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Morte e Vida Severina

Morte e Vida Severina e outros poemas para vozes foi escrito a pedido de Maria Clara Machado especialmente para o teatro por João Cabral de Melo Neto considerado pela a crítica como geraçao de 45 apegado a poesias artesanais e rigor formal, seus temas são em geral preocupados com a problemática e a poesia.
Severino filho de Maria do finado Zacarias, igual a tantos que havia de cabeça grande, ventre protuberante, e pernas finas que morriam de fome e de outras coisas ruins antes dos trinta na Serra da Costela nos limites da Paraíba, resolve sair em retirada daquele lugar que pra ele não havia vida, em busca de um lugar melhor pra viver.No início de sua jornada encontra dois homens carregando em uma rede com um defunto e quis saber do que o defunto morrera, ficou sabendo que defunto morreu em uma emboscada só por querer expandir suas terras, que eram poucas entre as pedras da caatinga e nem planta brava dava por lá, despertou a inveja e a cobiça de uma espingarda com uma ave bala que lhe tirou a vida.
 Severino segue seu caminho que aprendeu em casa e mais parecia um rosário tendo como guia o Rio Capibaribe percebeu então não ser tão fácil a jornada até seu destino teve medo de não conseguir, pois nem o rio colaborava em seu trajeto, não via ninguém em seu trajeto, prossegue seu caminho, encontra uma casa onde cantam excelências para um defunto, as pessoas cantam e parodiam ao defunto. Severino segue seu e cansado da viagem pensa em interrompe-la e procurar trabalho na vila onde se encontra. Analisa sua trajetória e nota que a morte o seguia desde que saiu, se a vida é dura para um retirante é muito pior. Avistando uma mulher em uma janela parou e perguntou se por ali havia algum trabalho que ele podia fazer, disse a ela  muitas coisas que fazia  e em que podia trabalhar; lavrava, plantava, arava e colhia a terra, pastoreava o gado e ate cozinhava, a mulher o decepcionou com sua resposta, ali havia muito trabalho para quem com a morte sabia lidar, ela mesma era a rezadeira titular da região e ali quem ajudava a morte não  ficava sem trabalho , pois um dia todts vão encontra-la. Severino segue sua jornada e chega a Zona da Mata, reanimado por encontrar uma terra úmida com tanta água e cacimbas, sem o povo a sofrer nas ruas, imaginou que ali o povo envelhecia e o cemitério quase não funcionava, mas assistiu o enterro de um homem e os comentários de seus amigos ao enterra lo e concluíam que aquele chão que era sua ultima morada era muito  melhor que a vida que teve.
 O retirante não da ouvidos e segue sua viagem ate o Recife em busca de uma vida melhor já que na caatinga chegou aos vinte e retirou se, não por cobiça e sim por querer saborear a vida e envelhecer. Ao chegar ao Recife descansou junto a um muro e escuta a conversa de dois coveiros que reclamam, um querendo ser transferido e o outro a criticar seu trabalho, ambos novamente discutem a morte; a morte do rico e a morte do pobre, a cova do rico e a cova do pobre e o sofrimento do rico e o sofrimento do pobre. Severino não gosta da conversa e procura  um cais dali para pensar, quando se retirou da caatinga não esperava muita coisa por lá, também não pensou que ali não teria muita diferença, pensou que ali seria um pouco melhor, teria mais água, mais vestes, mais casa,porem seu próprio enterro seguia desde sua retirada. Foi quando encontrou Mestre Jose Carpina outro retirante que morava em um dos manguezais dali e foi logo perguntando sobre o rio e mataria um homem e ficaram discutindo sobre a morte pelos braços do rio e a vida pelo leito do rio. Neste instante surge em uma  janela uma mulher a reclamar e avisar que enquanto eles discutiam o filho de Mestre Jose Carpina gritava pela a primeira vez para a vida. E todos os vizinhos, amigos e conhecidos celebravam a chegada do menino, levando presentes sem muito valor, mas por serem pobres passam a ter muito valor duas ciganas profetizavam futuro do menino em visões diferentes, uma com uma triste sina e outra nem tão triste assim, todos que ali compareciam alegravam se com a chegada da criança. Aproveitando a situação e alegria de todos Mestre Jose Carpina mesmo sem saber resposta certa à pergunta de Severino foi respondendo ao amigo;Mesmo a vida sendo sofrida,ingrata, muito severa todos a desejam e a vida teimosamente nos da provas que vale a pena ser vivida seja ela Severina ou não, por que a morte essa é Severina e vem sempre á nosso encontro sem ser desejada.
Morte e Vida Severina é antes de tudo um ponto de partida para reflexões sobre as formas de se viver, o personagem Severino sai de sua terra natal onde julga não valer a pena viver, em busca do que para ele é o lugar ideal oa vida coloca em seu caminho toda sua severidade, quando percebe que a terra tão sonhada não existe como ele sonhou Severino questiona a própria existência e pensar não valer a pena viver, mas como vida é sabia resolve mostra aquele retirante desiludido que mesmo com todo seu sofrimento e desacalanto a morte ainda é mais severa não é preciso procurar ou desejar, por que ela chega sem prévio aviso, mas a vida essa é esperada, celebrada desejada e em todas as suas configurações vale a pena ser vivida. Morte e vida Severina também nos da uma nova dimensão das problemáticas não só do nordeste, mas também de nossos próprios sonhos será que passando tanto tempo buscando, desejando quando alcançamos ficamos felizes com nossas realizações?
Morte e vida Severina é uma leitura para todas as idades, porém exige um pouco de paciência e interesse do leitor, superados esses obstáculos  nos leva a pensar em suas rimas e problemáticas da morte, ao logo da leitura podemos identificar momentos de nossas próprias vidas dando a cada leitor uma visão  peculiar.


Bibliografia:

Melo Neto, João Cabral de: Morte e Vida Severina.Rio de Janeiro: Editora Fronteira,1994.































Rose Costa Bravo
Enviado por Rose Costa Bravo em 01/12/2007
Código do texto: T761146
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Sobre a autora
Rose Costa Bravo
Guarujá - São Paulo - Brasil
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