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Resenha Crítica: PESQUISA NA ESCOLA: O QUE É, COMO SE FAZ

BAGNO, Marcos. Pesquisa na escola: o que é, como se faz. 23. ed. São Paulo: Loyola, 2009.

O ato de pesquisar consiste na busca do conhecimento a partir de fontes diversificadas, analisadas sob diferentes aspectos, tanto para aprender, quanto para ampliar o conhecimento. Diante disto, a pesquisa envolve procurar, diligentemente, respostas a questionamentos, corroborando, desta forma, para a elaboração do conhecimento.
A obra Pesquisa na escola: o que é, como se faz tem sua gênese na indignação de Marcos Bagno  diante da forma superficial em que as pesquisas escolares na maioria das vezes são encaminhadas. A partir de uma abordagem reflexiva, o autor apresenta sugestões no intuito de transformar a prática da pesquisa em sala de aula numa verdadeira fonte de aquisição de conhecimento.
Para sintetizar a ideia-chave que orienta a reflexão aqui estabelecida, tomaremos por empréstimo as palavras do autor:

"(...) a pesquisa é, mesmo, uma coisa muito séria. Não podemos tratá-la com indiferença, menosprezo ou pouco caso na escola. Se quisermos que nossos alunos tenham algum sucesso na sua atividade futura – seja ela do tipo que for: científica, artística, comercial, industrial, técnica, religiosa, intelectual... – é fundamental e indispensável que aprendam a pesquisar. E só aprenderão a pesquisar se os professores souberem ensinar (BAGNO, 2009, p. 21)".


Segundo as premissas de Bagno, no âmbito educacional, a pesquisa tem como especificidade produzir um conhecimento novo a respeito de um determinado assunto, relacionando os dados obtidos ao conhecimento prévio do aluno. Para que isso ocorra dois fatores são essenciais na obtenção do êxito neste processo: o aluno deve ser o sujeito de sua educação ao passo que, cabe ao professor atuar como mediador do percurso. O educador deve respeitar os saberes que os alunos adquiriram em sua história de vida, estimulando-os a sua superação por meio do despertar da curiosidade que os instiga à imaginação, à observação, a questionamentos, alcançando uma explicação epistemológica. Neste momento, para melhor ilustrar o que foi dito, cabe mencionar as palavras de Freire:

"Não há ensino sem pesquisa e pesquisa sem ensino. Esses que-fazeres se encontram um no corpo do outro. Enquanto ensino continuo buscando, reprocurando. Ensino porque busco, porque indaguei, porque indago e me indago. Pesquiso para constatar, constatando, intervenho, intervindo educo e me educo. Pesquiso para conhecer o que ainda não conheço e comunicar ou anunciar a novidade (FREIRE, 2004, p. 29)".

