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Plagio ou Intertextualidade?(Vale apena ler este texto do poeta Adriel Gael

Plágio ou Intertextualidade? (Leiam Esse Artigo é Importante Para Quem Escreve)
         

            Há no meio literário um recurso chamado intertextualidade, recurso este muito usado por poetas e escritores. A intertextualidade consiste em citar de forma direta ou indiretamente outro texto já existente, ou transcrevê-lo de forma ironizada ou critica social.
          O dicionário Aurélio traz o seguinte significado para palavra Plágio:Plágio.plá.gio-1sm (gr plágios) Ação ou efeito de plagiar;
Rubrica: termo jurídico. Apresentação feita por alguém, como de sua própria autoria, de trabalho, obra intelectual etc. produzido por outrem. E o mesmo dicionário traz esse significado para palavra Intertextualidade: Intertextualidade; in.ter.tex.tu.a.li.da.de, sf (intertextual+i+dade) Lit 1 Superposição de um texto literário em relação a um ou mais textos anteriores. 2 Processo de produção de um texto literário que parte de vários outros e com eles se imbrica.
        Muitas pessoas por não saberem disso classificam como plágio um texto que faz citação a outro texto, na realidade o plágio consiste em fazer posse de uma obra de outro autor, como pode ser plágio um texto onde se faz referência a outro texto, principalmente quando esse outro texto é muito conhecido.
            Só as pessoas ingênuas não sabem diferenciar uma Intertextualidade de um Plágio, é uma pena, e se fazer referências a outros textos for Plágio como explicar isso então?  o que fez Fernando Pessoa no seu poema "Num meio-dia de fim de primavera" se não uma intertextualidade com a Bíblia? Agora imagine um dos maiores poetas do mundo ter feito um plágio da Bíblia? Sim, porque para os que não sabem diferenciar Intertextualidade de Plágio, esse poema do Pessoa não passa de um Plágio.  Por isso é preciso tomar muito cuidado com o que se afirma a respeito de um texto, pois antes de dizer que a pessoa está plagiando algo é melhor pesquisa para ter certeza se isso é realmente um Plágio ou se trata apenas de Intertextualidade.
              No ano passado o cantor Roberto Carlos foi condenado a pagar uma indenização a um compositor que o acusava de ter feito Plágio de uma música sua, no caso ocorrido o compositor comprovou que a música era sua, e que o Roberto fizera apenas pequenas modificações e gravou a música, sem nunca ter citado o nome do autor verdadeiro, é bom que isso sirva de exemplo para aqueles que trazem e si o vírus do plágio.
            O que faz Fernando Pessoa no seu poema "Num meio-dia de fim de primavera" é uma intertextualidade com a Bíblia? Outro caso muito freqüente de Intertextualidade" é o que muitos poetas fizeram do poema Canção do Exílio de Gonçalves Dias, veja os exemplos de Oswald de Andrade, José Paulo Paes, Carlos Drummond de Andrade, Guilherme de Almeida, Mário Quintana, Robertson Frizero Barros, Adriel Gael, Mariáh Oliveira, Hênio Dos Santos, Murilo Mendes, Casimiro de Abreu, Jô Soares, Tom Jobim e Chico Buarque, Cassiano Ricardo. Nesses poemas baseados na Canção do Exílio todos os poetas fazem Intertextualidade e não um Plágio. Para os mais céticos, ai está alguns exemplos de plágio, ou melhor, de  Intertextualidade.
              Sem mais, segue alguns exemplos de Intertextualidade ou Plágio para os que ainda não sabem a diferença, o que eu creio ser impossível depois dessa explicação.
             

Intertextualidade coma Bíblia

Num meio-dia de fim de primavera - Fernando Pessoa

Num meio-dia de fim de primavera
Tive um sonho como uma fotografia.
Vi Jesus Cristo descer a terra.
Veio pela encosta de um monte
Tornado outra vez menino,
A correr e a rolar-se pela erva
E a arrancar flores para as deitar fora
E a rir de modo a ouvir-se de longe.

