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RESENHA DO LIVRO: CRÍTICA DA RAZÃO PURA DE KANT


                                    VALTIVIO VIEIRA

Formação do Autor: Curso Superior em Gestão Pública, pela FATEC – Curitiba – PR; Licenciado em Filosofia, pelo Centro Universitário Claretiano – Curitiba – PR,  Licenciado em Ciências Sociais, pela UCB – Universidade Castelo Branco – Rio de Janeiro – RJ, Pós-Graduado em Ciências Humanas e suas Tecnologias; Contabilidade Pública e Responsabilidade Fiscal; Formação de Docentes e Orientadores Acadêmicos em Educação à Distância, e Pós-Graduando em Metodologia do Ensino Religioso, ambos pela FACINTER – Curitiba – PR.


                               SÃO BENTO DO SUL - SC
                                           2011

1. INTRODUÇÃO

Kant seguiu uma rotina rigorosa de trabalho e investigação filosófica sobre uma vasta gama de assuntos. Era uma rotina cumprida como tal regularidade que as pessoas diziam poder acertar os relógios de acordo com sua caminhada diária ao longo da rua que, depois, recebe seu nome. O empenho, que ocupou toda a vida de Kant, questionar o conhecimento estabelecido de forma critica, pode ser resumido em sua famosa afirmação: “Não se pode aprender filosofia; somente se pode aprender a filosofar”.
O pensamento para Kant, é a atividade intelectual através da qual o espírito humano forma conceitos e formula juízos. É a faculdade de julgar. Pensar e conhecer através de conceitos. As idéias para o mesmo autor são regulativas na medida em que estabeleçam as diretrizes e os marcos segundo os quais a razão deve proceder. Assim, não constituem o conhecimento, mas o regulam através dos marcos que estabelecem.
O problema desta resenha é será que existe o conhecimento a priori?
O objetivo desta resenha é mostrar a diferença do conhecimento à priori e a posteriori para o desenvolvimento cientifico e intelectual humano.
Nesta estão inseridos alguns dados biográficos do autor da obra, e vários conceitos que envolvem a Lógica Transcendental, conceitos este de a priori, a posteriori, juízos, categorias, tempo e espaço, intuição e sensibilidade.

