Sobre a dor

A dor que me corrói e me entedia,

Provém do teu olhar, que é pura neve
Que cai em meu viver e nele inscreve,
Um verso sem amor, sem poesia.
 
Por mais que busque paz, sinto a agonia
De esse viver sem sol, que não se atreve
Romper o breu do véu, que é  frágil e leve
Para voltar a crer no que se cria.
 
A dor que assim me dói e me esviscera
é ver morrer o amor que se declina
sem ter a luz solar, sem ter quimera.
 
Eu sei que  tudo passa – a vida ensina  –
Que o amor em si se esvai, mas não se espera
que morra sem morrer, gele a retina.
 
Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 31/05/2020
Reeditado em 27/08/2020
Código do texto: T6964070
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