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O que é Educação. Brandão, Carlos Rodrigues

O que é Educação – Brandão, Carlos Rodrigues – Editora Brasiliense, ed. 49- 2007- Coleção primeiros Passos.
     Para melhor entendimento da proposta deste trabalho, vejamos como o autor enumera o índice desta obra, percorrendo um trajeto histórico do tema desde o seu surgimento, até os dias de hoje, terminando com a ideia de que o tema Educação permanece como um assunto que não se esgota nunca. Pois é algo inerente ao homem, e assim sendo, está sujeito às variações comportamentais que permeiam a humanidade desde o princípio.
- Educações? Educação: Aprender com o índio
- Quando a escola é a Aldeia
- Então surge a escola
- Pedagogos, mestres-escola e sofistas
- A Educação que Roma fez e o que ela ensina
- Educação: Isto e aquilo, e o contrário de tudo
- Pessoas “ versus” sociedade: Um dilema que oculta os outros
- Sociedade contra Estado: Classe e educação
- A esperança na educação
- Indicações para leitura
     A educação é algo que faz parte da vida do homem, está em todos os momentos, em todos os lugares e o acompanha desde o seu nascimento até a sua morte, sendo, portanto, não uma educação apenas, mas um processo que engloba várias educações.
     Ela é o veículo condutor, mantenedor ou modificador das concepções de um povo, traçando diretrizes comportamentais, influenciando, agregando valores e desestruturando outros, colocando-se como geradora do saber humano, e estabelecendo a ideologia de um povo.
     A concepção tribal de educação se baseava num princípio diferente do que conhecemos hoje e estava relacionada não a escola, mas à ação efetiva do termo educação, estritamente ligada à concepção de vida, homem, saber, interligados entre si. Naquela  época, como também hoje, o homem aprendia  de dentro para fora, mas também de fora para dentro, através da observação, repetição, erros e acertos, passados de geração em geração, dentro de estruturas sociais previamente definidas e que garantiam a ordem, a continuidade e a sobrevivência do indivíduo.
     A Escola aldeia – ( Werner Jaeger) “ A natureza do homem, na sua dupla estrutura corpórea e espiritual, cria condições especiais para a manutenção e transmissão da sua forma particular e exige organizações físicas e espirituais, ao conjunto das quais damos o nome de educação (...). ( Werner Jaeger). O homem cria suas regras à medida que a complexidade social aumenta, estabelecendo parâmetros de aprendizado que tem um determinado fim.
     Os antropólogos, ao se debruçarem no estudo de tribos primitivas das Américas, da Ásia, da África e da Oceania constataram que estas mesmas culturas primitivas não conseguiam descrever educação para as cerimônias e rituais. Tudo era entendido como situação de aprendizagem.
     Para o sociólogo Émile Durkheim, “no regime tribal a educação estava difusa no clã, sem mestres nem inspetores, e o trabalho de fomentar a necessidade de aprendizagem dos mais novos era desempenhado pelos anciãos e pelo conjunto das gerações anteriores.”
     Observação, repetição, aceitação e premiação eram fatores presentes neste tipo de sociedade, e a educação era executada através de estímulos dirigidos: Observação livre, correção interpessoal, cerimônias, valores morais, conduta, formando um processo contínuo de endoculturação, onde os saberes de cada um eram passados como situações pedagógicas interpessoais.
     Ainda em algumas sociedades tribais, quando a sociedade se dividia em quem sabia e podia ensinar, e quem não sabia e precisava aprender e quando começa a distinção entre classes e o poder político se instaura, a educação se transforma em ensino, o que pressupõe a pedagogia. É neste momento que surge a escola.
     As hierarquias sociais formadas a partir desta detenção do saber, juntamente com o surgimento da escrita, começam então a separar o homem livre ou senhores, dos escravos. A concepção de escola, que ensina para ser rei, artesão, professor, guerreiro ou feiticeiro cria condicionamentos mais específicos, e estas sociedades tribais começam a realçar o seu modelo de educação de acordo com as necessidades que o poder determinava.
     As sociedades Ocidentais, tal como Roma e Atenas, também passaram pelo mesmo processo de educação tribal. Inclusive a Grécia, modelo da concepção atual de educação, nos primórdios também exerceu sua educação baseada no conceito tribal.
     Os pedagogos, Mestres-escola e sofistas gregos, conceberam posteriormente a educação, acompanhando o conceito de formação humana dividida entre homens livres e escravos. A Educação  Grega voltada para a polis, concentrada nos primeiros tempos em Atenas e Esparta, suas mais importantes cidades-estado, criou sua primeira escola primária em Atenas em 600 A.C, tendo como alavanca de sustentação a retórica de Platão. A divisão de classes e de saberes, como forma de representatividade social para o cargo que ocupava, começou a ser difundida. Mesmo dentro da polis, a organização em classes de Mestres, sofistas, pedagogos, artesãos, escravos, guerreiros ou senhores necessitava de organização para se estabelecer a base da democracia. Entenda por democracia nesta época, uma adequação clara e específica do papel de cada um dentro da sociedade.
