VULCÕES

Tudo é frio e gelado. O gume dum punhal

Não tem a lividez sinistra da montanha

Quando a noite a inunda dum manto sem igual

De neve branca e fria onde o luar se banha.

No entanto que fogo, que lavas, a montanha

Oculta no seu seio de lividez fatal!

Tudo é quente lá dentro…e que paixão tamanha

A fria neve envolve em seu vestido ideal!

No gelo da indiferença ocultam-se as paixões

Como no gelo frio do cume da montanha

Se oculta a lava quente do seio dos vulcões…

Assim quando eu te falo alegre, friamente,

Sem um tremor de voz, mal sabes tu que estranha

Paixão palpita e ruge em mim doida e fremente!

Soneto Vulcões de Florbela Espanca

Paola Bittencourt
Enviado por Paola Bittencourt em 26/07/2008
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