capitães da Areia na estação de trem.
• A dor da separação do padre.
• Boa Vida passa a ser músico, sambista e afasta-se aos poucos dos Capitães da Areia: vira malandro profissional.

21. CANÇÃO DE AMOR DA VITALINA.

• Solteirona cheia do dinheiro: (Joana).
• Plano para invadir casa e roubar.
• Sem Pernas se envolve com a solteirona: ela o ataca dom fome sexual.
• O roubo se concretiza e o Sem Pernas volta para o Trapiche, onde relata aos Capitães da Areia o que sucedera na casa de Joana.

22. NA RABADA DE UM TREM.

• Chegada de mulheres ao porto de Ilhéus: a alta do cacau.
• Os cabarés da época: El Dorado, Bataclan, Trianon e Farwest.
• Gato vai para Ilhéus e deixa de vez os Capitães da Areia.
• Volta Seca é preso e surrado na polícia.
• A ida de Volta Seca para Aracaju: temporada com os maloqueiros.
• A figura de Lampião como o novo Zumbi dos Palmares.
• Descrição do sertão e do sertanejo.
• Volta Seca se encontra com Lampião e torna-se membro do grupo de cangaceiro.
• Assalto ao trem.
• Volta Seca mata dois soldados.

23. COMO UM TRAPEZISTA DE CIRCO.

• Assalto à casa da Rua Rui Barbosa.
• Sem-Pernas suicida-se para não ser preso pela polícia.

24. NOTÍCIAS DE JORNAL.

• Notícia sobre um jovem pintor baiano. (pintor João José)
• A polícia de Belmonte prende Gato e o manda de volta para Ilhéus.
• Noticias do Boa Vida: numa festa da cidade de Palha, abre a cabeça do dono da casa com uma garrafa de cereja.
• Volta Seca: notícia do Jornal da Tarde: o mais cruel do grupo. Cada risco no fuzil era um corpo morto.
• A morte de Machadão, membro do grupo de Lampião: a escolha de Lampião entre Machadão e Volta Seca.
• A prisão de Volta Seca: condenado a 30 anos de prisão.
• O Determinismo na obra: Volta Seca se tornara cangaceiro, bandido, devido ao ambiente.

25. COMPANHEIROS

• Greve dos condutores de bonde.
• João de Adão: líder da greve.
• As mulheres valentes da Bahia: Rosa Palmeirão, Maria Cabaçu (descrição das duas), viraram santas nos candomblés da Bahia.
• Endeuzação de Dora.
• Pedro Bala comtempla o céu a procura da estrela de Dora.
• Operários em greve: condutores de bonde (negros, mulatos, espanhóis e portugueses).
• Encontro de João de Adão (grevista) com Pedro Bala e um estudante da Faculdade: Alberto.
• Palavras que impressionam: “Companheiro, a greve é a festa dos pobres”.
• Armação para impedir os furadores de greve.
• Batalha entre os fura greve X os Capitães da Areia.

26. OS ATABAQUES RESSOAM COMO CLARINS DE GUERRA.

• O estudante: relação com os Capitães da Areia.
• O reencontro de Pedro Bala e Gato.
• Planos de Gato de viajar para Aracaju.
• A voz da revolução no peito de Pedro Bala.
• Pedro Bala é aceito na organização e João Grande num cargueiro da Lóide.
• O destino dos Capitães da Areia mudou: passam a ser um grupo organizado que lutam em prol da liberdade e direitos humanos.
• Barandão é ordenado o novo chefe dos Capitães da Areia: saída de Pedro Bala do grupo.
• Ciclo rotativo dos Capitães da Areia.
• Nova geração de Capitães da Areia.

27. UMA PÁTRIA E UMA FAMÍLIA.

• Publicação em jornais de textos clandestinos.
• Pedro Bala é perseguidor pela polícia de cinco estados por sua postura de grevista.
• A prisão de Pedro Bala e a fuga como esperança para a classe operária.










ginaldo
Enviado por ginaldo em 25/05/2010
Código do texto: T2279945

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Sobre o autor
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