Tinha fugido do céu.
Era nosso demais para fingir
De segunda pessoa da Trindade.
No céu era tudo falso, tudo em desacordo
Com flores e árvores e pedras.
No céu tinha que estar sempre sério
E de vez em quando de se tornar outra vez homem
E subir para a cruz, e estar sempre a morrer
Com uma coroa toda à roda de espinhos
E os pés espetados por um prego com cabeça,
E até com um trapo à roda da cintura
Como os pretos nas ilustrações.
Nem sequer o deixavam ter pai e mãe
Como as outras crianças.
O seu pai era duas pessoas...
Um velho chamado José, que era carpinteiro,
E que não era pai dele;
E o outro pai era uma pomba estúpida,
A única pomba feia do mundo
Porque não era do mundo nem era pomba.
E a sua mãe não tinha amado antes de o ter.

Não era mulher: era uma mala
Em que ele tinha vindo do céu.
E queriam que ele, que só nascera da mãe,
E nunca tivera pai para amar com respeito,
Pregasse a bondade e a justiça!

Um dia que Deus estava a dormir
E o Espírito Santo andava a voar,
Ele foi à caixa dos milagres e roubou três.
Com o primeiro fez que ninguém soubesse que ele tinha fugido.
Com o segundo criou-se eternamente humano e menino.
Com o terceiro criou um Cristo eternamente na cruz
E deixou-o pregado na cruz que há no céu
E serve de modelo às outras.
Depois fugiu para o sol
E desceu pelo primeiro raio que apanhou.

Hoje vive na minha aldeia comigo.
É uma criança bonita de riso e natural.
Limpa o nariz ao braço direito,
Chapinha nas poças de água,
Colhe as flores e gosta delas e esquece-as.
Atira pedras aos burros,
Rouba a fruta dos pomares
E foge a chorar e a gritar dos cães.
E, porque sabe que elas não gostam
E que toda a gente acha graça,
Corre atrás das raparigas
Que vão em ranchos pelas estradas
Com as bilhas às cabeças
E levanta-lhes as saias.

A mim ensinou-me tudo.
Ensinou-me a olhar para as cousas.
Aponta-me todas as cousas que há nas flores.
Mostra-me como as pedras são engraçadas
Quando a gente as tem na mão
E olha devagar para elas.

Diz-me muito mal de Deus.
Diz que ele é um velho estúpido e doente,
Sempre a escarrar no chão
E a dizer indecências.
A Virgem Maria leva as tardes da eternidade a fazer meia.
E o Espírito Santo coça-se com o bico
E empoleira-se nas cadeiras e suja-as.
Tudo no céu é estúpido como a Igreja Católica.
Diz-me que Deus não percebe nada
Das coisas que criou –
«Se é que ele as criou, do que duvido» –
«Ele diz, por exemplo, que os seres cantam a sua glória
Mas os seres não cantam nada.
Se cantassem seriam cantores.
Os seres existem e mais nada,
E por isso se chamam seres.»
E depois, cansado de dizer mal de Deus,
O Menino Jesus adormece nos meus braços
E eu levo-o ao colo para casa.

Ele mora comigo na minha casa a meio do outeiro.
Ele é a Eterna Criança, o deus que faltava.
Ele é o humano que é natural,
Ele é o divino que sorri e que brinca.
E por isso é que eu sei com toda a certeza
Que ele é o Menino Jesus verdadeiro.

E a criança tão humana que é divina
É esta minha quotidiana vida de poeta,
E é porque ele anda sempre comigo que eu sou poeta sempre,
E que o meu mínimo olhar
Me enche de sensação,
E o mais pequeno som, seja do que for,
Parece falar comigo.

A Criança Nova que habita onde vivo
Dá-me uma mão a mim
E a outra a tudo que existe
E assim vamos os três pelo caminho que houver,
Saltando e cantando e rindo
E gozando o nosso segredo comum
Que é o de saber por toda à parte
Que não há mistério no mundo
E que tudo vale a pena.

A Criança Eterna acompanha-me sempre.
A direcção do meu olhar é o seu dedo apontando.
O meu ouvido atento alegremente a todos os sons
São as cócegas que ele me faz, brincando, nas orelhas.

