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Texto útil ( Figura de Linguagem)




Vendo o interesse dos leitores sobre o assunto, busquei esse texto, muito bem ilustrado para entendermos melhor esse recurso expressivo, fundamental, não só para a poesia, mas para aqueles que buscam estilo e concisão na prosa. Espero que continue sendo útil. 

um abraço,

Ana Valéria Sessa


Por
Carlos Alberto C. Minchillo
Izeti Fragata Torralvo
Marcia Maísa Pelachin



Figuras de linguagem

I. Figuras de palavras
II. Figuras de pensamento
III. Figuras de construção
IV. Recursos fonológicos 


Figuras de linguagem 



Toda língua possui normas que regulam o emprego de palavras, de estruturas de frases, de formas de formular as idéias. Cada vez que ocorre um desvio dos padrões, pode-se supor duas situações distintas: por desconhecimento de alguma norma ocorreu um erro ou, de modo proposital, fez-se um desvio dos padrões, que determinou uma construção lingüística mais expressiva. Uma figura de linguagem consiste em um desvio dos padrões de linguagem, com o objetivo de tornar o texto mais expressivo. As figuras de linguagem podem estar relacionadas à escolha de palavras, à estruturação da frase, à formulação das idéias ou à escolha de fonemas de um texto (expressão, frase...). Não se espera de um aluno de nível médio que saiba de cor todos os nomes das figuras de linguagem. Espera-se, em primeiro lugar, que consiga perceber um desvio da norma e, além disso, que saiba identificar a diferença de sentido resultante desse desvio. Assim, os vestibulares têm trabalhado, por exemplo, com a apresentação de frases em que ocorrem figuras de linguagem para que o aluno, dentre alternativas propostas, reconheça frase(s) em que a mesma figura está presente. 



Figuras de palavras


São determinadas por uma escolha vocabular expressiva. 



Comparação

Estabelece a aproximação de dois seres (objetos, idéias, realidades), por se perceber entre eles uma característica comum. Gramaticalmente, a comparação é caracterizada pela presença de conectivos e / ou advérbios de intensidade.
Exemplo:

“O mar
canta como um canário".

Oswald de Andrade 



Metáfora 


A depreensão de uma característica comum entre um ser e outro, pode determinar o emprego de uma palavra no lugar de outra. Toda metáfora pressupõe uma comparação, cujos elementos de comparação (nexos gramaticais) foram eliminados.
Exemplo:

“Sobre o leito frio,
sou folha tombada
num sereno rio.”

Cecília Meireles 




Metonímia

Uma palavra pode ser substituída por outra, por existir entre elas um “vínculo lógico”, que pode ser de natureza diversa, tal como: autor e obra, parte e todo, causa e conseqüência, marca característica e produto, característica concreta e nomeação abstrata dessa característica.
Exemplo:

“(— Essa cova em que estás)
— É uma cova grande
para tua carne pouca,
mas a terra dada
não se abre a boca."

João Cabral de Melo Neto 



Catacrese 


Algumas vezes, uma ausência vocabular determina um emprego metafórico que acaba por se cristalizar, por fixar-se em seu emprego. A esse emprego metafórico cristalizado, dá-se o nome de catacrese.
Exemplos: pé da mesa, céu da boca, asa do nariz

Sinestesia

Em especial em caracterizações, é comum que se misturem palavras relacionadas aos diferentes sentidos (audição, olfato, paladar, visão, tato) ou palavras relacionadas a sentidos e sensações.
Exemplos: cor berrante (visão e audição)

“Sua voz áspera como lixa vinha de longe, de um certo dia da infância em que Liroca faltara à escola (...)” audição tato

Érico Veríssimo 



Figuras de pensamento

Constituem formulações especiais. 



Antítese

Como forma de enfatizar uma oposição, duas realidades (dois seres, duas idéias) opostas são confrontadas.
Exemplo:

“Eu também já tive meu ritmo.
Fazia isto, dizia aquilo.
E meus amigos me queriam,
meus inimigos me odiavam“

Drummond



Paradoxo

Duas idéias opostas podem fundir-se em uma única imagem.
Exemplo:

“Mas nem sequer ouviste o que eu não disse.”

Guilherme de Almeida



Eufemismo 



Construção que visa a atenuar uma idéia considerada (cultural ou socialmente) como negativa. Muitas vezes, o eufemismo relaciona-se à idéia de morte ou de doenças.
Exemplo:

O doente não estava muito bem. Mandaram chamar o vigário.

Hipérbole

Construção que exagera uma idéia de modo a destacá-la.
Exemplo:

“Chorai, olhos de mil figuras,
pelas mil figuras passadas,
e pelas mil que vão chegando. (...)”

Cecília Meireles 


Ironia 



Palavra (ou expressão) empregada, dentro de um contexto específico, com o sentido oposto àquele que normalmente possui. A ironia, muitas vezes, denuncia uma crítica.
Exemplo:

Moribundo na cama, a conversa sobre a bolsa de valores era muito interessante para ele! 



Gradação 



Enumeração que – de modo crescente (clímax) ou de modo decrescente (anti-clímax) apresenta uma realidade.
Exemplo:

“Por mais que me procure, antes de tudo ser feito,
eu era amor. Só isso encontro.
Caminho, navego, vôo,
— sempre amor (...)”

