Não me jures, não, amor eterno!
 

Vai-se o verão. Agora é frio e neva.
Palavras sem valor, o vento as leva.
As juras antecedem as desditas
.

 

(Promessas, Miguel Russowsky, Rio Grande do Sul, 1923 – 2009)

 


Ai! Não me jures, não, amor eterno...
Não sobrevive, o enlace, à simples jura,
prefiro um breve olhar de forma pura
para que finde, em mim, o longo inverno.

O que dedico a ti e aqui externo
é vero sentimento de ternura,
daquele que na vida se procura,
que traz, em si, o dom de ser fraterno.

Entenda, enfim, dispenso que me jures!
Desejo o amor que nesses olhos grita,
mas pode se perder, depois, alhures.

Prefiro, desse olhar, a luz bendita

e não o eterno amor que está nenhures:
a jura traz no ventre a dor, desdita.

 

Edir Pina de Barros

 

 

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 07/12/2023
Código do texto: T7949316
Classificação de conteúdo: seguro
Copyright © 2023. Todos os direitos reservados.
Você não pode copiar, exibir, distribuir, executar, criar obras derivadas nem fazer uso comercial desta obra sem a devida permissão do autor.