Curso Produção de Textos - Encontro 6

Olá, amigo escritor.

Estou de volta para continuarmos nossos cursos.

Não publiquei artigos no mês de maio pois estava em uma de minhas reclusões intelectuais. Essenciais ao escritor.

Boa leitura.

Encontro 6 - Das ideias à escrita.

Escolhi este tema pois é também um questinamento de uma leitora do meu cantinho. Iniciarei pela dúvida:

" Tenho vários livros já prontos em minha mente, mas não sei como escrevê-los para torná-los atrativos para os leitores. Se puder me dar umas dicas, agradeço-lhe muito." - E. T.

Grande controvérsia para nós, escritores.

Resumindo o problema:

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Tenho ideias, mas preciso transmiti-las através da escrita.

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Inicialmente, precisamos entender estes dois conceitos a que o problema se refere: o pensamento e a escrita.

Nosso PENSAMENTO é um mundo, um universo individual e infinitamente maior que todo o universo físico. Uma simples ideia mental pode conter um sem número de elementos.

Observe:

Você está deitado no sofá. Olha atentamente para a televisão ligada. Seu cérebro se direciona ao que você vê. De repente, você não está mais ali. A televisão deixa de existir, tudo em volta parece desaparecer. Você está no seu universo pessoal, onde você é o Senhor, de Tudo. As regras são suas. A leis são determinadas por você. Você conhece todo o seu universo. Nele, você é atemporal: sem início e sem fim. Neste seu mundo, você tudo pode, tudo sabe, e acima de tudo, você está em todos os lugares deste seu universo perfeito. Você é Deus.

O Pensamento é o único lugar em que você é você mesmo, onde você poder pensar livremente, sem preconceitos, sem regras, sem moral. Lá, tudo lhe é permitido. Talvez por isso, tenhamos a sensação de não conseguirmos nos expressar inteiramente. Sempre haverá "segredinhos" que só ousamos "falar" dentro do nosso mundo pessoal. Cada pessoa tem a sua cota de segredos.

Algumas pessoas são tão claras, tão transparentes, que nos passam a sensação de "verdadeiras", são as pessoas com poucos "segredinhos".

Outras, despertam dúvidas, não são objetivas, são as guardiãs dos "segredinhos" mais escabrosos... rsrsrsrs...

Devemos tomar cuidado pra não confundir a Timidez com este escudo protetor que impede que algumas pessoas consigam transformar seu "mundo pessoal "em "coisa visível" para as outras pessoas.

É importante, para o escritor, saber exatamente em que nível está seu escudo. O quanto ele não consegue ser ele mesmo aqui, no mundo dos fatos reais.

Podemos fazer alguns treinamentos neuróbicos para "afrouxar" este nosso escudo. E todos nós temos os nossos escudos.

Au final deste encontro, apresentarei alguns exercícios práticos para este problema. Consultem- Exercícios 1, após terminar a leitura.

Continuemos.

Suponha então, você está sentado no sofá, a televisão ligada, você em seu mundo.

Surge uma idéia:

Vou escrever um texto sobre o comportamento feminino.

O pensamento viaja...

Mulheres são temperamentais.

Mulheres são sentimentais.

Minha mãe ficava irritada quando meu pai atrasava...

Volto ao passado.

Mãe chora.

Mãe me educando.

Mãe deixou de viajar para cuidar de mim, doente.

Mãe é entrega.

Mãe é mulher...

E por aí vai...

Por aí, por aqui, por acolá... por todo seu universo percorrerá seu pensamento. Buscando elementos, informações, cenas, conceitos... Tudo que você absorveu do "mundo real" + tudo que você sentiu em suas "emoções" + toda a bagagem cultural, religiosa, moral, ética... Tudo isso junto forma o seu pensamento.

O escritor então para um pouco. Volta ao mundo real e somente aí, se dá conta de que fez uma visitinha ao seu próprio Reino.

Começa a angústia. Preciso escrever sobre isso. Preciso retirar esta ideia "genial" da minha cabeça e transmiti-la ao mundo!!!

É a mesma sensação de quando assistimos a um bom filme e sentimos o desejo de contar para alguém...

Isso se dá porque nosso mundo interno fica repleto, não cabe em si, que vir à tona, quer ser real. Por isso, escrever é uma doação. Nos damos ao mundo.

Uma simples ideia: "escrever sobre o comportamento feminino" pode conter tantos elementos que para escrever o que no seu pensamento durou cerca de 5 segundos, você vai precisar de milhares de palavras, ainda assim não descreverá nem a décima parte do que realmente você pensou.

No seu pensamento, quando lembrou de sua mãe chorando, você viu cores, sentiu cheiros, sentiu emoções, era noite? era dia? VoC~e também sofria? Seus irmãos?

Descrever isso tudo seria entediante e longo... muito longo.

Diante de tudo o que sabemos sobre o nosso pensamento, podemos listar alguns pontos aos quais todo escritor deve estar atento.

Observe:

1. Sabendo que nosso Universo Particular é muito rico, já devemos saber que não poderemos descrevê-lo em sua totalidade.

2. Sabendo que possuímos escudos específicos, devemos estar atentos ao que "não conseguimos dizer", evitando "explicações desnecessárias" e outros recursos de fuga.

3. Como não expressaremos na escrita tudo aquilo que pensamos, devemos criar um mecanismo de Seleção de Ideias: escolhendo algumas e descartando outras.

(Veremos alguns mecanismos de Seleção de Ideias nos próximos encontros.)

