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sem meias bocas...

 

É de raiva e ciúme a minha boca,
de tempo de segredos e de traças,
de chuvas leves e densas brumaças
que enegrecem o céu da minha boca.
 

É de branco e é de espadas esta boca,
roca onde fio alinhadas palavras,
sementes que pranto nas minhas lavras,
em cantos que desfiam nesta boca.
 

Sustento-a, assim, de ti exilada!
Por detrás desta boca que são grades,
morrerei p’las ruelas das saudades,
 

onde não se alcança a velha Lisboa,
nem o cais nem o Tejo ou a canoa
que sem vela, me enleva condenada.

Cristina Pires
Enviado por Cristina Pires em 31/12/2005
Código do texto: T92620

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Sobre a autora
Cristina Pires
França, 51 anos
87 textos (6699 leituras)
1 áudios (37 audições)
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Cristina Pires