     Em Roma, na península Itálica, a concepção de Educação também passou pelo mesmo processo tribal. Com o passar do tempo, e a sociedade sendo obrigada a dividir-se em classes, perdurou ainda uma educação de todos para todos. Os camponeses eram voltados para a comunidade, e havia uma distribuição do saber voltada para o bem comum. A família socializava o filho, e era ela quem tinha a obrigação de ensinar nos primeiros anos de vida, valorizando os laços afetivos, de boa conduta, morais e éticos que estes carregariam por toda a vida. O ensino elementar em Roma foi instituído por volta do século IV A.C
     Após o enriquecimento  da sociedade romana, surgiu o Estado, e com ele, as leis que também separava a sociedade em classes. No entanto, a concepção de Educação romana enaltecia os valores antes apregoados, de formação do saber na infância com os preceitos morais, éticos e sociais, e após, a formação do jovem especialista, totalmente preparado para o trabalho, ensinado de forma particular, sem a intervenção do Estado. Os pedagogos e mestres tinham a função de formar o futuro administrador das riquezas dos senhores, ou mesmo futuros dirigentes políticos do Estado, dadas as suas condições de posse e prestígio na sociedade.
     E por volta do século IV D.C surgiu a schola publica, a oficina do trabalho, a escola livresca e outras concepções de educação, que transferiram a educação romana para o Estado, sem deixar de considerar que a construção deste modelo teve inspirações gregas, mas particularmente centrada na continuidade do Império rico e próspero que se estabeleceu.
     As leis que nortearam a Educação no mundo, descritos como Pessoas versus Sociedade, estabeleceram o dilema de ocultação de um pelo outro em todos os tempos. Vários pensadores discutiram o tema, tais como: Legisladores, pedagogos, professores, estudantes, filósofos e cientistas sociais.
     O que existe em comum entre todos eles é o fato de tratarem a educação como sendo uma situação de adaptabilidade humana necessária e inerente à vida do ser mediante as mudanças naturais no processo de evolução, portanto, ideológica. Ou como simples  meio de manutenção das diferenças sociais e perpetuação dos sistemas de domínio no mundo.
     Vejamos algumas definições apresentadas pelo autor:
      “ Ação e efeito de educar, de desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais da criança e, em geral, do ser humano; (...) (Dicionário contemporâneo da Língua Portuguesa, Caldas Aulete).
     “ Ação exercida pelas gerações adultas sobre as gerações jovens para adaptá-las à vida social; trabalho sistematizado, seletivo, orientador, pelo qual nos ajustamos à vida, de acordo com as necessidades ideais e propósitos dominantes; (...) ( Pequeno Dicionário Brasileiro de Língua Portuguesa, Aurélio Buarque de Holanda).
     “ Art. 1º O ensino de 1º e 2º graus tem por objetivo geral proporcionar ao educando a formação necessária ao desenvolvimento de suas potencialidades como elemento de auto-realização, preparação para o trabalho e para o exercício consciente da cidadania”. ( Lei 5.692, de 11 de agosto de 1971).
     “ Os homens discriminados como negros, velhos, crianças, homossexuais, mulheres...descobrem que, nestes anos de dominação, a força imensa que mexeu e transformou a face do planeta nasce de cada oprimido, de cada explorado, de cada homem, de cada mulher. (...) Corações e mentes se abrem para uma nova vida. (...) Criar condições para que, através da manifestação de todos, possamos perceber os anseios, as contradições de cada um, do homem e de toda a sociedade. (...) Romper os limites, soltar a cabeça, as mãos, os pés, o corpo para a realidade inquieta, questionadora. (...) Destruir as regras do jogo. (...) Assumir o papel de agentes da História. (...) Representar a vida”. ( Voz ativa Cultural- grupo de candidatos a direção da UNE. )
     As leis do ensino (Lei 5.692 de 11 de agosto de 1971), garantem todos estes direitos e legisla sobre a obrigatoriedade do cumprimento desta lei, no âmbito da União, dos Estados, do Distrito Federal, dos Territórios, dos Municípios, das empresas, da família e da comunidade, garantindo os recursos para a promoção e o incentivo.
     Imaginamos que uma grande parte dos conceitos,  já tenha sido descrita como forma de se entender o que é educação, mas as contradições permanecem, e outras concepções surgem no meio filosófico:
     "A Educação não é mais do que o desenvolvimento consciente e livre das faculdades inatas do homem."(Sciacca);