Damo-nos tão bem um com o outro
Na companhia de tudo
Que nunca pensamos um no outro,
Mas vivemos juntos e dois
Com um acordo íntimo
Como a mão direita e a esquerda.

Ao anoitecer brincamos as cinco pedrinhas
No degrau da porta de casa,
Graves como convém a um deus e a um poeta,
E como se cada pedra
Fosse todo um universo
E fosse por isso um grande perigo para ela
Deixá-la cair no chão.

Depois eu conto-lhe histórias das cousas só dos homens
E ele sorri, porque tudo é incrível.
Ri dos reis e dos que não são reis,
E tem pena de ouvir falar das guerras,
E dos comércios, e dos navios
Que ficam fumo no ar dos altos-mares.
Porque ele sabe que tudo isso falta àquela verdade
Que uma flor tem ao florescer
E que anda com a luz do sol
A variar os montes e os vales
E a fazer doer aos olhos os muros caiados.

Depois ele adormece e eu deito-o.
Levo-o ao colo para dentro de casa
E deito-o, despindo-o lentamente
E como seguindo um ritual muito limpo
E todo materno até ele estar nu.

Ele dorme dentro da minha alma
E às vezes acorda de noite
E brinca com os meus sonhos.
Vira uns de pernas para o ar,
Põe uns em cima dos outros
E bate as palmas sozinho
Sorrindo para o meu sono.

Quando eu morrer, filhinho,
Seja eu a criança, o mais pequeno.
Pega-me tu ao colo
E leva-me para dentro da tua casa.
Despe o meu ser cansado e humano
E deita-me na tua cama.
E conta-me histórias, caso eu acorde,
Para eu tornar a adormecer.
E dá-me sonhos teus para eu brincar
Até que nasça qualquer dia
Que tu sabes qual é.

Esta é a história do meu Menino Jesus.
Por que razão que se perceba
Não há-de ser ela mais verdadeira
Que tudo quanto os filósofos pensam
E tudo quanto às religiões ensinam

 
Canção do exílio - (Gonçalves Dias)

Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam,
Não gorjeiam como lá.
Nosso céu tem mais estrelas,
Nossas várzeas têm mais flores,
Nossos bosques têm mais vida,
Nossa vida mais amores.
Em  cismar, sozinho, à noite,
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Minha terra tem primores,
Que tais não encontro eu cá;
Em cismar –sozinho, à noite–
Mais prazer eu encontro lá;
Minha terra tem palmeiras,
Onde canta o Sabiá.
Não permita Deus que eu morra,
Sem que eu volte para lá;
Sem que desfrute os primores
Que não encontro por cá;
Sem qu'inda aviste as palmeiras,
Onde canta o Sabiá.


 Intertextualidades Com O Poema Canção Do Exílio.

Canto de regresso à pátria - Oswald de Andrade

Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos daqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra

Ouro terra amor e rosas
Eu quero tudo de lá
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá

Não permita Deus que eu morra
Sem que volte pra São Paulo
Sem que veja a Rua 15
E o progresso de São Paulo.

Lá - (José Paulo Paes)
 
Lá?
Ah!
Sabiá...
Papá...
Maná...
Sofá...
Sinhá...
Cá?
Bah!

Nova Canção do Exílio - Carlos Drummond de Andrade
 
Um sabiá na
Palmeira, longe.
Estas aves cantam
Um outro canto.
O céu cintila
Sobre flores úmidas.
Vozes na mata,
E o maior amor.
Só, na noite,
Seria feliz:
Um sabiá,
Na palmeira, longe.
Onde tudo é belo
E fantástico,
Só, na noite,
Seria feliz.
(Um sabiá),
Na palmeira, longe.()
Ainda um grito de vida e

Voltar
Para onde tudo é belo
E fantástico:
A palmeira, o sabiá,
O longe
                   
Canção do Expedicionário -Guilherme de Almeida

Venho do morro, do engenho,
Das selvas, dos cafezais,
Da boa terra do coco,
Da choupana onde um é pouco,
Dois é bom, três é demais,
Venho das praias sedosas,
Das montanhas alterosas,
Dos pampas, do seringal,
Das margens crespas dos rios,
Dos verdes mares bravios
Da minha terra natal.
 