2. RESENHA DO LIVRO: CRITICA DA RAZÃO PURA DE KANT

Emmanuel Kant (1724 – 1804) nasceu e viveu na pequena cidade de Königsberg, na antiga Prússia. Não casou nem teve filhos, falecendo aos 80anos. Era filho de um artesão que trabalhava couro e fabricava selas. Sua mãe, de origem alemã, embora não tivesse estudo, foi mulher admirada pelo seu caráter e pela sua inteligência natural. Sua família era do ramo pietista da Igreja Luterana, uma subdenominação que requeria dos fieis vida simples e integral obediência à lei moral. Kant, o quarto de onze crianças, entrou numa escola pietista na qual estudou por oito anos e meio.
Em 1740, aos dezesseis anos, entrou para a universidade de Königsberg, na qual estudou por cinco anos. Apesar de ter assistido a cursos de Teologia e até pregado alguns sermões, ele foi atraído mais pela Matemática e pela Física. Ajudado por Martin Knutzen, que havia estudado com Christian Wolff, um sistematizador da filosofia racionalista, e que também era um entusiasta da ciência de Isaac Newton, Kant começou a ler os trabalhos desse físico inglês. Aos 21 anos, Kant viu-se obrigado a buscar meios imediatos de se manter. Foi compelido a suspender os estudos universitários e ganhar a vida como tutor particular. Durante anos, manteve essa ocupação, atividade em que foi bem-sucedido e que lhe permitiu conviver com a sociedade mais influente e refinada de seu tempo.
A teoria kantiana do conhecimento pode ser considerada objetivista na medida em que mantém o valor objetivo das representações. Na filosofia kantiana, característica do conhecimento objetivo, ou seja, aquilo que o entendimento, com base nos dados da sensibilidade, constitui como objeto da experiência.
Razão teórica ou especulativa: em Kant, trata-se da faculdade dos princípios a priori, que em sua função critica tem o papel de estabelecer as condições de possibilidade do conhecimento. Já a razão pratica: a razão tal qual aplicada no campo da ação humana, permitindo que o homem tome suas decisões ao agir baseado em princípios.
O criticismo Kantiano, como ficou conhecido a corrente fundada por ele, caracteriza-se por um ataque as posturas dogmáticas e céticas, como se pode notar no segundo prefácio à Criticada Razão Pura:
A crítica opõe-se (...) ao dogmatismo, quer dizer, à presunção de seguir por diante apenas com o conhecimento puro dos conceitos apoiado em princípios, como os que a razão desde há muito aplica, sem se informar como e com que direito os alcançou. O dogmatismo é, pois, o procedimento dogmático da razão sem uma critica prévia da sua própria capacidade. Esta oposição da crítica ao dogmatismo não favorece, pois, de modo algum, a superficialidade palavrosa que toma a desproposito o nome de popularidade, nem ainda menos o ceptismo que condena, sumariamente, toda a metafísica. A critica é antes necessária preparação para o estabelecimento de uma metafísica sólida fundada rigorosamente como ciência, que há de desenvolver-se de maneira necessariamente dogmática e estritamente sistemática, por conseguinte escolástica (KANT, 1997, p.23).
A analítica para Kant é à parte da lógica transcendental (analítica transcendental) que tem por objeto a decomposição de nosso conhecimento a priori nos elementos do conhecimento puro do entendimento, isto é, das categorias.
Com relação a categorias, Kant retoma o termo, não mais se referindo ao ser, mas ao conhecer, para designar os conceitos do entendimento puro. Para ele, todo juízo pode ser considerado sob quatro pontos de vista: da quantidade, da qualidade, da relação e da modalidade.
Immanuel Kant, foi o desbravador do iluminismo alemão. O homem racional está presente em seus escritos com as devidas apologias que deveriam provir da letra de um iluminista. O seu racionalismo compreende que a razão é a eterna construtora das coisas.
Não é demais completar que, de acordo com Kant (1997, p.12-13), a razão humana não seleciona um agrupamento de individuos para se fazer valer. Ela está a serviço da humanidade que há em qualquer dos homens: “nunca é demasiado tarde para se tornar racional e sábio”.
A Lógica Transcendental é a “ciência das regras puras” para pensarmos os objetos. Na filosofia Kantiana, também caracterizada como filosofia transcendental, trata-se do ponto de vista que considera as condições de possibilidades de todo conhecimento. Nesse sentido não deve ser confundido com o termo transcendente. Kant denominava transcendental todo conhecimento que, em geral, se ocupa menos dos objetos do que de nossos conceitos a priori dos objetos. Um sistema de conceitos desde tipo seria denominado filosofia transcendental. Não se deve denominar transcendental todo conhecimento a priori, mas apenas aquele pelo qual sabemos que e como certas representações (intuições e conceitos) são aplicadas ou possíveis simplesmente a priori (“transcendental” quer dizer possibilidade ou uso a priori do conhecimento).
A advocacia favorável ao sujeito revolucionário é patente em outra passagem de sua Crítica da razão pura: “nem as leis existem nos fenomenos, mas somente relativamente no sujeito ao qual os fenomenos inerem na medida em que possui entendimento, nem os fenomenos existem em si, mas somente relativamente aquele mesmo ente na medida em que possui sentidos” (KANT, 1997, p.136). As leis não existem nos fenomenos o ente que lhes imputa uma legalidade é o sujeito.
