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A Inquisição da Rosa

Joana d’Arc formou seu exército partindo da escolha dos homens mais cruéis de sua amada França. Eles a serviram totalmente, como que enfeitiçados por sua coragem e bondade, sua vontade firme e silenciosa; sua persuação.

Dos homens despatriados surgiram bravos e fiéis guerreiros que, por amor à pequena bela menina, defendiam-na ferozmente e Sua França também. A sinceridade da Rosa de Domrémy, sua visão intuitiva e voz de comando pacífica - guiada por outras vozes – transformou homens sem alma em fiéis escudeiros, que lutaram bravamente, sem duvidar um só minuto da veracidade das palavras da Rosa pequenina.

Considerada bruxa por ouvir vozes de anjos e santos, conseguiu levar as mensagens ao Rei da França, após tantas tentativas e desafios enfrentados por tiranos que não desejavam a vitória do Rei; mesmo assim Joana conseguiu superar os desafios, levando a mensagem de São Miguel Arcanjo, o Chefe dos Exércitos do Céu.
A Donzela foi nomeada General Comandante-em-Chefe dos Exércitos pelo Rei da França. Venceu a guerra e devolveu a coroa prometida ao Rei. Derrubou um domínio de mais de um quarto de séculos onde o exército Inglês esmagou o exército francês e dominou toda a França, inclusive o Rei.

A pequena Rosa de Órleans possuía olhos de ver; sabia ler a alma dos homens e selecionava seus subordinados a partir de sua avaliação infalível. Para cada um dos seus soldados escolhidos, ela sabia exatamente qual posto eles iriam ocupar. Colocava as pessoas em seus lugares certos e desta maneira conseguiu suas vitórias.

Seu exército era composto por velhos saqueadores, soldados que deserdaram; diabos em forma de gente. Trouxe para encabeçar seu exército um furacão militar; fanfarrão, descrente, irreverente. Resgatou o “Próprio” das profundezas para controlar aquele bando de demônios ruidosos.


A INQUISIÇÃO

A memorável inquisição que entrou para a história, foi chamada de “O GRANDE JULGAMENTO”. Cinqüenta raposas matreiras contra um cordeiro e ninguém para ajudar o cordeiro.

Após a leitura do sumário das acusações e o relato das suspeitas que fundamentavam, foi pedido à Donzela – tranqüila e digna -, que ajoelhasse e jurasse responder com a verdade a todas as perguntas.

Joana: - Não. Não sei que perguntas me serão feitas. O Senhor pode me perguntar coisas que não quero responder. –
Falou com a simplicidade que costumava desarmar armadilhas montadas.

Juiz: - Em Nome do Senhor, exigimos que cumpra logo esse procedimento legal!!! Jure com suas mãos sobre o Evangelho que responderá com a verdade às perguntas que lhe forem feitas!

Joana: - Responderei a todas exceto as que diz respeito |às revelações que recebo de Deus, fui proibida, pelas vozes, de falar delas a qualquer pessoa que não a um Rei...e eu jamais as revelarei, ainda que o Sr., corte a minha cabeça!

A bela Rosa manteve-se serena e indiferente, enquanto o Juiz e a metade da corte gritavam e xingavam interrompendo a sessão

Juiz:- Você está causando confusão demais na corte!!! Já perdemos muito tempo...Jure então pelo que bem entendes!

Joana pôs-se de joelhos e colocando a mão sobre o Evangelho e fez seu juramento

Juiz: - Nome? Endereço? Onde nasceu? Fale-me de sua família...Qual sua idade? Qual a sua formação?

Joana respondeu a todas as perguntas e concluiu: “Aprendi com minha mãe o Pai-Nosso, a Ave-Maria e o Credo. Tudo que sei foi ensinado por minha mãe”

Durante um bom tempo foram feitas perguntas genéricas e todos já estavam cansados.

Juiz: - Você está proibida de tentar fugir da prisão, sob pena de ser acusada de heresia.

Joana: - Não me sinto moralmente obrigada a aceitar essa proibição. Se eu pudesse fugir, não me repreenderia por isso, pois não prometo coisa alguma, nem prometerei! É verdade que quero fugir. Esse é um direito de todo prisioneiro!

A filha de Domrémy afastou-se do tribunal em meio a um impressionante silêncio que tornou ainda mais dramático e aflitivo o ruído das patéticas correntes. Haviam dois de seus homens de fé do seu exército no julgamento e em nenhum momento ela revelou algo sobre eles ou sobre o seu exército. Preservou-os. Era como se eles não existissem,

Várias outras sessões foram realizadas e em todo o início delas vinha a insistência do juramento ao Bispo. Joana não recuava. As perguntas armadas para que fosse acusada de heresia, de bruxa, de louca, de homem -talvez pelo fato de sua virgindade – não a abalavam.

