LOUVOR ÀS ÁGUAS

 

Bendita seja a chuva a reciclar o espaço,
e tudo que o crestou... O fogaréu bravio
secou o pantanal - corixo, lago, rio -
matou os animais, a flora, pari passu.

 

Na tez de quem amou, mas se rompeu o laço,
no mapa do penar, profundo e tão sombrio, 
bendito seja o pranto, em meio à dor do estio,
que tira o véu do olhar momentos antes baço. 

 

Bendito o sêmen, sim, também transpiração 
que escapa em cada poro, os líquidos vitais,
sementes do devir, de paz reconfortante.  

 

Louvemos, com fervor, as águas que nos dão
o dom de transmudar as nossas mágoas, sais,
em fontes de esperança, a murmurar: avante!  

 

Edir Pina de Barros
 

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 30/10/2021
Código do texto: T7374893
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2021. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.