Por mais terras que eu percorra,  .
Não permita Deus que eu morra
Sem que volte para lá;  .
Sem que leve por divisa
Esse "V" que simboliza
A Vitória que virá:
Nossa Vitória final,  .
Que é a mira do meu fuzil,  .
A ração do meu bornal,  .
A água do meu cantil,  .
As asas do meu ideal,
A glória do meu Brasil.
 
Eu venho da minha terra,  .
Da casa branca da serra
E do luar do meu sertão;  .
Venho da minha Maria
Cujo nome principia
Na palma de minha mão,

Braços mornos de Moema,  .
Lábios de mel de Iracema
Estendidos pra mim.
Ó minha terra querida
Da senhora Aparecida
E do Senhor do Bonfim
 
Você sabe de onde eu venho?
É de uma Pátria que eu tenho
No bojo do meu violão;  .
Que de viver em meu peito
Foi até tomando jeito
De um enorme coração.
Deixei lá atrás meu terreiro,  .
Meu limão, meu limoeiro,  .
Meu pé de jacarandá,  .
Minha casa pequenina
Lá no alto da colina,  .
Onde canta o sabiá.
 
Venho do além desse monte
Que ainda azula o horizonte,  .
Onde o nosso amor nasceu;  .
Do rancho que eu tinha ao lado
Um coqueiro que, coitado,  .
De saudade já morreu.
Venho do verde mais belo,  .
Do mais dourado amarelo,  .
Do azul mais cheios de luz,  .
Cheio de estrelas prateadas
Que se ajoelham deslumbradas,  .
Fazendo o sinal da cruz!


Uma Canção – Mário Quintana.

Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Minha terra tem relógios,
Cada qual com sua hora
Nos mais diversos instantes...
Mas onde o instante de agora?

Mas onde a palavra "onde"?
Terra ingrata, ingrato filho,
Sob os céus da minha terra
Eu canto a Canção do Exílio.

Uma Canção de Exílio - Robertson Frizero Barros

Terra tem palmeiras. Minha?
Canta o sabiá. Onde?
Que aqui gorjeiam? Aves?
Gorjeiam como lá? Não.
O céu tem mais estrelas. Nosso?
A várzea tem mais flores. Nossa?
Os bosques têm mais vida. Nossos?
Vida, nossa, mais amores?...
Sozinho, à noite, cismo em cismar:
prazer encontro eu lá? Mais
palmeiras... Minha terra tem
sabiá. Onde? Canta?
Primores, minha terra tem,
e tais não encontro; eu, cá,
em cismar — à sozinha noite —
mais me encontro lá. Prazer,
minha terra tem. Palmeiras,
onde? Canta o Sabiá.
Permita Deus que eu morra; não
sem que eu volte para lá.
Primores, que os desfrute por cá.
Que ainda aviste as palmeiras sem
o sabiá - que canta onde?

Novíssima Canção do Exílio - Robertson Frizero Barro.

Não sei bem, Deus, se ainda quero
que me leves para lá.
Sei apenas que aqui,
distante da minha terra,
meu bairro de infância
ganha palmeiras imperiais
enormes, impolutas,
e nelas há até mesmo
sabiás que gorjeiam de verdade
ao sobrevoar várzeas, bosques e amores
que jamais viram meus olhos
de degredado sem volta.
Em cismar, sozinho, à noite,
mais prazer encontro eu lá...
Ah, amores! Oh, primores tantos!
Ah, céu tão cheio de estrelas!
Mas nada como um dia após o outro.

Exílio da Canção do Exílio – Adriel Gael

Minha terra não tem mais palmeiras,
Muito menos sabiá;
As aves, que aqui gorjearam,
Não gorjeiam mais.

Nosso céu não tem mais estrelas,
Em nossas várzeas secaram as flores,
Nosso bosque não tem mais vidas,
Nem nossas vidas mais amores.
 
Quando estou, sozinho, à noite,
Não encontro mais prazer eu cá,
Minha terra não tem mais palmeira,
Muito menos sabiá.

