SONETO DO AMOR VASSALO

Quisto amor nato em febre alta e amativo,
que abre o meu peito na hora que deseja
e por mais que haja e viva e cante e seja,
é pena de ato falho e tão cativo.

Em barras envolventes sobrevivo
de um querer tanto em ser quisto que alveja
o fatal lado esquerdo* e então flameja
de uma prisão maior, mestra em motivo.

E se n'aljava minha alço no embalo
potente flecha e toda por um fim,
rogo ao cupido a força que propalo.

Flecha vagante foge do gargalo,
limitante do quisto e doido sim,
p'ra num só pulo e no alvo eu, seu vassalo.


(*) Como Drummond falava deste lado.