Com o intuito de designar os conceitos do entendimento puro, Kant explica que todo juízo pode ser considerado sob quatro pontos de vista: da quantidade, da qualidade, da relação e da modalidade. Em Kant, o entendimento é a faculdade de julgar por meio de conceitos. Se a primeira fonte de nosso conhecimento é a sensibilidade, a segunda é o entendimento, poder de julgar, poder de conhecer não-sensível. Assim, na organização kantiana das faculdades, o entendimento é situado entre a sensibilidade e a razão. A sensibilidade, onde reinam as formas a priori do espaço e do tempo, é o lugar da intuição. No entendimento, as sensações são arrumadas em série pelas regras a priori das categorias. Enfim, a razão, “faculdade dos princípios”, tenta prolongar a serie por idéias “reguladoras”.
O conceito para Kant, nada mais é do que uma encruzilhada de juízos virtuais, um esquema operatório cujo sentido somente possuiremos quanto soubermos utilizar a palavra em questão. Ele distingue: a) os conceitos a priori ou puros (as categorias do entendimento), conceito de unidade, de pluralidade e de causalidade; b) os conceitos a posteriori ou empíricos (noções gerais definindo classes de objetos), conceito de vertebrado, conceito de prazer.
Na filosofia contemporânea a noção de juízo é derivada, sobretudo de Kant, que estabelece as seguintes distinções: 1) Juízo analítico: juízo em que o predicado ou atribuído está incluído na essência ou definição do sujeito. Ex: Todos os corpos são extensos; 2) juízo sintético: quando o predicado apresenta algo a compreensão do sujeito. Ex: Os corpos são pesados. Os juízos sintéticos, por sua vez, se dividem em sintéticos a priori, possuindo caráter necessário, mas ao mesmo tempo representando conhecimento, ex: os juízos matemáticos e as leis gerais da física; e juízos sintéticos a posteriori, aqueles que são simplesmente derivados da experiência.
Ainda segundo Kant, os juízos podem ser caracterizados: quanto à qualidade: afirmativos: “S é P” (Sócrates é sábio); negativos: “S não é P” (Sócrates não é sábio); indefinidos ou limitativos: “S é não P” (Sócrates é não-sábio), em que nega uma qualidade, sem, contudo atribuir uma outra que caracterize o sujeito. A distinção entre negativo e limitativo não é encontrada geralmente na tradição, sendo específica ao sistema kantiano, nem sempre aceita fora dele. Quanto à quantidade: universais: “Todo S é P” (Todo homem é mortal); particulares: “Algum S é P” (Alguns vertebrados são mamíferos); singulares: “Esse S é P” (Este homem é brasileiro). Quanto à relação: categóricos: “S é P” (Brasília é a capital do Brasil); hipotéticos: “Se S, então P” (Se chover, ele não virá); disjuntivos: “Ou S, ou P” (Ou ele virá ou não virá); Quanto à modalidade: assertóricos: “S é P” (José é carioca); problemáticos: “É possível que S seja P” (É possível que João seja eleito); apodíticos: “É necessário que S seja P” (Todo triangulo tem como soma de seus ângulos internos 180°).
 A lógica transcendental contém objetos da intuição, e para Kant, a intuição pura é uma forma a priori da sensibilidade, constituindo como o entendimento às condições de possibilidade do conhecimento. São duas as intuições: de espaço e de tempo, sendo que para Kant, o espaço é uma “intuição pura” ou uma forma a priori da sensibilidade, que dizer, não é uma construção do espírito nem tampouco uma realidade independente de nós, mas um dado original de nossa sensibilidade, algo que é constitutivo de nosso modo de perceber e sem o qual não poderíamos ter sensações distintas; porque dois objetos percebidos ou são sucessivos (intuição do tempo) ou são simultâneos (intuição do espaço), e o tempo para kant, é uma das formas puras da sensibilidade, sendo, portanto dado a priori, e constituído uma das condições de possibilidade de nossa experiência do real, o tempo não é outra coisa que a forma do sentido interno, isto é, da intuição de nós mesmos e de nosso estado interior, com o espaço e tempo possibilitando a unificação do sensível e a recepção de percepções.
Assim sendo, é necessário ultrapassar a lógica geral, pois a partir dela não se pode pensar num conhecimento; pelo fato dessa lógica não ter objeto, não nos acrescenta conhecimento algum.
Sendo um típico iluminista, Kant parte do idealismo subjetivo para conceder uma noção de livre-arbítrio. Segundo o filósofo (KANT, 1997, p. 480), o individuo possuiria o livre-arbitrio para buscar a prosperidade: “faze aquilo através do que  te tornarás digno de ser feliz”. Existe em cvada um de nós a liberdade pessoal para buscar a nossa própria prosperidade.
Contudo, o humanismo burguês de Kant conecta essa busca pessoal pela prosperidade  a um “ideal do bem supremo”.
O livre-arbitrio é movimento e restrito por uma moral generica que o faz agir para o bem do próximo: “ conduzidos por tais principios [da moralidade univeral], os próprios entes racionais seriam os autores de seu próprio bem-estar duradouro ao mesmo tempo em que seriam os autores do bem-estar do próximo” (KANT, 1997, p. 480-481)
Não foram poucas vezes em que Kant falou aos interesses da razão universal. Mesmo que sejamos livres para buscar a nossa própria  prosperidade, essa busca pessoal resultará inevitavelmente no bem-estar do próximo. Somos entes racionais e, por isso, há em nossa razão um sentido universal, uma moralidade que nos une enquanto gênero. O bem de cada um é o bem do próximo; não há na concepção Kantiana de homem um espaço para o egoísmo; o homem é racionalmente altruísta.