Minha terra não tem mais primores,
Que tais eu encontrava cá,
Quando estou – sozinho - à noite-
Não encontro mais prazer eu lá;
Minha terra não tem mais palmeiras,
Muito menos o sabiá.

Permita, oh! Deus que eu morra,
Antes de ver tudo acabado,
Não desfruto mais os primores,
Que encontrava por cá,
Não avisto mais as palmeiras,
Onde cantava o sabiá.

Chora Sabiá – Mariáh Oliveira

Minha terra tem roubalheiras
Onde chora o sabiá
As gorjetas que na prisão gorjeiam
Fazem um furor lá

No INSS aparecem estrelas
Na fila do SUS se morre de dores
Na madrugada, sorteio da vida,
Na prisão mais flores
Dizem que aqui guerra não há
Ra-ta-ta-tá, Sabiá,

Na prisão tem primores
Que tais, não encontro eu cá,
Cismo tanto cismo a noite -
Sobre os prazeres de lá
Minha terra tem roubalheiras
Pra matar o sabiá

Não permita Deus que eu morra
De raiva, avistando lá,
Quem tem diploma de horrores
É mais feliz que cá
Minha terra tem roubalheiras
Choro junto com o sabiá

Canção Do Novo Exílio! - Hênio Dos Santos

Minha terra, cadê as palmeiras?
Onde está o canto do sabiá?
As aves que cá gorjeiam,
Gorjeiam os cantos que vêm de lá!

No céu tantos ‘estalos’,
As queimadas acabando com várzeas e flores
Nossos bosques têm falta de vida
Nossa vida tem temores.

Em cismar, sozinho, à noite,
Cismo a noite, um dia, poder gozar,
Minha terra pouco se avistam as palmeiras,
O sabiá teima suicidar.

Em minha terra clamam primores,
A bunda é a nova banda a se apresentar.
Em cismar, __sozinho, a noite__
Cismo a noite, um dia, poder gozar,
Em minha terra restam palmeiras!
O sabiá me parece calar.

Permita Deus, que eu não morra, porém,
Não deixe a saúde pública me pegar;
Quero ainda ver primores,
Que estão escondidos por cá
A palmeira acabou,
O sabiá fugirá...

Trecho Do Hino Nacional.

Do que a terra mais garrida
Teus risonhos lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida”,
"Nossa vida" no teu seio "mais amores".
 

Canção do exílio - Murilo Mendes

Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam  gaturamos de Veneza.
Os poetas da minha terra
são pretos que vivem em torres de ametista,
os sargentos do exército são monistas, cubistas,
os filósofos são polacos vendendo a prestações.
A gente não pode dormir
com os oradores e os pernilongos.
Os sururus em família têm por testemunha a Gioconda.
Eu morro sufocado
em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.
Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!
                   
Casimiro de Abreu

Se eu tenho de morrer na flor dos anos, Meu Deus! Não seja já:
Eu quero ouvir na laranjeira, à tarde,
Cantar o sabiá!

Tom Jobim e Chico Buarque

Vou voltar, sei que ainda
Vou, vou voltar para o meu lugar
Foi lá e ainda é lá
Que eu hei de ouvir cantar
Um sabiá
Cantar, um sabiá.

Cassiano Ricardo

Esta saudade que fere
mais do que as outras quiçá,
Sem exílio nem palmeira
onde cante um sabiá...


Jô Soares

Minha Dinda tem
cascatas
onde canta o curió.
Não permita Deus que
eu tenha
de voltar pra Maceió.
Minha Dinda tem
coqueiros
da ilha de Marajó.
As aves, aqui,
gorjeiam
não fazem cocoricó.
(Jô Soares)

Europa, França e Bahia - Carlos Drummond de Andrade

Meus olhos brasileiros se fecham saudosos
Minha boca procura a 'Canção do Exílio'.
Como era mesmo a 'Canção do Exílio'?
Eu tão esquecido de minha terra...
Ai terra que tem palmeiras onde canta o sabiá.






Adriel Gael
Brigid Capri
Enviado por Brigid Capri em 28/04/2007
Código do texto: T466791

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Sobre a autora
Brigid Capri
São Paulo - São Paulo - Brasil, 27 anos
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