Mácula

 

A chaga de uma perda não se cura,
Jamais se fecha, nunca cicatriza,
Não tem fronteira, não, qualquer divisa
E o tempo aumenta sempre tal cissura.

 

A chaga de uma perda nos fratura
Invade o coração e o coloniza,
Domina as emoções e, a sua guisa,
Tortura sem matar, semeia agrura.

 

Se a morte vem e o nosso sonho esmaga
Demais extensa torna-se essa chaga
Que nos consome, rouba o nosso brilho.

 

Pior se torna a mácula profunda
Que sangra sem cessar e nos inunda
Se ela nos tira, sem piedade, um filho.

 

Edir Pina de Barros

Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado)
Enviado por Edir Pina de Barros (Flor do Cerrado) em 21/02/2024
Reeditado em 21/02/2024
Código do texto: T8003632
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