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CLASSIFICAÇÃO DAS FIGURAS DE LINGUAGEM


Formas de dizer (formular a elocução) para expressar o pensamento ou sentimento com energia e colorido, a serviço das intenções estéticas de quem as usa. São utilizadas pelos escritores para imprimir ao estilo veracidade e beleza...

FIGURAS DE PALAVRAS

Metáfora

Personificação; Animismo; Zoomorfização: consiste em atribuir a objetos inanimados ou seres irracionais, sentimentos ou ações próprias dos seres humanos.

Prosopopéia: é uma figura de linguagem que aproxima e descreve o comportamento humano como de um animal, o homem é tratado como um animal.

Hipérbole ( <-> Litotes) ou Auxese:  ocorre quando há exagero intencionalnuma idéia expressa, de modo a acentuar de forma dramática aquilo que se quer dizer, transmitindo uma imagem ampliada do real. Ex: "Já te avisei mais de mil vezes, para não voltares a falar-me alto!".

Símbolo: Figura em que se utiliza um elemento que, por convenção arbitrária, representa ou designa uma realidade complexa, por valor evocativo, mágico ou místico.

Sinestesia: é uma figura de estilo ou semântica que relaciona planos sensoriais diferentes. Tal como a metáfora ou a comparação por símile, são relacionadas entidades de universos distintos.

Metonímia ou Sinédoque: consiste em efetuar uma das seguintes substituições:

1) Efeito pela causa
2) Autor pela obra
3) Continente pelo conteúdo
4) Parte pelo todo
5) Singular pelo plural
6) Matéria pela obra

Antonomásia ou Perífrase: substituição da pessoa pelo lugar, por um atributo notório; por um acontecimento. Caracterizada pela substituição de um nome por uma expressão que lembre uma qualidade, característica ou fato que de alguma forma o identifique.

FIGURAS DE CONSTRUÇÃO

POR OMISSÃO

Assíndeto :Consiste na omissão das conjunções ou conectivos (em geral, conjunções copulativas), resultando no uso de orações justapostas ou orações coordenadas assindéticas, separadas por vírgulas.

Elipse: é uma supressão de uma palavra facilmente subentendida. É a omissão intencional de um termo, facilmente identificável pelo contexto ou por elementos gramaticais presentes na frase. Essa omissão torna o texto conciso e elegante.

Zeugma: consiste na omissão de um ou mais elementos de uma oração, já expressos anteriormente. A zeugma é uma forma de elipse. Quando omitimos um termo, a posição do constituinte elido é, na lingua escrita, assinalado por uma vírgula. A expressão em negrito, ou sua cognata, é omitida. Nota-se que a forma suprimida pode não coincidir morfologicamente com o seu antecedente, podendo ser uma forma "cognata", ou "semelhante". O tipo de semelhança que o zeugma consente é uma questão lingüística mais geral. Contudo, o zeugma é a omissão de um termo já citado anteriormente que não vai mudar o sentido da frase por conta da omissão.

Reticência ou Aposiopese: Interrupção intencional no meio de uma frase.

POR EXCESSO

Pleonasmo: é uma redundância (proposital ou não) em uma expressão, enfatizando-a.

Pleonasmo literário: também denominado pleonasmo de reforço ou estilístico, trata-se do uso do pleonasmo como figura de linguagem para enfatizar algo em um texto. Grandes autores usam muito deste recurso. Nos seus textos os pleonasmos não são considerados vícios de linguagem, e sim pleonasmos literários.

Circunlóquio: consiste em um discurso pouco direto, onde o escritor foge do ponto principal pelo abuso de expressões, que estende demasiadamente algo que pode ser dito em poucas palavras.

Polissíndeto: é o emprego repetitivo da conjunção entre as orações de um periodo ou entre os termos de oração.

POR TRANSPOSIÇÃO

Analepse (<-> Prolepse)  (Flash Back): é a interrupção de uma sequência cronológica narrativa pela interpolação de eventos ocorridos anteriormente. É,portanto, uma forma de anacronia ou seja, uma mudança de plano temporal.