     "A Educação é o processo externo de adaptação superior do ser humano, física e mentalmente desenvolvido, livre e consciente, a Deus, tal como se manifesta no meio intelectual, emocional e volitivo do homem". (Herman Horse);

     "O fim da Educação é desenvolver em cada individuo toda a perfeição de que ele seja capaz." (Kant);

     “É toda a espécie de formação que surge da influência espiritual." (Krieck).

     Em todo o mundo, portanto, criou-se um “utopismo pedagógico”, a partir do momento em que a Sociedade parece estar de um lado e o Estado do outro. Existem pessoas no mundo inteiro que consideram a Educação uma arma de controle político, e que deveria ser concebida apenas como a ideia de um processo de crescimento espiritual, físico, que resguardasse a essência humana do belo, da vida em comum, da divisão de riquezas e do bem estar de todos. E que deveria seguir o mundo em transformação, fornecendo ou tirando dele, as bases para a elevação humana, e preservação dos valores, da identidade dos povos.

     Investimento, mão-de-obra, capacidades técnicas, fragmentação do saber. Duas educações foram criadas, a da escola e a da oficina. Este processo é recente, ainda deste século, e os pensadores já estabeleceram a existência de escolas para ricos e pobres, mesclada com a falsa ideia de democratização do ensino. Ora, não é a gratuidade do ensino que vai encobrir as diferenças políticas entre liberais e conservadores, dominadores e dominados, pobres e ricos. O modo de produção capitalista impõe  as diretrizes dos currículos, maquia intenções, alia-se para depois confrontar, alimenta para depois tirar o pão.

     “ Educação bancária- educação de opressor “ ( Paulo Freire ). As pessoas são produto da educação, do meio, das diretrizes, do domínio do mais forte. É inegável que a Educação como tema de discussão social tem que percorrer um longo caminho ainda, mas é nela que existe a esperança do ser humano em perpetuar, ou pelo menos garantir, a permanência do ser tal qual ele é. E isto só será possível, quando as pessoas do mundo inteiro, da mesma forma que o mundo se transforma sempre, também busquem acompanhar os rumos desta mudança. E não se esquecerem  de pensar a educação como alma, corpo, componente da vida e que a impulsiona a descobrir, criar, mover-se.
Antonio Marques de O Santos
Enviado por Antonio Marques de O Santos em 25/11/2010
Código do texto: T2635408
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