Dois sonetos

Este soneto é dedicado aos Ministros do STF

Ah! vós que julgais e não quereis ser julgados!
Ah! vós que ouvis poder ouçais povo também;
Ah! vós   que   soltais  meliantes  condenados;
Ah! vós  que  do  posto não  podeis  ficar sem!

Ah! vós que em fortes poleiros empoderados,
Ah! vós  que  se fizeram  um  dia, ministros;
Ah! vós com as vestes de urubus engomados,
Ah! vós  assim,  pareceis  bastantes sinistros.

Ah! vós que pareceis patrões e sois capachos,
Ah! vós que vos julgais serem  entes divinos,
Ah! vós com vossos  enigmáticos  despachos!

Ah! vós, se possível, canto-lhes alguns  hinos,
Ah! vós que quando de batas se veem machos,
Ah! vós,  pois  pareceis   apenas  bons  suínos.




Este soneto é somente sobre voz mesmo

Há voz do pastor, mas do rebanho também,
Há voz  calma, mas  as  vezes, tonitruante;
Há voz  ouvida  que  não  se  sabe de quem,
Há voz do sábio e  há voz do ser ignorante.

Há voz  que comanda um bravo subordinado,
Há voz que obedece e voz que pra ela retruca;
Há voz  do  carrasco  mas  não  do enforcado,
Há voz  do  Cid  Moreira,  grave mas caduca.

Há voz  de  toda  maneira,  querida   gente!
Há voz a qual por si só, nós  todos encanta,
Há voz muito pacata e voz bem persistente.

Há voz  do pároco  porém não voz  da santa,
Há voz que passa, e alguma voz que se sente,
Há voz que  dúvidas em nós as vezes  planta.
Jair Lopes
Enviado por Jair Lopes em 03/09/2018
Reeditado em 04/09/2018
Código do texto: T6438168
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