Hipálage: caracteriza pelo desajustamento entre a função gramatical e a função lógica das palavras, quanto à semântica, de forma a criar uma transposição de sentidos. Uma das formas mais frequentes consiste na atribuição, a um substantivo, de uma qualidade (adjetivo) que, em termos lógicos, pertence a outro. É frequente na obra de Eça de Queirós (como em "Fumar um pensativo cigarro." - claro que quem está pensativo é o fumante, subentendido na frase). É frequente, nesta figura de estilo, que os adjetivos não se apresentem associados aos nomes a que estão ligados gramaticalmente, mas a outros, subentendidos conforme o contexto. Esta figura está intimamente ligada à alusão, à metonímia e à sinestesia.

Hipérbato: consiste na troca da ordem direta dos termos da oração (sujeito, verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes.

Prolepse (<-> Analepse) é uma figura de sintaxe onde ocorre o deslocamento de um termo de uma oração para outra que a precede, com o que adquire excepcional valor. Ao contrário de Analepse, a prolepse é um recurso narrativo através do qual se pode descrever o futuro; um acto futuro; prever o futuro, etc. Aparece em Os Lusíadas, no plano da história de Portugal. O livro "Cem anos de solidão" de Gabriel Garcia Marques abre com prolepse analéptica, isto é, o que o narrador conta são, na verdade, recordações. Por analepse ele 'volta' ao tempo para antecipar, por prolepse, o acontecimento narrado.

Sínquise: é a inversão da ordem natural das palavras que torna obscuro o sentido da frase. É o Hiperbato exagerado.

POR DISCORDÂNCIA

Anacoluto, ou frase quebrada, é uma figura de linguagem que, segundo a retórica clássica, consiste numa irregularidade gramatical na estrutura de uma frase, como se começássemos uma frase e houvesse uma mudança de rumo no pensamento.

Silepse: é a figura pela qual a concordância se faz de acordo com o sentido e não segundo as regras da linguagem.
1) de gênero
2) de número
3) de pessoa

POR REPETIÇÃO

Anadiplose: repetição de palavra (s) do fim de um período ou oração, ou de um verso, no princípio do período, oração ou verso seguinte.Consiste na repetição de última palavra ou expressão de uma oração ou frase no início da seguinte, com intenção de realce.

Anáfora: é a repetição da mesma palavra ou grupo de palavras no princípio de frases ou versos consecutivos. É uma figura de linguagem comuníssima nos quadrinhos populares, música e literatura em geral, especialmente na poesia.

Concatenação: é a seqüência de palavras ou frase interrelacionadas.

Conversão ou Quiasmo: é a igura em qu se repetem as palavras, mas invertendo-se-lhes a ordem.

Diácope: Consiste na repetição da mesma palavra em semelhante com outra de permeio.
("Tu só tu, puro amor..." (Lus,3,119))

Epístrofe: consiste na repetição da mesma palavra ou expressões no final de cada oração ou verso. ( No mundo, as idéias são perigosas. Na vida, as vontades são perigosas.)

Epizeuxe: é uma figura na qual a mesma palavra é repetida duas ou mais vezes seguidas sem outra de permeio. ("Marília, Marília, és a estrela da manhã.")

Símploce: Figura que consiste em pricipiar e/ou terminar frases pelas mesmas palavras.

FIGURAS DE PENSAMENTO

Alegoria : representação figurativa que transmite um significado outro que o da simples adição ao literal. É geralmente tratada como uma figura da retórica. Embora semelhante a outras comparações retóricas, uma alegoria sustenta-se por mais tempo e de maneira mais completa sobre seus detalhes do que uma metáfora, e apela a imaginação da mesma forma que uma analogia apela à razão.

Alusão: é a apreciação indireta de uma pessoa ou de um ato por meio de referência a um fato ou a um personagem conhecidos.   
                                               

Antífrase: consiste na utilização de uma palavra com o sentido contrário àquele que tem normalmente.

Antítese: consiste na exposição de idéias opostas. Ocorre quando há uma aproximação de palavras ou expressões de sentidos opostos.