3. CONSIDERAÇÕES FINAIS

As coisas não possuem propriedades que não sejam imputadas pelo sujeito; em si mesma, a coisa não é patente ao conhecimento humano se não estiver diante do sujeito da razão que lhe atribua as suas representações. Todavia, não se enganem: Kant jamais recusou a presença real dos objetos concretos; apenas deseja resguardar para o sujeito a tarefa de conferir à realidade um conjunto de leis.
Kant nunca pôs em dúvida a existência real das coisas externas ao homem; o que recebe a sua recusa é que as coisas externas ao homem possuem uma dinâmica autônoma dos sujeitos. Conforme o seu próprio exemplo, o espaço e o tempo não são coisas em si mesmas, senão simples modos de representação.
Kant elabora uma espécie de idealismo subjetivo. As idéias dizem respeito aos sujeitos, aos homens individualmente. Cabe a subjetividade agir, conferindo, assim, o movimento à história. A história não possui em si mesma uma sucessão dinâmica. É o homem que atribui a ela esta sucessão.
Para Kant, não e possível fundar a ciência (que progride) na metafísica. Seu empreendimento crítico visa delimitar esses domínios. Mas o conhecimento cientifico não constitui um conhecimento das coisas em si, do real nele mesmo, pois se torna conhecimento apenas dos fenômenos. Portanto, a ciência perde toda legitimidade quando pretende falar para além de toda a experiência possível. Contudo, se o saber está todo do lado da ciência, nem por isso constitui o todo do pensamento nem tampouco do destino humano.
Kant reserva, ao limitar o saber, um lugar a crença. Portanto, com Kant, termina o velho sonho da filosofia, de construir, apenas pela razão, um discurso absolutamente verdadeiro, a ciência sendo apenas sua realização parcial e derivada. Doravante, somente a ciência conhece.
Conhecer não e mais contemplar um ser fora de nós, como um “em-si”, mas construir, somente podemos conhecer estruturas e os limites do espírito, isto é, somente a coisa para nós, tal como ela nos aparece: o fenômeno. É por isso que a metafísica, que pretende atingir a coisa em si, fracassa, pois seus três objetos, o Eu, o mundo e Deus, não correspondem aos dados da experiência.
Em Kant, são a priori, quer dizer, universais e necessárias, as formas ou intuições puras da sensibilidade (espaço e tempo), as categorias do entendimento e as idéias da razão.
Para Kant, é a razão prática que responde a pergunta “que devo fazer?”, estabelecendo os princípios morais quer regem a ação humana. Sensibilidade para Kant designa a receptividade da consciência, a capacidade de formarmos representações dos objetos graças à maneira pela qual estes nos afetam. A sensibilidade nos fornece assim a matéria dos fenômenos. Kant considera o espaço e o tempo como formas puras de sensibilidade, ou seja, condições de possibilidade de termos impressões sensíveis.

REFERÊNCIA

KANT, I. Crítica da razão pura. 4ª ed. Prefácio à tradução portuguesa, introdução e notas: Alexandre Fradique MOURUJÃO. Tradução: Manuela Pinto dos SANTOS e Alexandre Fradique MOURUJÃO. Lisboa: Fundação Calouste Gulbenkian, 1997
Valtivio Vieira
Enviado por Valtivio Vieira em 22/05/2012
Código do texto: T3681825

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Sobre o autor
Valtivio Vieira
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