Livro: “Como Se Faz Uma Tese” de Umberto Eco. São Paulo: Perspectiva, 2003.


      O livro é quase um manual contendo instruções e dicas gerais sobre como fazer uma tese, desde a escolha do tema à redação final. O autor ainda dá dicas sobre a relação orientador-orientando. 


      Passos básicos

      1) Escolha do tema: “calibrar” o raio de enfoque, levando-se em consideração o interesse pessoal e as limitações logísticas e lingüísticas. Ter que ler outras línguas é uma boa oportunidade para aprender uma nova língua;


      2) Pesquisa do Material: busca e coleta da bibliografia;

      3) Plano de trabalho: elaborar fichas. Ler os autores na língua nativa (livros primários). A literatura crítica é um recurso para facilitar a compreensão das ideias do autor;

      4) Redação: começar pelo título e índice. O autor dá dicas sobre citações, notas e gramática; 


      Humildade e orgulho científico

      O que Eco chama de humildade científica é sempre considerar qualquer autor ou pessoa, podemos aprender com todos. Muitas vezes uma ideia, conceito ou perspectiva pode ser definitiva na solução de algum problema enfrentado na elaboração da tese. Os autores menores e qualquer outra possível fonte não pode ser nunca previamente descartada ou desconsiderada. Podemos encontrar diamantes onde menos esperamos.


      Orgulho científico é assumir abertamente os riscos de suas afirmações. Não deve-se hesitar mas, posicionar-se. Dentro do tema escolhido, mergulhar a fundo para ser a autoridade máxima, saber tudo sobre o assunto, ser literalmente o único no mundo a ter domínio completo, mesmo que o tema escolhido seja bastante limitado e pouco abrangente.


      Sobre a etiqueta erudita 

      “Não são, pois, normas vãs desprovidas de conteúdo, meros caprichos de teóricos. No esporte, na filatelia, no bilhar, na política, quem quer que empregue mal as ‘expressões chaves’ é olhado com suspeita, como uma espécie de intruso, alguém que não é ‘dos nossos’. É preciso amoldar-se às regras do grupo a que se deseja pertencer...”.


     
Considerações finais

      “O importante é fazer as coisas com gosto. E se escolheu um tema que lhe interessa, se decidiu dedicar realmente à tese o período, mesmo curto, que lhe foi prefixado (sugerimos um limite mínimo de seis meses), verá agora que a tese pode ser vivida como um jogo, como uma aposta, como um caça ao tesouro.


      Há uma satisfação esportiva em dar caça a um texto que não se encontra, há uma satisfação de charadista em encontrar, após muito refletir, a solução de um problema que parecia insolúvel.

      Viva a tese como um desafio. O desafiante é você: foi-lhe feita no início uma pergunta a que você ainda não sabia responder. [...] O autor que você escolheu não quer confiar-lhe o seu segredo, terá de assediá-lo, interrogá-lo com delicadeza, de fazê-lo dizer aquilo que ele não queria dizer mas que terá de dizer.“


Julho de 2004

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