Antonomásia ou Perífrase: caracteriza-se pela substituição de um nome por uma expressão que lembre uma qualidade, característica ou fato que de alguma forma o identifique.

Apóstrofe: caracteriza-se pela evocação de determinadas entidades, consoante o objetivo do discurso, que pode ser poético, sagrado ou profano. É um chamamento do receptor, imaginário ou não, da mensagem.

Catacrese: consiste na utilização de uma palavra ou expressão que não descreve com exatidão o que se quer expressar, mas é adotada por não haver palavra apropriada - ou a palavra apropriada não ser de uso comum. Estabelecem comparação às situações em que são atribuídas, qualidades de seres vivos, a seres inanimados.

Clímax ou gradação ascendente: consiste na apresentação de uma sequência de idéias em andamento crescente.

Comparação por símile: é usada para comparar dois elementos que não pertencem à mesma categoria (dependendo, claro, do contexto).

Comparação simples: é a aproximação de dois termos entre os quais existe alguma relação de semelhança. A comparação, porém, é feita por meio de um conectivo e busca realçar determinada qualidade do meio termo.

Disfemismo: consiste em empregar deliberadamente termos ou expressões depreciativas, sarcásticas ou chulas para fazer referência a um determinado tema, coisa ou pessoa, opondo-se assim, ao eufemismo. Expressões disfêmicas são freqüentemente usadas para criar situações de humor.

Eufemismo: consiste no emprego de termos mais agradáveis para suavizar uma expressão.

Enumeração: consiste na citação de idéias em série.

Gradação: figura relacionada com a enumeração, onde são expostas determinadas idéias de forma crescente (em direção a um clímax) ou decrescente (anticlímax).

Hipálage: caracteriza pelo desajustamento entre a função gramatical e a função lógica das palavras, quanto à semântica, de forma a criar uma transposição de sentidos. Uma das formas mais frequentes consiste na atribuição, a um substantivo, de uma qualidade (adjectivo) que, em termos lógicos, pertence a outro. É frequente na obra de Eça de Queirós (como em "Fumar um pensativo cigarro." - claro que quem está pensativo é o fumante, subentendido na frase). É frequente, nesta figura de estilo, que os adjetivos não se apresentem associados aos nomes a que estão ligados gramaticalmente, mas a outros, subentendidos conforme o contexto. Esta figura está intimamente ligada à alusão, à metonímia e à sinestesia.

Hipérbato: também conhecido como inversão, consiste na troca da ordem direta dos termos da oração (sujeito, verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes.

Hipérbole (<-> Litotes) ou Auxese: ocorre quando há exagero intencionalnuma idéia expressa, de modo a acentuar de forma dramática aquilo que se quer dizer, transmitindo uma imagem ampliada do real. Ex: "Já te avisei mais de mil vezes, para não voltares a falar-me alto!".

Ironia: consiste em dizer o contrário daquilo que se pensa, deixando entender uma distância intencional entre aquilo que dizemos e aquilo que realmente pensamos.

Litotes <-> Hipérbole: consiste numa frase suavizada ou negativa para expressar uma afirmação. É o oposto da hipérbole. Uma suavização é feita pela negação do contrário. Para que não se diga, por exemplo, que determinado indivíduo é burro, diz-se que é pouco inteligente.

Metalepse: figura em que se toma o antecedente pelo conseqüente e vice-versa.

Paradoxo ou Oxímoro: um paradoxo é uma declaração aparentemente verdadeira que leva a uma contradição lógica, ou a uma situação que contradiz a intuição comum. Em termos simples, um paradoxo é "o oposto do que alguém pensa ser a verdade."Harmoniza dois conceitos opostos numa só expressão, formando assim um terceiro conceito que dependerá da interpretação do leitor. Dado que o sentido literal de um oxímoro (por exemplo, um instante eterno) é absurdo, força-se ao leitor a procurar um sentido metafórico. O recurso a esta figura retórica é muito frequente na poesia mística e na poesia amorosa.

Preterição: é a figura que consiste em tratar de um assunto, ao mesmo tempo em que se afirma que ele está sendo negado.
 
