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Testamento nuncupativo de um poeta

Deixo encardido, sem assinatura,
este soneto, vão, defectivo...
deixo também um coração, cativo,
pra quem quiser fazer sua leitura.

Como uma fruta que ficou madura,
passou do ponto e apodreceu,
este soneto, assim como eu,
desintegrou-se em sua estrutura.

Perdeu o viço, o brio, a candura...
encalacrou-se em minha sepultura
como para provar-me que existira.

Inda que queira não farei censura,
pois estaremos na mesma fundura
a dar aos vermes toda nossa lira.
Herculano Alencar
Enviado por Herculano Alencar em 02/04/2006
Código do texto: T132488
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Herculano Alencar
São Paulo - São Paulo - Brasil, 63 anos
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