Remorsos

No esmero delineado e no remate

Do eterno condensado num segundo,

Sendo a veia do tempo a que mais tate,

O espaço que nos separa é mais profundo...

Se por ti me construísse em toda a parte

E toda a parte partisse cá do fundo,

Ganhava a dimensão que tem a arte;

Mas perdia a noção de estar no mundo.

...Olhares que não trocámos, meu amor!

palavras que ficaram por dizer!...

No fundo, o meu tormento, a minha dor;

Angústia que me acompanha até morrer.

Dilui-se entre montanhas o eco do clamor;

Adensam-se remorsos de tudo por fazer.

sfich
Enviado por sfich em 06/12/2016
Reeditado em 20/02/2017
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