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EDUCAÇÃO E MUDANÇA

* O Compromisso do Profissional com a sociedade

 O homem através da sua ação-reflexão com o mundo e si mesmo pode comprometer-se e comprometendo-se pode transformar a sociedade e transcender a alienação cultural.

* A educação e o processo de mudança social

O homem é um ser inacabado, por essa razão está em constante busca, essa busca é a educação. Desta forma, a educação deve estar intrínseca ao amor e a esperança, deve ser desinibidora e não restritiva, autêntica, autônoma e coletiva. Implica no ato do conhecer entre sujeitos. A conscientização é ao mesmo tempo uma possibilidade lógica e um processo histórico ligando teoria com práxis num processo indissolúvel. A educação não é o motor da transformação social e política e nem reproduz mecanicamente a sociedade, ela é essencialmente um ato de conhecimento e conscientização e que, por si só não leva uma sociedade a se libertar da opressão.O sistema instrucional não modifica a sociedade, ao contrário, a sociedade é que pode mudar o sistema. A luta de classes não é uma soma zero num jogo onde a vitória do oprimido constitui a derrota do opressor, mas sim a práxis com significado universal e mais diretamente ganho universal.

* O papel do trabalhador social no processo de mudança

O papel do trabalhador social se dá na estrutura social que é constituída pelo jogo dialético mudança-estabilidade e dinamismo-estático. A mudança não é um trabalho exclusivo de alguns homens, mas dos homens que a escolhem. Tentar a conscientização dos indivíduos com quem se trabalha, enquanto com eles também se conscientizam é o papel do trabalhador social que optou pela mudança.

* Alfabetização de adultos e conscientização

 Posto diante do mundo, o homem estabelece uma relação sujeito-objeto da qual nasce o conhecimento. Esta relação é feita também pelo analfabeto. A diferença entre a relação que ele trava neste campo e do alfabetizado é que sua captação do dado objetivo se faz pela via preponderantemente reflexiva. Então é necessário que essa captação mágica do analfabeto seja transformada em crítica, fazendo o homem sentir que é capaz de superar a via dominantemente reflexa e renunciar ao papel de simples objeto e exigir ser o que ele é por vocação: sujeito. Isso pode ser feito, segundo Paulo Freire através de um método ativo, diálogo, crítico e participante, na modificação do conteúdo programático da educação, no uso de técnicas, como a de redução e de codificação. Consciência é intencionalidade em direção ao mundo.Quando a consciência aparece, há reflexão, há intencionalidade em direção ao mundo. "Não podemos apenas saber, mas saber que estamos sabendo".
 
* O conhecimento e a escola

O conhecimento deve ser um bem imprescindível à produção da nossa existência, por isso ele não pode ser “objeto de compra e venda”, cuja posse fique restrita a poucos. Deve constituir-se numa ferramenta essencial para intervir no mundo. Conhecer é descobrir e construir, não copiar. A escola constrói saber que é poder, o seu papel consiste em colocar o conhecimento nas mãos dos excluídos de forma crítica, porque a pobreza política produz pobreza econômica.

* Humanização

A humanização é a nossa vocação ontológica, é libertar a humanidade, incluindo os opressores e aqueles como os professores que são recrutados pela elite paternalista para trabalhar com os oprimidos, mas que, sem reconhecer, perpetuam o domínio através do ensino.

* Inclusão digital

As novas tecnologias, assim como a educação, podem ser voltadas para propostas de opressão ou de libertação; podem ser empregadas em propostas críticas, dialógicas e libertadoras, assim como ser uma arma perversa de exclusão social.
 
 
* Conclusão
 
 
Paulo Freire não foi um educador, mas o EDUCADOR. Suas idéias abriram e continuam a abrir portas para a implantação de uma sociedade mais igual, menos racista, machista, preconceituosa, elitista e exclusiva. A educação tem um papel importante no processo de mudança social, porém sozinha ela não pode fazer muita coisa e ainda pode se tornar um agente de “superseleção” e de exclusão. A conscientização aliada ao fim do neoliberalismo e do compromisso sincero e fiel pode alavancar essa tão sonhada mudança social de Paulo Freire.
 
 
* Bibliografia
 
 
 
MCLAREN, Peter.LEONARD, Peter.GADOTTI, Moacir.Paulo Freire: Poder, desejos e memórias da libertação.Tradução Márcia Moraes. Porto Alegre: Artmed, 1998.
 
FREIRE, Paulo.Educação e mudança.Tradução Moacir Gadotti e Lílian           Lopes Martin.Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1979. Coleção Educação e Comunicação, vol.1.
Catia Assis
Enviado por Catia Assis em 28/08/2007
Reeditado em 16/10/2010
Código do texto: T627677
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre a autora
Catia Assis
Salvador - Bahia - Brasil, 31 anos
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