ESTRELAS PEREGRINAS
 
E nunca nesta vida, o sonho, tão presente,
deixei que me fugisse, ao tempo, a cada instante,
tropel driblando a trave, instigante, esfuziante,
do poente chamejante, às alvas, sorridente.

Sem melindres, em taça, ergui-o, refulgente,
vinho de fino trato a servir-se, expectante,
viajeiro da esperança e em brilho, cativante,
a fênix que em renovo, o charme não desmente.

E voa, sonho, voa... e constrói teu carinho
na forquilha mais alta e galho enfolharado,
assim não o destrua, o vento ou mãos ferinas.

E qual ave 'inda implume em quente, fofo ninho,
emplumarás o lume, o viço, o teu brocado
sob a prata da lua e estrelas peregrinas!
 
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01/03/2002
(In Mares Afora... , VipWork Editora, p. 24