Joana: - Eu venho de Deus e nada mais tenho a fazer aqui. Devolvam-me ante a Deus, pois meu lugar é junto a Ele.

A pequena rosa foi atacada pôr todos os lados. O seu julgamento baseava-se nas “doze mentiras”

Após uma seqüência de julgamentos e maltratos, Joana começou a adoecer. O Conde de Warwick e o Cardeal inglês (Winchester) apressaram-se em mandar buscar um médico no castelo e disse: “Cuidem que nada aconteça a ela. O Rei da Inglaterra não tem a menor intenção que ela tenha morte natural. Pagou muito caro pôr ela e só quer que ela morra na fogueira. Então...é bom cuidar dela!!!”. Havia suspeita de envenenamento, levantada pela donzela.

Juiz: - Abjure, Joana!

A rosa de Órleans não sabia nem assinar o seu nome muito menos o que seria abjurar.

Juiz: - Abjure imediatamente ou será queimada viva neste momento!

Todos os padres ali presentes a pressionaram: Assine! Assine!..

Joana assinou com a tinta impressa em seu dedo, sem entender de que se tratava e logo após escutou as terríveis palavras do ultimato

Juiz: - ...e para que ela possa arrepender-se de seus crimes e nunca mais os repita, fica condenada à prisão perpétua, onde comerá pão e beberá a água dos presos.

A donzela fora traída mais uma vez e levada para a masmorra por mãos inglesas.

RESPONSA MORTIFERA (Resposta Fatal)

Ao ser perguntada mais uma vez sobre as vozes eis que a pequena lançou sua resposta sem saber que esta seria sua sentença final

Joana:- Minhas vozes me disseram que eu agi errado ao renegar minha missão.

Deu um suspiro e concluiu com simplicidade:

Joana: - ...mas deve ter sido o medo da fogueira que me fez fazer isto; assinar um papel cujo conteúdo desconhecia.

Ali afirmando a revelação de suas vozes e perante o testemunho dos seus algozes, confirmou que Deus falava com ela por intermédio de Santa Margarida e Santa Catarina; neste momento, traçou seu final.

A FOGUEIRA

Joana pediu como último desejo um crucifixo para rezar, no que foi tratado com desdém. Por sorte, um soldado inglês partiu um graveto em dois, amarrou-os na forma de cruz de deu a ela ao qual se agarrou e rezou. Milhares de pessoas choravam e rezavam por ela.

Diante da própria morte, a pequena donzela rezava pelo rei. Sua voz erguia-se, meiga e clara, ecoando em todos os corações a emoção com que se dirigia a Deus. Não falou em nenhum momento das traições que ele cometera contra ela, do abandono em que a deixara, não lembrou nem mesmo que de que era exatamente por causa da sua traição que ela teria, pouco depois, uma morte terrível. Ao terminar sua reza suplicou com palavras humildes e emocionantes, que todos ali presente rezassem por ela e que a perdoassem.

Se alguém pensou que naquele momento solene, quando todos os transgressores se arrependem e confessam seus erros, Joana voltaria atrás, enganou-se. Ela não retirou o que sempre disse conscientemente e não atribuiu seus feitos a Satanás e seus demônios. Isso jamais passou pôr sua cabeça maravilhosa. Ela não pensava em si mesma ou em seus problemas, mas nos outros e nos males que pudesse recair sobre eles. Foi por isso que, percorrendo com seus olhos tristes a massa humana diante de si, até onde erguiam-se as torres e os telhados pontiagudos daquela cidade, ela disse pela última vez, como num último suspiro, carregando um chapéu em sua cabeça com as palavras: HEREGE, PERJURA, APÓSTATA, IDÓLATRA:

“ – Oh, Rouen, Rouen, devo mesmo morrer aqui? Deves mesmo ser meu túmulo? Ah, Ruen, Rouen, temo pelo que possas sofrer por minha morte...” – e continuou: “Água! Dêem-me água benta!.

Joana entregou a Cruz para o frade pedindo que ele a erguesse diante de seu rosto para que seus olhos nela encontrassem a esperança e consolo até que Deus a levasse para Sua paz e de dentro daquelas chamas ouviu-se sua voz, clara e firme, dizendo uma oração.

Finalmente uma grande labareda misericordiosa ergueu-se de repente e ninguém pôde mais ver aquele rosto.

Sua voz silenciou.


Rose de Castro
A 'POETA'

Rose de Castro
Enviado por Rose de Castro em 06/07/2006
Código do texto: T188933
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Sobre a autora
Rose de Castro
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
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Rose de Castro