ANTIDEPRESSIVOS

Quem ama perde a fome, o sono, a cor,

Vagueia como um morto dentre os vivos.

Hoje, só não se morre mais de amor

Porque inventaram antidepressivos.

Mas isso só prolonga e aumenta a dor,

Que o frio e a morte, antigos lenitivos,

Se afastam desse pobre sofredor,

Mas nada aplaca os golpes aflitivos...

E ainda, nesta era digital,

O antigo amor, se sem correspondência,

Entre balas e bombas, é punhal.

Pois só pro amor, pra morte e pra loucura

Que a tecnologia, a mente e a ciência

Ainda não descobriram uma cura...

02/09/2012

Mauren Guedes Müller
Enviado por Mauren Guedes Müller em 02/09/2012
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