Agora vamos pensar um pouco sobre o outro conceito do nosso problema: A escrita.

O Ato de Escrever é similar ao Ato de Falar no que se refere a "uma forma" de transferir minhas ideias ao mundo real."

Falamos o que pensamos.

Escrevemos o que pensamos.

Ambos os mecanismos, fala ou escrita, apresentam características próprias que precisam ser levadas em consideração.

Observe o Ato de Falar:

- A gente fala logo após pensar. Mesmo que tenahmos preparado o texto antes, ao falarmos, nosso cérebro "pensa" antes, para depois falar.

- A fala é rápida, cadenciada, deixando o "orador" atuando no momento em que transmite sua ideia ao mundo, permindo-lhe alterar o tom da voz, acrescentar inflexões e subtextos.

- Durante a fala, não nos ouvimos, temos menos escrúpulos, temos a sensação de que não ficará "gravado" nem passível de uma avaliação pormenorizada.

Já com a Escrita, observe:

- Podemos escrever enqaunto pensamos, podemos escrever depois de pensarmos... podemos re-escrever o texto.

- Sentimos receio do que escrevemos, pois a escrita torna a ideia material, sujeita a críticas e com "a prova" bem ali... escrita.

A grande dificuldade em passar as ideias do nosso Universo Pessoal para a escrita deriva do conjunto destes fatores, além de habilidade natural, uso de técnicas eficientes, sensibilidade... um sem números de requisitos para um bom escritor.

Vamos então para a prática.

Vou iniciar uma série de exercícios para que possamos aguçar nossa capacidade de escrever bem, através de técnicas de mnemonia, neuróbica e linguísticas.

Exercício 1 - Nosso Escudo Protetor

Primeiramente, não se trata de retirar nossa proteção e sair falando e escrevendo tudo que pensamos. O Mundo ficaria horrorizado... rsrsrsrs

Estes exercícios funcionam para detectarmos o quanto essas proteções podem atrapalhar nossa capacitade de expressão.

Vamos lá.

Listagem completa do pensamento.

Deixe caneta e papel acessíveis.

Sente-se num lugar confortável. Respire pausadamente, inspirando pelo nariz e expirando pela boca.

Feche os olhos e continue concentrado na respiração.

Pense agora em coisas que você não tem coragem de falar em público.

Seus medos, suas vilezas, suas mentiras, suas invejas.... Tudo que todos temos, mas escondemos.

Pense em 2 ou 3 ideias apenas.

Abra os olhos.

Pegue o papel e a caneta.

Escreva absolutamente tudo que você pensou.

(Você vai rasgar o papel depois...rsrsrsrs)

Mas escreva absolutamente tudo.

Você perceberá claramente a dificuldade de escrever algumas coisas.

Você se sentirá tendendo a camuflar, a esconder alguma coisa.

Este exercício coloca você diretamente diante do seu escudo.

Teste-se. Seja honesto. Veja seu limite.

O Objetivo é vc reconhecer seus escudos, para quando eles surgirem ao longo de uma produção de texto, vc o distinguirá de imediato.

Faça este exercício pelo menos duas vezes por semana durante 2 meses. Depois disso, você pode escolher quando fazer o exercício. Eu o faço até hoje pelom enos uma vez por mês.

Além de ajudar na produção de texto, este exercício é uma excelente técnica de auto-conhecimento.

Retornando à situação do sofá...

A história aconteceu comigo. Pensei em minha mãe, em mulheres e resolvi escrever um texto.

Ei-lo:

Todas as Mulheres são Iguais

Todas as mulheres sofrem. Em demasia.

Todas as mulheres sentem. Em demasia.

Exasperam-se, enlouquecem, transcendem o mundo da normalidade.

Ah! Divina intensidade de quem precisa ser íntima do êxtase para ser honrada com o dom de parir.

Na mulher, aquilo que a difere do homem é destinado à maternidade: a maior dádiva de todas.

E que Graça teria, aos olhos de Deus, a mulher, para dotá-la de tamanha bênção?

Sempre inteira, a mulher desconhece o meio-termo, indo de polo a polo num piscar de olhos: Do amor, se não possuído, ao ódio. Da verdade, se não aceita, ao grito. Do desejo, se não saciado, ao desespero.

Mulher é sempre mãe.

Seu primeiro instinto é analisar a prole: menino é filho meu, menina é a mãe dos meus netos. Este é o ponto de partida que faz de todos os homens, seus filhos e de outra mulher, sua rival, também capaz de dar à luz.

Ilumine-se mulher: Você é a divina criatura, agraciada com o dom de continuar aquilo que Deus iniciou.

Um turbilhão: mulher é um desejo constante, não acalma, não sacia. Dorme sonhando. Sonhos, sonhos... sempre haverá sonhos a se ter...

Do fogo ao estampido, variando apenas conforme o pavio, mulher é explosão: de cores, de sentimentos, de cheiros, de amores, de paixões. Estas, tão numerosas quanto seus ciclos; Seus amores são sempre "únicos" e "eternos".

Há mulheres duronas, mulheres alegres, mulheres versáteis, mulheres lindas, há também mulheres amigas, mulheres fortes, mulheres insensíveis...

Não. Definitivamente não.

Estes não são tipos de mulheres. Pois só há um tipo de mulher: a mistura disso tudo!

Ed Borges.

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Ed Borges
Enviado por Ed Borges em 22/06/2011
Reeditado em 06/01/2024
Código do texto: T3050945
Classificação de conteúdo: seguro
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