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SÉCULO XX O SÉCULO DO IMPERIALISMO - EMIR SADER

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Obra do escritor Emir Sader aponta o capitalismo como o responsável pelos conflitos desencadeados entre as nações do mundo

No livro “Século XX – Uma Biografia Não Autorizada – O Século do Imperialismo” (Editora Fundação Perseu Abramo), Emir Sader apresenta uma retrospectiva política do século XX, apontando o capitalismo como o maior responsável pelas crises e conflitos que marcaram o período, e a hegemonia de alguns países imperialistas em detrimento dos menos afortunados.  Compara ainda os reflexos do capitalismo e do socialismo, representados respectivamente pela Inglaterra após a Revolução Industrial e Estados Unidos, e pela União Soviética após a Revolução Russa.

É a partir do conflito dos ingleses contra a África do Sul (Bóeres) e a China (Boxers) que o autor inicia a viagem histórica pelo século. O sucesso nas batalhas permitiu à Inglaterra impor sua cultura naqueles países, mesmo tendo se criado um preconceito exacerbado, principalmente em relação à África do Sul, onde a maioria da população é de etnia negra. Diferentemente do colonialismo da época das grandes navegações, a Inglaterra valeu-se do imperialismo, ou seja, a conquista de novos territórios por meio de invasões e força coercitiva. É esse imperialismo que vai marcar grande parte do século.

Com a ascensão dos Estados Unidos, a Inglaterra apresentou uma decadência, e os norte-americanos passaram a influenciar todo o mundo por meio de sua cultura de dominação. O êxito do capitalismo propiciou o surgimento de ideologias políticas de oposição – o socialismo – que, embora tenha se originado das idéias de Karl Marx, agiu com maior clarividência a partir da Revolução Russa de 1917. A revolução, que teve como principal dirigente bolchevique Lênin, foi tão importante que resultou num crescimento incontestável da economia russa. A nova União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) confirmou-se como o maior centro socialista do mundo contemporâneo. Mesmo com a morte de Lênin em 1924 e a sucessão de Josef Stalin, o país continuou com o regime. Com o final da 2ª Guerra Mundial e o triunfo da Revolução Chinesa em 1949, a União Soviética passou a ser reconhecida como potência mundial, juntamente com os Estados Unidos e a Inglaterra. Iniciava-se o período denominado de “Guerra Fria”, com os ideais socialistas defendidos pelos soviéticos batendo de frente com o capitalismo norte-americano. O planeta, nitidamente, dividia-se em dois blocos antagônicos, e as divergências entre os Estados Unidos e a União Soviética iriam gerar diversos focos de conflitos pelo mundo, como forma de cada um ampliar seu poder e difundir seus ideais políticos. Até o espaço tornou-se um campo a ser explorado, e o sucesso da corrida espacial permitiria ao país conquistador a ascensão e o reconhecimento tecnológico no planeta. Por fim, o capitalismo sagrou-se vencedor, tendo como importante precedente a crise ocorrida no Leste Europeu, onde a maioria dos países adotavam o regime socialista. A queda do muro de Berlim, reunificando a Alemanha, dividida politicamente desde 1949, foi um marco histórico importante na vitória do capitalismo frente ao socialismo. A abertura política e a independência das ex-repúblicas socialistas extinguiram com a União Soviética, já no governo de Boris Yeltsin em 1991. Entretanto foi durante o governo de Gorbachev que a Guerra Fria chegou ao fim. Atualmente apenas dois países ainda são governados sob regime socialista: Cuba e Coréia do Norte. Anteriormente à Guerra Fria, também houve a ascensão alemã que,  por intermédio de um regime ditador – nazismo de Adolf Hitler – impôs seu domínio a grande parte da Europa.

O domínio exercido por alguns países desencadeou uma grande crise social nos países que compõem o bloco do “terceiro mundo”. A irregularidade da distribuição de renda é um dos maiores exemplos dessa discrepância entre os que dominam e os dominados. A liberdade política e econômica dos países emergentes tornou-se utópica, uma vez que ficaram à mercê dos poderosos. No caso específico da América Latina, o domínio norte-americano se expressou de forma mais direta a partir da vitória na guerra contra a Espanha em 1898, possibilitando a intervenção na região caribenha (Cuba, Porto Rico, Filipinas e Ilhas Gwam). Com o tempo, a hegemonia dos Estados Unidos também influenciou os costumes, a política e a economia dos países que compõem o continente sul-americano.

As revoluções ocorridas na América Latina, principalmente a Cubana de 1959, tornou o país um foco socialista no continente, aderindo-se à União Soviética e se libertando do jugo norte-americano. Se por um lado a ilha de Fidel Castro prosperou, por outro estagnou. Che Guevara, o maior líder da Revolução Cubana, morreu sem realizar o sonho de construir um centro de coordenação dos movimentos revolucionários, que começavam a surgir no continente latino-americano. Contudo, sua mensagem e imagem o tornaram um símbolo de rebeldia e da luta por uma sociedade mais justa.

O século XX pode, portanto, der definido como o “século das guerras” ou ainda contado como a “história do capitalismo norte-americano”. Mas será que o capitalismo representa o regime ideal? Apresenta suas falhas, partindo do princípio que mais de dois séculos não foram suficientes para se conquistar a liberdade, igualdade e fraternidade. Para a indústria bélica norte-americana, as guerras são sempre um grande atrativo, pois o país detém mais de 40% da produção mundial.

Os conflitos do final do século apenas confirmaram o poderio de fogo inquestionável dos Estados Unidos. Com a hegemonia mundial ameaçada, a economia e sistema de defesa abalados, os norte-americanos trataram logo de se impor e a guerra contra o terrorismo ganhou grande notoriedade. A manipulação da opinião pública os levou à condição de vítima, o que não condiz com a realidade. Talvez essa seja a estratégia, distorcer os fatos com o propósito de persuadir a população mundial. Embora seja uma atitude que causa indignação, não se pode negar que é uma campanha de marketing muito bem elaborada.

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JDM
José Donizetti Morbidelli
Enviado por José Donizetti Morbidelli em 09/01/2006
Reeditado em 17/04/2013
Código do texto: T96427
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
José Donizetti Morbidelli
São Paulo - São Paulo - Brasil
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