Perecendo

Foi, outrora, euclidiana minha mente,

Com retas, que eram retas, de clareza;

E planos, que eram plenos na certeza;

De que o Sol nasceria novamente.

Mas o amor, que m'invade persistente,

Entortou estas retas co'aspereza;

E curvou os meus planos co'a tristeza...

Fez nova geometria: a dum demente!

Ora canto este túrbido universo;

Com dores, com pesar em cada verso...

Com melodia feita de negrura,

Pois só escuridão foi o que vi;

Quando, em minha geodésica, eu caí;

No vil buraco negro d'Amargura.