A escola tem a missão não de “transmitir conteúdos”, mas, de ensinar a aprender, criando possibilidades, indicando caminhos e, principalmente, orientando o aluno para que este desenvolva um olhar crítico e construa sua autonomia. A aprendizagem adequada amplia-se dentro do processo de pesquisa do professor, no qual ambos – professor e aluno – aprendem, pensam e aprendem a aprender.
Muito pensam, equivocadamente, que a pesquisa deve iniciar-se na fase acadêmica e apenas nesta fase a maioria dos estudantes é levada a produzir textos de usa autoria. Entretanto, essa prática deveria fazer parte do cotidiano escolar do aluno desde a Educação Básica, pois pode tornar-se uma grande aliada do professor no processo de ensino e aprendizagem. Junto às discussões diárias constitui-se num forte instrumento auxiliar para desenvolver a reflexão, o espírito argumentativo e a capacidade argumentativa do aluno.
Em sua obra, Marcos Bagno confere realce ao fato que a pesquisa, quando bem utilizada e encaminhada com vigor, valoriza o questionamento, estimula a curiosidade, alimenta a dúvida, supera paradigmas. Além disso, torna a aula mais atrativa, amplia os horizontes do conhecimento do aluno, desperta a consciência crítica que leva o indivíduo à superação e transformação da realidade.
Com nuances de criticidade, Bagno afirma que no Ensino Fundamental, onde se inicia a escolarização, pouca ênfase ou orientação são disponibilizadas aos educandos quanto ao direcionamento da pesquisa escolar. Para o autor, um dos fatores determinantes dessa concepção decorre da precária formação dos professores em suas graduações e a falta de trabalhar com o tema na formação continuada dos mesmos são indícios da desqualificação da pesquisa no Ensino Fundamental.
Outro fator preponderante que foi destacado na obra do autor supracitado é a necessidade de reflexão crítica sobre a prática educativa para evitar a reprodução alienada, promovendo possibilidades para o aluno produzir ou construir conhecimentos, pois “(...) ensinar não é transferir conhecimento, mas criar possibilidades para sua própria produção ou a sua construção” (FREIRE, 2004, p. 47). Mister se faz assinalar que o trabalho de pesquisa terá seu valor anulado se representar uma simples cópia, pois sua relevância dá-se a partir do momento em que se constitui em uma fonte para a reconstrução do conhecimento. Por conseguinte, o educando será capaz de fomentar sua capacidade de argumentação, criticidade e avaliação das diversas situações do conhecimento.
Ainda seguindo a linha do pensamento de Bagno, constata-se que o resultado da pesquisa deve ser o produto da interpretação do aluno diante das diferentes fontes obtidas para a pesquisa. É perceptível a necessidade de preparar os alunos para irem além – além do que falam os livros, além das possibilidades que lhes são oferecidas. Portanto, o professor deve preparar seus alunos para uma constante busca do conhecimento.
Os sujeitos da ação – professor e aluno – devem participar simultaneamente de todo o processo escolar, onde ambos juntos ensinam e também aprendem. É essencial que tanto o aluno quanto o professor se utilizem do ato da pesquisa como prática cotidiana, mas para a obtenção resultado é indispensável que as técnicas de pesquisa sejam discutidas e preparadas para que o processo seja consciente.
A pesquisa configura-se em instrumento basilar para a educação escolar, pois ao adquirir conhecimentos, o aluno capacita-se para intervir de forma competente, crítica e inovadora, na sociedade em que está inserido. Salienta-se que é preciso superar o uso exclusivo do método expositivo de dar aulas, ainda utilizados por muitos professores, em que estes se limitam à função principal de transmitir conhecimentos já elaborados, o que define como cópia, prejudicando o aluno, pois o transforma em mero objeto de ensino e instrução.
Bagno enfatiza que este espaço da sala de aula precisa ser repensado, transformado e o professor deve passar a se interessar pela aprendizagem de cada aluno, criando um relacionamento tranquilo e participativo. Neste contexto, é fundamental desenvolver o espírito de trabalho em equipe visando evitar competições individuais, considerando-se que a construção da cidadania depende de uma organização solidária.
Tendo em vista os argumentos apresentados neste trabalho, pode-se apreender a importância de a pesquisa ser trabalhada desde o Ensino Fundamental, pois “afinal, existem coisas que quando não são aprendidas desde cedo, deixam sempre ‘buracos’ na formação de um indivíduo” (BAGNO, 2009, p. 16). É essencial para a trajetória do estudante que a pesquisa seja estimulada e acompanhado desde as séries inicias, pois se trata da tradução exata do saber pensar e do aprender a aprender. Ao aluno, cria autonomia; ao professor, possibilita estar em constante atualização, conduzindo-o à reavaliação de sua prática, e se preciso for, reinventar seu caminho.
A obra analisada esclarece muitas dúvidas que certamente acompanham não apenas os professores, mas sobretudo os estudantes do Curso de Letras, auxiliando-os na compreensão sistemática acerca do tema abordado. Nessa perspectiva, estudos renovadores como os acometidos no livro de Marcos Bagno, tornam-se essenciais no progresso e na reformulação de muitos conceitos relacionados à pesquisa escolar, além de garantir conteúdos relevantes para a compreensão dos processos que permeiam a atividade de pesquisadora.

Referências:

FREIRE, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996.



Yoyô Barretto
Enviado por Yoyô Barretto em 08/05/2011
Código do texto: T2956068
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Sobre a autora
Yoyô Barretto
Euclides da Cunha - Bahia - Brasil, 37 anos
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