NINHO

Ouvia no oco vazio do silêncio, ecos das lembranças,

dos amores que ludibriaram sonhos e a vontade de amar.

Eram ruídos murmurantes, como escoar de águas mansas,

perseverantes e como se demarcassem no tempo, o lugar.

Não se adivinhava do seu movimento simulando danças

e nem se cogitava, contudo, dos desvios por onde rumar,

retrocedendo à margem e reavendo mortas esperanças,

onde a emoção do presente era caminho novo a trilhar.

Vislumbrava agora em um ninho, o fim de desesperanças,

num peito macio, tal alcatifa, por onde mãos a passear,

repousavam ternamente, em cúmplices desejos, alianças.

Como toques suaves na alma, mágicos gestos a acariciar,

desenhavam-se afetos, os esquecidos, em sutis mudanças

que descompromissadamente, restituíam o gosto de amar.

Celêdian Assis
Enviado por Celêdian Assis em 03/03/2011
Código do texto: T2825421
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