Cecília Meireles 



Prosopopéia ou personificação 



Atribuição de uma característica de ser animado a um ser inanimado ou de uma característica humana a um outro ser.
Exemplo:

“E o vento brinca nos bigodes do construtor”

Drummond 



Figuras de construção


Resultam da estruturação especial de uma frase, ou de um texto. 



Inversão 



O rompimento da ordem direta dos termos da oração (sujeito, verbo, complementos, adjuntos) ou de nomes e seus determinantes.
Exemplo:

“Não a Ti, Cristo, odeio ou te não quero.”

Fernando Pessoa 



Elipse 



Supressão de um termo da frase que, pelo contexto, pode ser facilmente recuperado.
Exemplo:

Fizesse um dia de sol, iríamos à praia. (Se fizesse um dia de sol, iríamos à praia)



Zeugma



Supressão de um termo da frase, que se torna desnecessário em virtude de já ter sido expresso anteriormente.
Exemplo:

“O animal teme a morte porque vive,
O homem também, e porque a desconhece (...)”

Fernando Pessoa 



Pleonasmo

De modo enfático, pode-se repetir um termo sintático (pleonasmo sintático) ou uma idéia (pleonasmo semântico).
Exemplo:

“Dói-me no coração
Uma dor que me envergonha...”

Fernando Pessoa 



Epíteto 



Uma característica típica de um ser pode ser explicitada enfaticamente.
Exemplo:

“Só a rapariga o aquecer ao colo quando pequeno, e, depois, pelos anos fora, o consentira ao lume, enroscado a seus pés, enquanto a neve, branca e fria, ia cobrindo o telhado.“

Miguel Torga

Polissíndeto

Emprego repetido do mesmo conectivo.
Exemplo:

“O ar da sala estava turvo de fumaça; isso e o calor, e o peso da cerveja, e o ruído das conversas e risos ia me deixando apático e desinteressado”

José J. Veiga 



Assíndeto 



Omissão de um conectivo que facilmente pode ser subentendido no contexto.
Exemplo:

Lava, passa, cozinha, cuida das crianças, alimenta os animais, varre o terreiro, assa pão no forninho do quintal. 



Anáfora 



Como forma de organizar o texto, repete-se, a espaços regulares, uma palavra, uma expressão, uma frase.
Exemplo:

“São cinco horas da tarde. Hora elegante, hora do chá inglês que o mundo adotou, hora clara em que estão presos todos os demônios e atadas as mãos das feiticeiras e dos elfos.”

Oswald de Andrade 


Anacoluto 



Pode-se topicalizar (colocar como tópico, no início de uma frase) uma palavra ou expressão que, dentro da estrutura da oração não possui função sintática.
Exemplo:

A dona da casa, ninguém é melhor cozinheira! 



Silepse

Casos especiais de concordância, em que a concordância estritamente gramatical (entre termos expressos) é substituída pela concordância de idéias.

Silepse de número

O verbo pode se apresentar no plural, apesar de um sujeito coletivo singular, desde que se apresente afastado dele.
Exemplo:

“A mãe ficara na porta, chorando sempre, exclamando bobagens, escorada nas outras mulheres todas, que ajudavam a chorar... E o resto do povo tinham feito o pelo-sinal e virado as costas, porque faz mal a gente ficar espiando um enterro até ele se sumir.” 


Silepse de pessoa 


O verbo pode estar em uma pessoa gramatical diferente do sujeito, se o contexto indicar, por exemplo, a inclusão do falante entre os seres identificados como sujeito.
Exemplo:

Coubemos todos no pequeno fusca da Marta.
Verbo:1.a p. do plural Sujeito: 3.a p. do plural 


Silepse de gênero
 


Uma palavra adjetiva pode concordar com uma idéia relacionada a um nome e não necessariamente com o gênero desse nome. Exemplo:

Sua Santidade está velhinho e cansado.



Recursos fonológicos
 


Aliteração

Repetição de sons consonantais iguais ou parecidos em um contexto. Em geral, a aliteração reforça alguma idéia expressa por meio vocabular.
Exemplo:

“Leves véus velam, nuvens vãs, a lua.”

Fernando Pessoa 



Assonância 



Repetição de sons vocálicos iguais em sílabas tônicas de palavras próximas em um contexto.
Exemplo:

“E no dia lindo
vi que vinhas vindo,
minha vida.”

Guilherme de Almeida 



Paronomásia

Jogo de palavras que consiste na aproximação (ou substituição) de palavras ou expressões que possuem semelhança fonética e / ou ortográfica.
Exemplo:

“Ei-lo sentado num banco de pedra
Pálido e polido”

Oswald de Andrade


Onomatopéia

Escolha de vocábulos ou de expressões (interjeições) que procura imitar o som do ser nomeado.
Exemplo:

“Dez horas da noite, o relógio farto batia dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão! dão!”

Oswald de Andrade 

Sinestesia

Interpenetração sensorial, fundindo-se dois sentidos ou mais (olfato, visão, audição, gustação e tato).

Exemplo:
 
"Mais claro e fino do que as finas pratas / O som da tua voz deliciava ... / Na dolência velada das sonatas / Como um perfume a tudo perfumava. / Era um som feito luz, eram volatas / Em lânguida espiral que iluminava / Brancas sonoridades de cascatas ... / Tanta harmonia melancolizava." 

Cruz e Souza



Ana Valéria Sessa
Enviado por Ana Valéria Sessa em 17/09/2005
Reeditado em 02/11/2008
Código do texto: T51340

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Sobre a autora
Ana Valéria Sessa
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