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ESTILÍSTICA FÔNICA
 
 Acento emocional de insistência:
(afliiito!)
Espetáculo formidável o das escolas de samba.
O Rio é uma cidade maravilhosa!
... e outras entonações ou sugestões de entonações enfáticas
De vogais, consoantes ou sílabas.

Onomatopéia: designa expressões ou palavras cuja sonoridade imita a voz, ruídos de objetos ou animais.

Reiteração de fonemas:

1) Homofonia: é a incidência da acentuação tônica na mesma vogal. (Tíbios, flautins finíssimos gritavam, -Olavo Bilac)

2) Aliteração: que consiste em repetir fonemas num verso ou numa frase, especialmente as sílabas tônicas. A aliteração é largamente utilizada em poesia mas também pode ser empregada em prosa, especialmente em frases curtas. Há duas formas de aliteração:
           a) assonância, que utiliza de modo repetido o som de uma vogal;
           b) consonância, que repete o som de uma consoante.
 
3) Coliteração: é a insistência em consoantes homorgânicas. (Ringe e range, rouquenha a rígida moenda – Da Costa e Silva)
 
4) Evocação sonora:
“E o céu da Grécia, torvo, carregado,
Rápido o raio, rútilo, retalha.”
(Raimundo Corrêa)

ESTILÍSTICA LÉXICA

Séries sinonímicas: é o emprego de grupos de palavras que têm uma significação geral comum, mas se distinguem por leves idéias particulares e se empregam em situações diferentes. È acima de tudo a tonalidade afetiva que orienta a eleição dos sinônimos. (cara, rosto, face, fisionomia).

Polissemia: No âmbito puro da denotação é preciso levar em conta a multiplicidade imanente a toda palavra. A sinonímia depende fundamentalmente do contexto.

Homônimos e Parônimos >Paronomásia: é o emprego de palavras parônimas (com sonoridade semelhante) numa mesma frase, fenômeno que é popularmente conhecido como trocadilho. Os trocadilhos constituem um dos recursos retóricos mais utilizados em discursos humorísticos. Resulta sempre da semelhança fonética ou sintática de dois enunciados cuja conjunção, comparação ou subentendido (enunciado elíptico, não referido diretamente) cria um efeito inesperado, intencional ou não. Os trocadilhos mais frequentes são cacofonias em que uma determinada palavra é pronunciada de forma a parecer outra, geralmente com intenção humorística, maliciosa, obscena e/ou grosseira.

ESTILÍSTICA SINTÁTICA

Anacoluto: No anacoluto encontraremos talvez, um dos mais freqüentes casos de sintaxe afetiva.

Infinitivo Flexionado: muitas vezes é utilizado não pelo aspecto normativo, mas por exigência da manifestação psíquica e do apelo. (o que se deseja realçar).

Colocação dos pronomes átonos: muitas vezes o aspecto normativo é contrariado por exigência da manifestação psíquica e do apelo. (o que se deseja realçar).“-Me passa o pão!” è assim que se consegue por estilisticamente em realce a própria pessoa, numa afirmação da tensão psíquica e da vontade.João Ribeiro considera a ênclise com o imperativo como índice de uma atitude voluntariosa e atribui à próclise o caráter de delicada insinuação.

Interrogação: a construção normal para a interrogação é utilizar o sujeito depois do verbo. Como, porém, em certos casos, tal construção se mostra imprestável para comunicar alguma cambiantes do nosso sentimento (quando o termo interrogativo é o elemento de maior interesse para nós) “dispõe a língua de alguns recursos para obviar a este inconveniente.” (Rocha Lima). O principal deles é usarmos a locução idiomática
-“é que” que também permite o deslocamento do sujeito para antes do verbo (além da ênfase). (A quem é que tu amas?)
-“o que” (O que é que desejas?)
Pode ser utilizada, ainda, uma inversão. (As crianças, como vão?)
 
 
 Nilza A. Hoehne Rigo

Nilza Azzi
Enviado por Nilza Azzi em 22/05/2009
Código do texto: T1608259

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Sobre a autora
Nilza Azzi
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